Contrição De Snarkii

13 Capítulo 013 - Trabalhando para Guirouty


Notas iniciais
Jack Ishida, capítulo 013. Os fortes devem viver, os fracos devem morrer. Essa é a lei. Boa leitura e Não esqueçam de comentar!

12 de Junho de 1970.

04:00 da manhã e eu já estava acordado, sentado na cama e olhando pra cima, pensando no que fazer da vida. Me levantei, e com um pouco de cansaço, fui à cozinha, preparar um café para me despertar.

Sentei na cadeira com o café na mão, deixei-o na mesa, e lembrei sobre o que ocorrera no dia anterior. Matei pessoas que tiveram infância, passaram por dificuldades, viveram traumas, e morreram por uma pessoa desconhecida para elas: Eu.

Deixei isso de lado, peguei o café e com raiva, tomei, porém queimei minha boca. O que eu senti não era nada comparado ao que eles passaram... "Levar um tiro deve ser foda" — Pensava, constantemente.

Esperei um pouco e finalmente, dei alguns goles, apenas para despertar. O gosto daquele café estava tão amargo quanto nunca, assim como meus sentimentos e reações. Joguei o resto fora.

Victória, minha mulher, acordou e fez café pra ela. Estava sentado na mesa olhando para ela, imaginando como eu iria contar à ela o que eu fiz. Terminando seu café, ela sentou na cadeira e disse:

- Então Jack, o Alex te ajudou ontem?

- Sim, fomos procurar emprego na favela e --

- Favela!?!?

- É, deixa eu terminar.

- ...

- A gente achou o líder da favela, o Guirouty. Ele perdeu seu cargo em meio aos conflitos dos novos comandos vermelho e azul. Ele então, chamou pessoas qualificadas para cuidarem de coisas... variadas para ele.

- Hum... Vocês vão ajudar o velho Guirouty em coisas básicas?

- Sim sim, e ganharemos muito bem por isso.

- Hum... Posso ter uma ideia do preço?

- Dá pra comprar alguns carros com o que eu irei ganhar por mês.

- Nossa!

- Sim.

- Então trabalhe! Continuarei trabalhando na fábrica de perfumes. Só... Não entra em perigo ok?

- Tudo bem.

- Ah... Bem, vou me arrumar pra ficar pronta pro trabalho, e você faça o mesmo.

- Mas querida, meu trabalho é lá pelas 15:00 da tarde.

- Ah tá, tudo bem. Apenas volte vivo.

- Nossa, que exagero! Não vou matar ninguém não.

- Eu sei, você nunca seria capaz disso — Essa frase me matou emocionalmente, nunca me esqueço dela.

- Hm...

- Mas enfim, pelo fato de ser uma favela, fico preocupada.

- Não precisa se preocupar, querida.

- Tudo bem, vou me arrumar.

- Tá.

Me levantei da cadeira, coloquei a xícara de café na pia, e fui escovar meus dentes. Olhei para o espelho e me encarava como um assassino. Eu estava delirando, com certeza.

Fui para nosso quarto, meu e de minha esposa, e coloquei uma roupa normal: Camisa branca, bermuda verde e chinelo preto. Minha esposa também estava se preparando, mas para o trabalho.

Ela já estava saindo, e me despediu com um beijo. Acompanhei-a até o portão para ver se estava tudo seguro. Nada de mais, não havia ninguém na rua, estava amanhecendo, então estava tudo bem.

Voltei para a sala, me deitei no sofá, e olhei para o teto, sem fazer nada. Precisava me ocupar com alguma coisa. Levantei, fui até o escritório, abri a gaveta das folhas, peguei uma, selecionei uma lapiseira decente, e comecei a escrever o que vinha em mente.

"Meus pensamentos estão vazios como um deserto. Não, meus pensamentos, na verdade, estão tão cheios como nunca, porém são pensamentos desnecessários... Vazios. Um assassino experiente, em sua primeira vez como tal, hesitou em matar? Ele pensou sobre tais consequências? Eu não. Tudo está confuso para mim ainda. Espero achar a verdade, ou pelo menos me achar nesse dia. Quero enfim uma resposta, para os meus pensamentos vazios."

Continuei a escrever um monte de anotações, tanto desnecessárias quanto necessários, meio confuso... Até que deu a hora de preparar a comida.

10:00 da manhã e já estava eu, na cozinha. Preparei um pouco de arroz, fritei algumas batatas e cebolas, e preparei uma carne para eu comer também. Não fiz feijão como todos fazem, odiava feijão.

Aproximadamente uma hora depois, comecei a comer. Não cozinhava tão bem quanto minha esposa, mas ficava gostoso.

Terminei, deu meio-dia, e novamente fui escovar os dentes. Dessa vez, escovei bem, passei fio dental, etc.

Fui terminar minhas anotações "vazias", o meu único desabafo. Eu não queria desabafar com ninguém, apenas anotar o que estava sentindo, ler, e tentar me sentir bem com isso ou analisar algo. Terminei as anotações, e já eram 13:30.

Fui trocar de roupa. Pensei em ir com uma roupa elegante, ou pelo menos boa, então achei a roupa perfeita: Terno e gravata preto, calça preta e sapato preto.

Fui no banheiro e passei um Gel em meu cabelo, pra ficar melhor e tirar o bagunçado que estava antes.

14:00 e eu estava saindo de casa. Andei para a casa de Alex, que era caminho da casa de Guirouty. Chegando lá, bati palma e ele atendeu. Da casa dele, sem sair, ele mandou esperar pois estava se trocando.

Quando ele saiu, ví sua roupa: A mesma que a minha, porém tudo em cor branca: Terno e gravata branco, calça branca e sapato branco. Estranhamos, olhamos constantemente na roupa do outro, e começamos a rir da coincidência.

Alex saiu de casa, fechou o portão e o trancou. Olhou para mim, com sua mão direita encostou em meu ombro, e começamos a andar.

- Jack, que roupa legal a sua!

- É, a sua também!

- Hahahaha. Puta coincidência hein!

- Pois é.

- Mas viu cara, mudando de assunto. Você tá um pouco nervoso?

- Não, escrevi tudo o que pensava em uma folha, digo, algumas folhas. Apenas deixei meus pensamentos fluírem.

- Legal, eu queria fazer isso mas fiquei com preguiça.

- Hehe, típico comportamento seu.

- Com certeza.

- ...

- Jack, se for necessário, você vai matar de novo?

- Sem dúvida, preciso desse dinheiro. Além do mais, pessoas que fazem o mal, merecem morrer.

- É.

Continuamos a andar quando chegamos na casa de Guirouty. Eram 15:00 em ponto, quando batemos palma chamando-o. "Entrem!" — Respondeu. Abrimos a porta e entramos na casa.

Guirouty estava lendo um livro quando entramos. Assim que pisamos na casa dele, ele largou o livro, deixou seu óculos sob a mesa e nos atendeu.

- Que bom que vocês vieram!

- É nosso trabalho, oras — Respondeu Alex, ironicamente.

- Sim sim.

- Então, o que devemos fazer hoje? — Perguntei.

- Ah, vocês poderiam tirar aquele pouco de terra que tem no quintal? Depois disso, quero conversar com vocês — Disse Guirouty, já voltando à sua mesa e abrindo o livro.

- Pode deixar.

Fomos até o quintal, e havia muita terra em um canto. Era apenas pegar uma sacola grande e colocar toda terra dentro, e jogar fora. Fizemos isso, demorou uns 10, 15 minutos, mas foi fácil.

Voltamos para conversar com Guirouty sobre o que ele queria falar conosco. Ainda lendo o livro, ele tirou o óculos e olhou para nós, dizendo:

- Poxa! Já?

- É, foi fácil — Respondi.

- Hum, que bom...

- ...

- Preciso falar sobre algo sério com vocês.

- Hum, pior que matar pessoas? — Perguntei.

- É muito aleatório, pode ser que sim, ou não. Depende da pessoa que cada um vai escolher.

- Escolher? — Perguntei — Como assim?

- Sentem-se, que eu explicarei.

O Velho Guirouty saiu do simples banquinho que sentava, apoiado à mesa, e se deslocou até a sala, onde havia sofás para se sentar mais confortavelmente.

Sentamos no sofá, Eu e o Alex, olhando diretamente para Guirouty que também estava sentado em um outro sofá, à nossa frente. Houve um breve silêncio, mas esse foi quebrado por Guirouty, que começou a conversa:

- Então, eu tenho uma "missão" para vocês.

- Missão? — Perguntei junto com Alex.

- Eu não diria missão porque até parece que é aquelas coisas de filme de espião e tudo mais. Então... Vamos dizer... "Dever", vocês tem um "dever" a cumprir.

- Qual dever seria esse? — Perguntou Alex.

- É simples, mas antes darei uma introdução.

- ...

- Eu era o líder dessa favela, o fodão, eleito por quase todos por ser o mais gentil e o que mais me comprometia com a favela inteira. Mereci esse cargo e fiz muitas mudanças durante esse período. Porém, recentemente, dois filhos de uma puta entraram nessa história para me incomodar. Cobra e Arbok, que tem aproximadamente 40 anos, os dois.

- Hum... O que que tem eles? — Perguntei.

- Os dois não concordaram com minhas normas impostas, e decidiram criar um "batalhão", um comando. Eles sempre foram amigos, porém quando a disputa ideológica começou, tudo se dissipou.

- Como assim? — Perguntei.

- É quase igual a Guerra Fria que está ocorrendo. Cobra teve ideias totalmente distintas que Arbok, para melhorar ou aproveitar a favela para algo. O problema é que, ambos tem ideias diferentes, porém uma é a que mais é adequada para o bom desenvolvimento para a favela.

- Tá, e daí? — Perguntei.

- E daí, que quem vai se encarregar disso, são vocês.

- Han? — Perguntamos juntos.

- Sim, cada um vai escolher apenas um comando, comando azul ou comando vermelho, mas tem que ser para agora. Escolham por instinto. O comando que você escolher, determinará o destino de suas vidas. Quem optar por escolher um comando específico, deverá fazer parte desse tal comando.

- Hum..

- A cada semana, vocês me enviarão um relatório sobre o que aconteceu em tal comando, o que o líder fez, suas ações, interesses, etc. Motivo: Ambos não sabem como controlar uma favela. Se por ventura, um deles mostrar atitudes certas, recrutarei unidades para atacar o Comando que estaria prejudicando.

- Certo.

- Tudo bem, podem escolher seus comandos agora.

Aquele momento foi decisivo. Realmente, era para escolher por puro instinto e sorte. Para mim, Comando Azul era mais bonito, azul é uma cor calma, relaxante... Vermelho era meio estranho, parecia algo do mal. Optei então pelo Comando Azul, e por sorte, Alex optou por Comando Vermelho, então não houve contrariações. Pouco tempo depois, Guirouty disse o seguinte:

- Muito bem, agora vocês vão se encontrar com eles. Jack se encontrará com Cobra, e Alex se encontrará com Arbok.

- O quê? Mas agora!?

- Sim, vocês podem passar em suas casas, avisaram às pessoas queridas que vocês iram partir por um curto tempo, no máximo 2 dias, apenas para a apresentação de recrutamento. Em minhas mãos, tenho 2 folhas de inscrição para recrutamento, ambas estão preenchidas: Uma é do Jack, e outra é do Alex.

- Tá... — Disse eu e Alex, pegando no papel de recrutamento.

Ele nos liberou, deu os papéis de recrutamento, abriu a porta, e fomos embora. No caminho, conversamos sobre o que havia acontecido, e que tudo estava meio complicado para nós. Fui na casa de Alex e me despedi dele, até nosso breve reencontro.

Em casa, falei com Victória, que já havia chegado do trabalho. Disse a ela que estaria dormindo na casa de Guirouty, para ajudá-lo mais em seus afazeres, e disse que voltaria em breve... Ela concordou.

Arrumei as malas, coloquei o necessário, e me despedi de minha esposa com um beijo. "Prometa que você vai ficar bem" — Disse ela, com um sorriso sincero no rosto.

Voltei para a casa de Guirouty com o Alex. Andamos, até que chegamos lá. Guirouty abriu a porta, nos deu uma folha que indicava a localização de cada "líder", e fechou a porta.

- Alex, boa sorte cara.

- Boa sorte pra você também Jack.

- Espero que dê tudo certo com você.

- Idem, meu amigo.

- Falou!

- Até mais!

Nos separamos, e assim, fui até a localização de Cobra. A localização dele estava meio longe, tive que subir o morro inteiro para chegar até ele. Escadas, caminhos estreitos, sim, essa era a favela.

Subi mais e mais, até que cheguei em uma escada principal, que era meio grande. Subi, a distância entre os degraus eram grandes mas mesmo assim eu subi.

No momento que eu cheguei no topo, homens vestidos de azul miraram em mim. Levantei minhas mãos, e uma delas estavam segurando o papel de recrutamento.

Nesse momento, as unidades azuis pararam de mirar em mim, e me deram saudações. Com um olhar estranho, continuei a andar até o suposto Cobra, sentado em um trono elevado.

Cheguei perto dele, ele olhou para mim, trocamos olhares, até que eu dei minha folha de recrutamento.

Ele olhou, olhou, e olhou mais ainda. Até que falou:

- Hum, então você se chama Jack Ishida? — Perguntou Cobra.

- Sim... Senhor... — Respondi.

- Ótimo, seu treinamento começará amanhã às 14:00, não falte.

- T-Tudo bem...

- Obrigado por se juntar a nós — Disse Cobra, estendendo sua mão para um cumprimento.

- É uma honra — Disse eu, concluindo o cumprimento, segurando forte em sua mão.

O que eu não imaginava...

Foi o pior erro da minha vida.

Notas finais
Próximo capítulo em Breve! Espero que tenham gostado!