Contrição De Snarkii

34 Capítulo 034 - Começo da Contrição


Notas iniciais
Thiago "Snarkii" Ishida, capítulo 034. "Olhe fixamente para a tragédia em sua totalidade prendendo o fôlego. Corte-os! Corte-os! Até que eles estejam correndo em sangue a mulher que tenta fugir. Rasgue! Rasgue até que suas veias de sangue vermelho estejam secas, e pendure os corpos deles nus" - X Japan - Rose of Pain. Irmão... Eu te esperarei. Huh...uh...he...hehe... Boa leitura e Não esqueçam de comentar!

19 de Agosto de 2006.

Encarei ele. Só pensava em encará-lo. Olhei para seu corpo, principalmente seu peito, que apresentava várias cicatrizes de batalhas e conflitos travados... Por nenhum ideal, apenas matanças.

Olhava para seus olhos azuis, que por mais serenos quanto o céu limpo do céu, esbanjavam maldade, maldade por tudo. Um olhar traiçoeiro, que antes era um olhar amigo e calmo.

Seus lábios levemente rosados, com uma única ferida atravessando-o inteiro, se mexia delicadamente, pronunciando palavras que não combinavam com tal tranquilidade.

- Quanto tempo... Irmãozinho. — Disse ele, reenforçando o cinto de sua calça.

- Killer... Você ainda quer meu sangue? — Perguntei, relacionando o Projeto Snark II.

- Menino esperto. Com certeza, essa é a razão do meu viver.

- Não era mais fácil ter me matado? — Perguntei.

- Não. A partir daí, segundo estudos no Projeto, seu sangue estaria podre, inútil para uso. Infelizmente, precisamos de você vivo.

- E se vocês tiverem o sangue, mas eu morrer?

- Não importa. Se eu tiver o sangue de você enquanto vivo, você pode morrer, que o sangue não vai apodrecer.

- Mas pra quê Killer? Pra quê se somos irmãos? — Perguntei, com ódio e raiva, porém, tentando ocultá-los.

- Você não conhece a minha história, não queira saber mais que eu! — Disse, com raiva, aumentando o tom de voz.

- ...

- Eu nasci num berço que pertencia à Cobra. Não sabia quem era meu pai... Só fui saber dele quando tinha 10 anos, mesmo ano em que aplicaram o Projeto em mim, e no mesmo ano em que você fazia... 5 aninhos. Cobra e Joey Collins conversavam sobre Como eu era inútil, enquanto eu estava traumatizado por saber a verdade.

- Huh.

- Mas, o que fazer a não ser lutar? Estudei Matemática, Português, Geografia e História. Porém, estudei artes-marciais, e aprendi sozinho coisas diferentes como pilotar veículos variados, e técnicas variadas usadas na vida, em geral. Estudei um pouco de filosofia mas, não me familiarizei.

- E o que nisso tudo te dá o direito de tirar o que eu seria?

- Dinheiro. Revoltado, Cobra me ofereceu dinheiro para amenizar minha raiva, e me convidou para trabalhar no Projeto Snark II. Num momento de trauma, aceitei, sabendo que você seria meu irmão.

- Todos esses anos, você simplesmente me traiu. Mentiu para mim.

- E não é legal? — Disse, antes de dar risada.

Segurei firme minha arma, aumentando levemente todas as veias de minha mão, e mirei para Killer, deslizando meu dedo sobre o gatilho, faltando apenas um pequeno impulso para tirar sua vida.

Tremia demais, era só puxar o gatilho. Porém Killer estendeu suavemente seus dois braços na sua frente, indicando uma leve indignação. "Qual é Snarkii, o CPA que eu te ensinei foi inútil?" — Perguntou, se referindo ao tipo de luta que me ensinara.

"Rá" — Indignado, dei um leve suspiro. "Se for para você morrer, que seja doloroso" — Disse, guardando a M1911. Da posição neutra estabelecida, mudei rapidamente para a posição de defesa, enquanto Killer ria e corria em minha direção, contraindo seu braço para um soco.

Ouvia tiros vindo dos andares abaixo, enquanto defendia o golpe poderoso de Killer, com minhas duas mãos, sendo bruscamente arrastado pelo impacto. Aproveitando que Killer estava com a cabeça abaixada, devido a seu impacto, apliquei uma ajoelhada em seu rosto, fazendo com que ele caísse para trás.

Ele arregalou os olhos e tirou o sangue que estava em seu rosto com a mão. Ainda deitado, apoiou as duas mãos um pouco atrás de sua cabeça, e levantou rapidamente, impulsando as pernas para o alto.

"Não vai ser tão fácil que nem naquela noite" — Disse, se referindo à noite da perseguição a Itskovich. Novamente correu em minha direção, porém pulou, jogando todo seu peso em cima de mim. Apoiou suas pernas ao redor de minha barriga, ficando em cima de mim enquanto dava múltiplos golpes em meu rosto.

Afastei Killer de mim, usando meus braços para aplicar um golpe médio. Atordoado, fui tropeçando em mim mesmo, tentando controlar a dor em minha cabeça. Uma vez controlada, fechei meu punho com raiva e olhei diretamente em seus olhos... Seu rosto que apresentava um leve sorriso.

Me aproximei lentamente dele, em posição de combate. Foi quando ele segurou meu braço direito com seu braço esquerdo. Defendi seu golpe com minha mão esquerda.

Estava preso, essa técnica prendia a maioria de seus movimentos se aplicada bem, porém, um dos melhores movimentos eu poderia usar, e Killer me ensinou aquilo.

Com o movimento certo, sem torcer nenhuma parte do corpo, movimentei a cabeça bruscamente para frente, dando uma cabeçada no rosto de Killer. O sangue começou a sair mais rápido de seu nariz, enquanto me soltava.

Não parei, e continuei a socá-lo, porém todos os meus golpes eram defendidos com seus cotovelos. Em um desses golpes, ele segurou meu braço, e com domínio total sobre ele, o virou, fazendo com que meu corpo inteiro virasse junto, e caisse no chão.

Me levantei rapidamente, dando chutes consecutivos em Killer, fazendo ele cair também. Já levantado, peguei seu braço e fiz um movimento brusco, torcendo-o.

Me afastei, esperando um contra-ataque de sua parte, ainda defendendo, porém ele não fez nada. Observei de uma distância segura ele se levantar, enquanto segurava seu braço direito com o outro braço. Ainda olhando para baixo, foi se levantando lentamente.

Completamente levantado, olhando para baixo, fez um movimento rápido com seu braço esquerdo, tendo como resultado, seu braço direito voltando ao normal. Um estalo foi ouvido. No momento do estalo, ele olhou para cima com uma expressão delirante, demonstrando um sorriso sádico, com olhos arregalados. Em seguida, olhou para mim.

Perdeu o apoio de uma das pernas e mancou uma vez apenas, com seus braços leves, de um jeito natural. Ele olhou para mim. Fixamente. Seus braços ficaram firmes novamente, e ele arrumou o cabelo.

Poucos passos foram dados por Killer, que ia em minha direção, quando finalmente começou a correr. Ele gritou, enquanto eu comecei a correr em sua direção também. "Killer!!" — Gritei, enquanto preparava meu punho. "Aaaah!!" — Gritou, aproximando mais ainda.

Nos chocamos, num golpe. Dei um murro no rosto do maldito Killer, e ele fez o mesmo. Infelizmente, nós não defendemos, apenas nos concentramos em atacar.

O rosto de Killer ficou com um inchado instantâneo, e o meu também. Após o impacto, ambos caímos no chão. Passei a mão em minha boca, tirando o sangue, e Killer fez o mesmo.

Levantava com dificuldade, enquanto Killer fazia o mesmo, porém ele foi mais rápido. Ainda mancando, retomei minha posição de ataque. Killer, com um olhar de cansaço, deixou cair uma lágrima de seu rosto. Tal lágrima se fundia com o sangue que havia em seu rosto.

Killer passava delicadamente sua mão em seu peito, encostando em suas longas cicatrizes. "Tive uma vida inútil, não?" — Disse, enquanto liberava outra lágrima em seu olho. Deixando de olhar para baixo, direcionou sua cabeça para cima, deixando seu cabelo naturalmente caído. "O céu está lindo..." — Disse, enquanto lentamente caía no chão.

"Acabou?" — Pensei, enquanto tentava controlar a dor. Killer abriu seus braços, e levantou, com um pouco de dificuldade, enquanto deixava um pouco de sangue cair no chão.

"Snarkii... Sei que você não confia em mim mas... Eu só queria um abraço seu... De irmão para irmão" — Disse, enquanto se aproximava lentamente. Fiquei estável, paralisado, enquanto ele chegava mais perto de mim.

Ele encostou sua mão em meu ombro, e me deu um abraço. Um abraço que já conhecia... Mas que agora teve uma grande diferença. Isso durou por poucos segundos, que pareciam eternidade, até que ele caiu em direção contrária a minha.

Usando suas mãos como apoio, ele se levantou, e andou lentamente até a parte extrema do terraço, enquanto falava:

- Desculpe por não ser um irmão bom, Snarkii... Ou deveria dizer, Thiago?

- Huh!? Você sempre foi mal, e agora está tentando se consertar falando coisas gentis!? — Perguntei, com raiva.

- Sim, exatamente isso. — Disse ele, virando para mim — Você nunca vai saber pelo o que eu passei, quem eu fui... Minha história, meus desejos. Nunca. Então nunca tire conclusões precipitadas sobre mim... — Disse ele com um pouco de dificuldade, enquanto se engasgava com o sangue.

- Huh...

- Nossa família está viva, Snarkii.

- Não acredito em você.

- Huh... Que pena — Disse, olhando para o céu com um tom alaranjado, enquanto liberava mais uma lágrima, de seu olho esquerdo.

- ...

- Foi bom os momentos que passamos... Sinceramente. — Disse, enquanto olhava para mim — Obrigado por tudo...

- Não vou me esquecer que você matou Gih, Stryker, e por sua causa Stell e Ekan morreram. Muitos morreram por sua causa.

- Eu sei disso... Não me lembre disso, pelo menos na hora de minha... Morte.

- Huh.

- Comece sua contrição, Snarkii... Estarei te esperando, lá em baixo.

- ...

- Eu não deixarei de existir. Quem sabe, eu ainda não saia de suas memórias, não é?

- ...

- Não se esqueça de mim.

Killer fechou seus olhos, enquanto estava na extremidade de uma das partes do terraço. Ele se inclinou para trás, com os braços abertos, deixando lágrimas caírem.

Olhei ele, até que o mesmo desapareceu. Ele não me deu a oportunidade de matá-lo, ele mesmo queria fazer aquilo. Killer caiu do gigantesco prédio, rumo a seu destino inevitável: A morte.

Poucos segundos depois, ouvi apenas um alarme de carro, e algumas pessoas gritando. Os tiros vindo do prédio também cessaram, fazendo com que as unidades vermelhas subissem e me encontrassem.

Ainda olhando em direção aonde Killer estava, me ajoelhei e pensei: "Finalmente... Está tudo acabado...". Uma lágrima saiu de meu olho, enquanto olhava para o céu. "Não queria te matar, Killer... Mas..." — Pensava, enquanto me lembrava dos bons inúmeros momentos que tivemos, junto com as memórias das tragédias que ele causou.

Me levantei, enxugando a única lágrima que caira. "Essa lágrima é para você, Killer" — Disse, enquanto dava minha última olhada para o céu. Andei em direção a porta que ligava o último andar com o terraço, para ir embora.

Unidades vermelhas aplaudiam, enquanto eu saía. Malditos, não respeitavam nem meu próprio momento. Saí daquela apartamento maldito, e vi Killer, estraçalhado em um dos carros. Essa foi a última vez que vi ele.

17 de Setembro de 2006.

Acordei, um pouco cansado. Meu aniversário, e por que não o dia da minha morte? Levantei da cama, 10:30 da manhã. Viktor já estava lá, preparando seu próprio café. É um bom menino...

"Bom dia Viktor" — Disse, enquanto preparava meu café. Ele respondeu, dizendo o mesmo. Quando ele disse a palavra "pai", lembrei de Jack, o meu pai. Fiquei triste, porém tomei meu café mesmo assim. Em seguida, escovei meus dentes, e me troquei. Terno... Gravata... Perfeito.

Fui para o quarto de Viktor, que estava jogando video-game, e disse: — "O pai vai demorar um pouco para voltar... Cuide da casa até lá, ok?". "Onde você vai?" — Perguntou meu filho. "Resolver algumas coisinhas. Até mais" — Disse, enquanto me caminhava em direção ao corredor, abrindo a porta para sair, em seguida.

Desci as escadas, com muita tristeza, e abri a porta do meu carro, para ir até meu destino. Dei a partida, e comecei a dirigir, para um lugar familiar.

Fechando a porta do carro, finalmente vi. O prédio, o mesmo em que Killer e Cobra morreram. "Onde estaria Alex, Arbok, e meu pai, numa hora dessas?" — Perguntei, enquanto passava pela faixa de "não passe" da polícia, cercada por faixas amarelas.

Fui subindo lentamente as escadas, pensando em tudo o que acontecera em minha vida. Gih... Stryker... Stell... Ekan... Killer... Cobra... Todos mortos, e todos morreram, assassinados, de formas totalmente violentas.

Pra quê existe guerra? Pra quê existe dominação mundial onde o homem tem a capacidade de desenvolver a paz? Para que mortes, se a vida é dada para todos nós? Para que matar, se a única vida que deveríamos nos preocupar são as nossas mesmas?

Tais pensamentos foram esquecidos quando cheguei no terraço. Olhei para o chão, com várias manchas de sangue pelo local inteiro. Olhei para o céu, estava claro, luminosidade estava alta, o sol estava se aparecendo em um dia lindo.

Me posicionei no mesmo lugar em que ajoelhei e chorei da última vez. Olhei para minha mão, com cicatrizes em todo o lugar. Calmamente, coloquei meu joelho esquerdo no chão, e em seguida o direito.

De meu bolso, tirei minha arma, a minha arma preferida. M1911. Killer que tinha me dado aquela arma, nunca me esqueço daquele dia. "Minha vida inteira foi em vão" — Disse, enquanto olhava para a arma.

Tirei o pente, e deixei apenas uma bala lá dentro. "Minha contrição começa agora" — Pensei, enquantos outros pensamentos distintos passavam por minha cabeça.

Posicionei lentamente minha arma contra minha testa, encostando em meu cabelo. Uma lágrima saiu de meu olho, enquanto eu dizia bem baixinho: "Desculpe, Viktor".

Puxei o gatilho. Finalmente.

Notas finais
O fim está próximo... Último capítulo em breve e Espero que tenham gostado!