Contrição De Snarkii

17 Capítulo 017 - Um amigo, uma caçada


Notas iniciais
Thiago "Snarkii" Ishida, capítulo 017. "Não se trata de mudar o mundo, trata-se de fazer nosso melhor, para deixar o mundo como ele é" - Big Boss. Boa leitura e Não esqueçam de comentar!

14 de Março de 1995.

Um disparo. Foi tudo que ouvi. Fechei meus olhos por um instante, enquanto uma leve brisa passava pelo meu rosto, pelo meu ser... Pela minha alma. Após isso, ouvi apenas os roncos dos motores das motos. Só isso... Apenas isso.

Abri. Tomei coragem e abri meus olhos encharcados de lágrimas. Enxuguei-os com minhas mãos, tirando minha vista embaçada. Vi, observei, olhei. Itskovich estava sangrando, pressionando tal ferida em sua barriga.

Olhei para a minha direita, e vi Ekan, meu grande amigo. Ele estava apontando um revólver em direção a Itskovich. Disparava novamente em quanto corria em direção a mim. Entrou na minha casa, gritando: — "Vem! Estão atirando!!".

Fiz o que pude, peguei minha arma no chão e dei três passos para trás... Já estava dentro de casa, atrás da parede, servindo como cobertura.

Ouvíamos os estalos das balas inimigas, que danificavam a parede de madeira da casa... Mas mesmo assim, continuávamos a atirar, Eu e Ekan.

Saímos de casa, fomos para fora, e atiramos em todos os motoqueiros, que eram muitos. Eles não acertaram nenhum tiro em nós, eram apenas uns metidos a profissionais que não sabiam nem puxar o gatilho direito.

Itskovich pegou Gih pelos cabelos e a arrastou para o furgão. Quando percebemos isso, já era tarde, a porta já estava se fechando. Itskovich gritou, algo em russo provavelmente, e o furgão começou a escapar em alta velocidade, fugindo de nós.

Recarreguei minha M1911, mirei para o furgão e puxei o gatilho. Atirei até acabar todas as munições. Quando fui recarregar novamente, Ekan segurou meu ombro, com sua forte mão, e disse:

- Agora não dá mais, Snarkii...

- Como assim!? Não podemos deixar a Gih e o Viktor lá!

- ... Teremos que usar as motos! — Disse Ekan, enquanto apresentava um maligno sorriso.

- Com certeza — Respondi, dando um sorriso sádico.

- Vamos lá irmão, vamos conseguir.

- Obrigado Ekan, obrigado... — Disse, olhando para os olhos de Ekan, enquanto chorava e segurava forte sua mão, como companheiro.

- Não precisa agradecer, agora olha, culpa tua! Estão fugindo e você aqui de cú doce!

- Hahaha — Respondi rindo, enquanto enxugava as lágrimas.

- Pega uma moto, já tô indo também, só deixa eu pegar minha Ak-47 aqui atrás e recarregá-la.

- Tudo bem.

Corri, mas corri muito mesmo, em direção a alguma moto. Peguei a moto que estava mais fácil de escolher, tirei o corpo ensanguentado do motoqueiro dessa moto, e sentei, pronto para dar a partida.

Olhei para Ekan, enquanto ele tirava de suas costas, uma Ak-47 segurada pelo seu colete, e recarregando-a com um pouco de dificuldade, devido as tremedeiras de sua mão, por nervosismo.

Quando ele terminou, olhou para seu relógio, e correu para uma das motos. Antes de ele escolher uma moto, ele correu em minha direção e me entregou um relógio.

- Pra quê isso? — Perguntei.

- Isso não é um relógio, é um nanocomunicador.

- Porra é essa?

- Você é burro!? É como se fosse um rádio, com ele você pode falar comigo, por outro relógio meu.

- Hm?

- Tsc! Se você precisar falar comigo, sintonize para a Antena 2, é a única antena que ninguém usa. Pra falar comigo, se aproxima um pouco do relógio, se não, não irei te ouvir.

- Hm... Tá.

- Parece estranho, mas isso é importado, então toma cuidado.

- Pode deixar.

Ele subiu numa moto diferente, uma que estava atrás de mim, deu a partida, e começou a dirigir a moto. Ele passou na minha frente, então acelerei também, alcançando-o.

Da estrada de terra, pouco a pouco, fomos subindo a favela, acelerando mais e mais, sem parar. Fomos pelo caminho alternativo, dava para passar com o furgão, por isso Itskovich foi por lá também. Provavelmente ele conhecia a favela.

O caminho é de terra, porém reto, com uma única súbida leve. Eu e Ekan aceleramos, lado a lado, enquanto a visão do furgão estava começando a ficar mais nítida. Pegamos nossas pistolas e começamos a atirar... Mas o furgão virou.

Ele havia chegado na arena... Era rápido chegar lá de veículo. Demorou alguns segundos, mas conseguimos virar para a direita, indo em direção à arena. Cobra estava dormindo em seu trono... Estava. Ouvindo todo o barulho dos veículos, ele acordou desesperado, levantou, e apenas nos observou passar.

O furgão de Itskovitch, passou pela Arena, e quebrou a cerca de madeira que delimitava o fim da arena, sendo a partir daquela cerca, a descida do morro.

Eu e Ekan não hesitamos em continuar a perseguí-lo. Iria ser uma descida dura, com certeza, mas... Tentaríamos... Não morrer.

Ekan gritava quando atravessamos a arena e caímos na descida do morro. Perdemos um pouco de controle porém ainda estávamos na moto, tentando nos equilibrar entre as pedras de tal descida.

O furgão por pouco não capotava entre as pedras do morro, desviando de todas elas. Passou-se poucos segundos, quando da descida do morro, entramos numa rodovia. O furgão quebrou o limite da rodovia e entrou na estrada. Usamos a passagem para fazer o mesmo.

Da pista, vimos o grande e enorme morro. Quase morremos só de descê-lo. O furgão continuava a escapar, e igualava a velocidade da nossa, não tão rápida, moto.

Recarregamos nossas armas e continuamos a atirar. Fez estragos na porta, até que abriu um furo. "Pára!!" — Gritei para Ekan — "Pode atingir minha família!!" — Concluí. Ele respondeu com um sinal positivo.

Continuamos atirando, mas dessa vez tentando acertar os pneus. Antes de tentarmos novamente, outras motos apareceram atrás de nós, acelerando.

"Filhos da puta!" — Gritou Ekan, já recarregando sua Ak-47. "Snarkii, pega!" — Gritou, jogando uma Uzi para mim. Peguei, mas quase caí da moto. Perdi um pouco de controle mas continuei. A uzi já estava recarregada, então atirei para trás, sem ver.

Havia 7 motoqueiros armados nos persequindo e atirando. Eu e Ekan dirigimos em zigue-zague, para dificultar a pontaria inimiga. Até que continuamos numa mesma linha, miramos para trás, e definitivamente atiramos, acertando todos de uma só vez.

Esses caíram e fizeram com que algumas motos se chocassem e explodissem. Foi a última vez que olhei para trás, quando as motos explodiram e os corpos voaram junto com elas, alguns sem uns membros, como braços e pernas.

Olhei para frente, e continuamos a atirar na roda. Finalmente conseguimos acertar, digo, Ekan conseguiu acertar, o pneu direito de trás do furgão.

O veículo de Itskovich começou a derrapar, porém manteve controle e estabilidade, diminuindo sua velocidade. Enquanto isso, mais motoqueiros se aproximavam por trás. Então tive uma ideia maluca.

Como o furgão estava em baixa velocidade, me aproximei do seu lado esquerdo. Levantei da moto, e pulei no furgão, me pendurando nele. Subi, com dificuldade, e fiquei no topo do veículo, dando um sinal positivo para Ekan, fazendo com que o mesmo respondesse, me dando cobertura.

Enquanto Ekan atirava nos inimigos que estavam atrás, eu pequei uma faca que estava no meu bolso, e comecei a cortar a lataria. A faca era resistente o suficiente, quase um facão.

Abri um buraco, pelo qual passei e entrei no furgão, sem bancos. Em um canto, encontrei Gih segurando Viktor, acariciando sua pequena cabeça e ainda chorando. Quando ela me viu, ela abriu a boca para gritar de emoção, porei a tampei rapidamente.

Olhei para ela e finalmente a abracei, chorando também. "Me desculpa... Me desculpa..." — Repetia eu constantemente, bem baixinho, quase cochichando. Gih chorava bem baixinho, enconstando sua cabeça em meu ombro.

"Não faz nenhum barulho" — Cochichei para Gih, enquanto pegava minha M1911. Ela fez um sinal de afirmação com a cabeça. Peguei minha arma, e mirei para o banco do motorista na minha frente, que provavelmente seria Itskovich.

O que separava a parte de trás com a parte do motorista era um vidro, que parecia ser bem resistente. Enquanto mirava para o banco, pensava se Itskovich era o motorista ou o passageiro. "Que se foda" — Pensei. Mirei e puxei o gatilho no motorista.

O vidro apenas rachou, então atirei mais até quebrá-lo por inteiro e acertar o motorista. O vidro frontal ficou vermelho de sangue, e o som predominante foi o da buzina, feito pelo corpo do motorista, que apoiava sua cabeça lá.

O Passageiro, até lá desconhecido, tentou tomar controle do furgão, mas não conseguia. Segurei Gih e Viktor em meus braços, com toda minha força, até que o furgão bateu.

Notas finais
Próximo capítulo em breve. Espero que tenham gostado!