Contrição De Snarkii

28 Capítulo 028 - Não há mais esperanças


Notas iniciais
Thiago "Snarkii" Ishida, capítulo 028. Em momentos de melancolia, onde não há mais esperanças... Nunca, jamais, pense positivo. Boa leitura e Não esqueçam de comentar!

03 de Setembro de 2005

Por um momento, fechei meus olhos, enquanto ouvia aquela voz dizendo que o tempo acabou. Não pude ouvir muito bem, o disparo de minha arma foi executado, com um simples mover do meu dedo indicador.

Abri meus olhos, tentando ocultar a inevitável verdade, porém era tarde. Enquanto abria desesperadamente, vi Stell se chocando contra a parede.

Larguei minha arma e corri em direção a ele, que estava deitado, apoiando sua coluna na parede cinza. Segurei sua mão e olhei para seu rosto. O tiro acertou seu peito, e atingiu seu coração. Ele era resistente e ainda conseguia dar seus últimos suspiros.

Ele olhou para mim, seu olhar demonstrava satisfação, e seu sorriso demonstrava felicidade. Com muita dificuldade, ele olhou diretamente em meus olhos, e sua última palavra foi "Obrigado".

Enquanto assistia à dolorosa cena, seus olhos azuis escuros como a noite mais profunda, desaparecia, deixando um tom vazio, sombrio e escuro. Seu segurar de mão forte foi, pouco a pouco, enfraquecendo, enquanto passava a mão no cabelo bagunçado do meu melhor amigo.

Finalmente, a inevitável morte foi concluída. Passei minha mão em suas pálpebras, fechando-as levemente, enquanto sua mão caía lentamente ao chão.

Encarei-o por poucos segundos que duraram uma eternidade. Do meu bolso, tirei um cigarro. Não confiscaram ele. Segurei a caixinha de cigarros na minha mão. "Legends" era a marca, marca cujo o recomendador, foi Stell.

Peguei um isqueiro que também estava no meu balso, e o acendi. Coloquei o cigarro na boca, e apoiei meu braço em minha perna, enquanto ajoelhado.

Stell entenderia o que eu estava fazendo... Tenho certeza que entenderia. "Obrigado... Amigo..." — Disse, enquanto tremia e chorava incessantemente, num ar de melancolia.

Um minuto se passou, e eu guardei o cigarro, enxugando as últimas lágrimas que caíam de meus olhos que possuíam uma coloração vermelha ao seu redor.

Com dificuldade, muita dificuldade, me levantei enquanto ainda tremia incontrolavelmente. Olhei para a cabine, que agora estava vazia. Poucos segundos depois, uma luz apareceu nessa cabine, a mesma de antes, e vi aqueles dois homens, pelo vidro.

"Adorei em ver a cena" — Disse aquela voz grave, que deu uma pequena risada — "Podemos assegurar-lhe de que Gih está a salva, porém presa, em boas condições. Você fez a escolha certa, Snarkii" — Concluiu a voz, com um tom sério.

Olhei para baixo, encarando o nada, frustrado por não poder fazer nada. Já até tentei golpear a parede para ver se abria algo, mas todo o esforço foi em vão. Me deitei, e comecei a pensar sobre tudo. Olhando o corpo falecido de Stell, pensava...

"Ekan deve estar muito nervoso, não fui digno de carregar tal dever. Eu que merecia morrer. Espero que Ekan me entenda... O que é difícil, pois nem eu estou me entendendo agora" — Pensamentos aleatórios se misturavam em minha mente.

Foi um momento doloroso para mim, extremamente doloroso. Eu estava começando a ficar realmente. Dias se passaram e eu conversaca com o cadáver de Stell, sinceramente esperando alguma resposta. Comecei a fumar mais, enquanto ficava sentado perto dele, esperando alguma resposta da cabine.

Comecei a marcar os dias. dia 01, 02, 03, 04, 05, 06, 07, e dia 08. Foram 8 tiros na parede, para marcar os dias. Não dormi entre o dia 03 e 07. Morrendo de cansaço, terminei minha "conversa" com Stell, e me deitei em qualquer lugar, no chão.

08 de Setembro de 2005.

Acordei, meio atordoado, ouvindo uma voz que estava difícil de entender. Balançando a cabeça, finalmente consegui ouvir. "Snarkii... Snarkii..." — A voz grave estava me chamando da cabine. Finalmente, após 4 dias. Me levantei com um pouco de cansaço, fedendo, e olhei sério para a cabine.

"Enquanto você estava dormindo, instalamos um chuveiro, e colocamos novas roupas no seu pequeno armário do banheiro. Tome um banho e vista-se adequadamente, para uma conversa" — Disse agora uma voz aguda.

Como uma marionete, obedeci. Entrei no pequeno banheiro, agora com chuveiro. Liguei o mesmo, e apenas saia água fria. Deixei a água escorrer pelo meu corpo, inicialmente encostando em meus lisos cabelos. Dois minutos foi o necessário, após ter desligado.

Peguei uma toalha e me sequei. Em seguida, fui ver a roupa que estava naquele armário. Me surpreendi quando a vi. Terno e gravata preto, calça preta e sapatos com cor preto. Recordações boas e ruins passaram sobre minha mente, porém não hesitei em vestí-las.

Passei um perfume que estava na gaveta. Esse perfume me lembrava ele... Não tinha dúvidas... Andei para fora do banheiro, e encarei a cabine.

- Foi rápido hein Snarkii — Disse a voz grave, com um tom irônico.

- Diga o que quer — Disse com raiva.

- Não me entenda mal! A morte do seu amigo, ou se fosse de sua esposa, seria necessário para o que está por vir!

- E o que está por vir? — Perguntei.

- Nada... Mas até lá, vou fazer com que o seu tempo passe rápido, e criar situações para seu raciocínio lógico.

- Qual é o ponto nis--

- Resumindo, se errar a questão, ou se der uma resposta que eu não gostei, será obrigado a fazer algo contra sua vontade. Se não fizer, sua esposa morre. Se acertar, ficará sem perguntas durante 3 dias. Que tal?

- Por mim tanto faz. Desde que não tenha que matar mais melhores amigos — Disse, com um tom assustador.

- Perfeito, quer ir para a primeira pergunta?

- Pode ser, mas primeiro tire meu amigo daqui. Requisito um enterro digno para ele...

- O enterro não será garantido, mas lhe asseguro de que ele não será jogado na rua.

- Ótimo — Disse, enquanto um homem armado mirava sua pistola contra mim, enquanto com a outra mão, arrastava Stell pela passagem.

- Pronto, como você pediu — Disse a voz grave, após o acontecimento.

- Ótimo. Mande a primeira pergunta.

- Determinado você hein?

- ...

- Pergunta: Se houvesse um botão que matasse aleatoriamente uma pessoa, com apenas o apertar dele mesmo, você mataria uma pessoa aleatória, para salvar sua mãe, agora morta?

Por que ele foi mencionar minha mãe? E como ele sabia da morte dela? Eu apenas contei para... Bem. Encarei o vidro que separava a sala da cabine, e hesitando um pouco, respondi com determinação e certeza:

- Sim.

- Resposta errada — Disse a voz grave.

- Por quê? — Perguntei, com um olhar duvidoso.

- Porque eu quero, simples assim.

- E se eu te provar o contrário? — Perguntei, com um olhar desafiador.

- No governo, há a legislação. Ela é encarregada de criar novas leis. As leis só são feitas por pessoas que ganharam o voto. Se a maior parte populacional não aceitar alguma lei, eles se revoltam, e mandam cartas e comunicados, tentando usar a razão — Dizia a voz, num tom explicativo — Algumas vezes, essas cartas são levadas em consideração, e anulam a lei. Com base nisso, surpreenda-me em pensar o contrário de minha própria resposta — Concluiu, dando uma pequena risada no final.

"Que coisa idiota" — Pensei, enquanto coçava a cabeça. Independente disso, minha explicação poderia desencadear um clima normal, ou mais uma daquelas decisões... Nem quero imaginar. Preciso ser convincente, e lhe dar motivos plausíveis para uma situação que, mesmo boba, é importante.

- Já sei — Disse, com entusiasmo em minha voz.

Notas finais
Próximo capítulo em breve e Espero que tenham gostado!