Contrição De Snarkii
11 Capítulo 011 - Assim como um Irmão
Notas iniciais
29 de Setembro de 1989.
A adrenalina tomava conta de mim, a dor fazia parte de meu ser, e o medo tomava conta de meu espírito lutador. "Confuso" era a melhor palavra para descrever tal momento.
Killer olhava para Arbok, e demonstrava um sorriso sádico em seu rosto. Todas as unidades azuis estavam prontas para atirar em Arbok, em um tempo determinado por Killer.
– 3... 2... 1... Agora!
Antes de todos atirarem, Arbok levantou as mãos para cima, indicando própria derrota. Ele olhou para uma unidade vermelha, com um olhar nervoso. Em seguida, todos subiram as escadas que levava para um possível segundo andar.
"É só isso o quê você tem pra mostrar, velho!?" — Debochou Killer. "Você deveria ser palhaço de circo porque tá me fazendo rir muito!!!" — Disse ele gargalhando, apontando o dedo para Arbok.
Ouvi barulhos de disparos, unidades azuis estavam sendo atingidas por cima, no segundo andar. Eles começaram a cair mortos no chão, um a um, enquanto Killer parou sua risada e se aproximou mais da casa para não o atingir.
Arbok, nesse momento, se agachou, saindo da visão dos azuis pela janela. "Fique aqui!" — Gritou Arbok para mim, enquanto as unidades azuis restantes atiravam no vidro da janela.
Ele não era meu mestre, não me ensinou nada, mas tinha informações. Se ele estivesse certo sobre algo, eu ia saber, eu iria me informar.
"Pode deixar que eu irei saber do que você está falando" — Disse eu, sorrindo pra ele.
Seu olhar ficou confuso, com uma expressão insatisfatória sobre mim, ou sobre o que eu quis dizer... "Vem logo!!" — Gritou Killer, do lado de fora.
Me levantei, com pouca dor, abri a porta e saí mancando em direção a Killer. "Espere!!" — Gritou Arbok. Ignorei-o, e continuei a tentar correr.
Me aproximei de Killer, e o mesmo disse "Vai indo, entra naquele carro e me espera!"... Não estávamos mais na favela, parecia mais uma cidade. Haviam muitos carros na rua, todos brancos. Então, obviamente, entrei no único carro preto que tinha.
Killer continuava atirando com as unidades azuis restantes, até que eles começaram a recuar, ainda atirando.
Killer correu para o carro, enquanto as outras unidades preparavam o veículo para o retorno à favela. "Você teve muita sorte" — Disse Killer, tentando dar a partida no carro. Instantes depois, já estávamos saindo daquele lugar, e as unidades vermelhas ainda estavam atirando.
"Abaixa!" — Gritou Killer, dirigindo com a cabeça abaixada. As unidades vermelhas atiravam em nós, atingindo os vidros do carro, fazendo-os quebrar.
Pude ver Arbok me olhando da janela do segundo andar da casa dele. Sua expressão era normal, ele não demonstrava nada, apenas observava.
Entramos na auto-estrada, as unidades do Comando Azul estavam atrás, seguindo Killer e eu. Tudo se acalmou, o ritmo da respiração nervosa de Killer começou a diminuir... Foi quando ele disse:
– Snarkii... Você tá bem aí?
– É...
– E sua perna?
– Eles nem enfaixaram direito. Tive que tirar e fazer meu próprio curativo com objetivos improvisados. Pra você ter uma ideia, usei álcool pra desinfetar e grampeador para fechar a ferida.
– Han!?
– Sim.
– Meu Deus.
– Pois é.
– Depois vê se me ouve! Não se envolva com Arbok, ele quer o seu mal, mas nós queremos o seu bem, e o bem da sua família.
– Ou o que restou dela.
– É! Hahahaha.
– ...
– Mas que filhos da puta, estragaram meu Alfa Romeo... Conversível ainda!
– É, apropósito, belo carro.
– Antes era muito melhor! Agora vou ter que comprar outro!!
– O valor de uma pessoa não se mede num carro...
– É porque você não tem um!!!
– Tá bom tá bom...
– E aí, o que o velho te falou?
– Depois que eu troquei o "curativo", ele veio me falar sobre o Míssil Snark II
– M-Mas... O q-que ele falou!?
– Ele disse que não era do Míssil que ele tava falando, e sim do Projeto Snark.
– M-Mas é a mesma coisa, s-só muda o nome! Hehehe...
– Hm, interessante. Ah! E a Gih!? Como ela tá!?
– Tá ótima, só está preocupada com você. Ela tá lá na minha casa.
– Ufa... E você, como está?
– Ótimo, Cobra veio me socorrer, mas ele apenas me ajudou a levantar, eu que tirei a bala e fiz o curativo... Nem doeu tanto.
– Mas... Tudo isso foi só para me resgatar?
– Sim, ordens de Cobra. Falando nisso, ele quer falar contigo.
– Hm...
Naquele momento, depois das palavras de Killer, avistamos vários carros vindo em nossa direção, todos pintados de vermelho. Obviamente, carros do Comando Vermelho.
Eles começaram a atirar nos carros do Comando Azul que estavam atrás de nós. Aumentamos a velocidade, mas eles continuaram a nos perseguir em auto estrada, com outros carros na pista.
Estávamos na esquerda, quando eles vieram pela direita, aceleraram, e começaram a nos atirar. "Abaixa Snarkii!!" — Disse Killer, indicando as mesmas ordens que anteriormente — "Pega a arma debaixo do seu banco!! — Concluiu.
Abaixei e peguei a arma que estava de baixo do banco. Era uma Submetralhadora Uzi, meio pesadinha, quase 4 kilos. "Agora atira né seu burro!" — Exclamou Killer, indicando o alvo, um carro a nossa direita.
Me agachei no banco, perdendo um pouco de controle... Mirei, e atirei repetidas vezes, sem segurar o gatilho, com intervalos pequenos. Aquela arma era estranha, foi necessário matar 2 homens usando um pente inteiro...
"Você é muito ruim nisso!" — Disse Killer, enfurecido — "Me dá essa arma aqui e assume o volante!" — Concluiu.
"M-Mas nunca dirigi um carro!" Gritei eu. "Sempre tem uma primeira vez, e outra, é só o volante, agora... Dá logo a arma!!!" — Gritou Killer para mim.
Entreguei a Uzi para ele, me inclinei, e assumi o controle do carro pelo volante. Ele se virou com o peito para o banco, e mirou para trás, enquanto eu desviava dos carros a frente.
Ele começou a atirar mas, assim como eu, não acertavam muito. O carro balançava demais devido a estrada mal feita, cheio de buracos. Foi quando ele disse: — "Deixa o volante pra mim agora, pega a arma que tá atrás dos nossos bancos.
Enquanto os inimigos atiravam em nossa direção e Killer tentava atingí-los também, me inclinei e peguei a arma. A arma era, nada mais nada menos, a Bazuca RPG-7. Olhei para ele com tanto entusiasmo.
"Sabe usar uma dessas!?" — Perguntou Killer. "Sim, claro!!!" — Respondi, com muito entusiasmo. "Vai sonhando! Passa isso pra cá!!" — Disse ele, debochando da minha cara.
Entreguei a RPG pra ele, e novamente, tomei controle do volante. Foi quando ele disse:
– Snarkii! Não vou conseguir mirar direito! Você vai ter que dirigir!
– M-Mas --
– Mas nada! Esse pedal aqui acelera, esse outro freia, e o volante você já sabe! É simples, só desviar dos carros!
– T-Tá!
Eu fiquei de pé para ele passar para o meu lugar, ele passou, então me inclinei para ir no lugar dele e começar a dirigir. Pisei no pedal que ele me indicou para acelerar, mas estava indo muito devagar.
"Muito lento! Força nesse pedal!!!" — Gritou Killer. Então fiz o que ele disse, e o carro começou a ir mais rápido.
Desviava dos carros que estavam na nossa frente com um pouco de dificuldade, mas sem bater em nenhum.
Consegui avistar a favela, ela era muito grande quando se via de baixo. Fui em direção a ela pelas ordens de Killer, enquanto ele mirava a RPG-7 nos carros.
"O que você tá esperando!?" — Perguntei gritando para Killer. "O momento certo!!" — Respondeu. Depois de alguns segundos, ele mirou, e atirou. Consequentemente fez muito barulho e chegou a doer minha cabeça.
Depois disso, ouvi uma explosão, olhei para trás, e os carros deles estavam pegando fogo, parado, no meio da estrada. Killer acertou o primeiro carro, fazendo com que os outros 2 batessem e explodissem.
"Uhuuuuul!!!" — Exclamou Killer, com muita felicidade! "Agora leva a gente pra lá!" — Concluiu, apontando o caminho.
Fui dirigindo, ou tentando, mais lentamente, chegando aonde Killer apontou. "Você foi muito bem!" — Disse ele — "Agora vamos nos encontrar com Cobra." — Concluiu.
Saí do carro, rindo, na verdade rindo de nervosismo. Não havia nada para demonstrar então comecei a rir... Minha adrenalina estava a mil. Andei ao lado de Killer e entramos na favela, subindo as escadas. Fomos pra casa dele me reencontrar com Gih. Eu estava todo suado mas não havia momento melhor, eu acho.
Entrei na casa dele e ela estava tomando café na mesa. "Thiago!!!" — Foi o que ela disse ao me ver, correndo em minha direção, me abraçando com todas suas forças.
Expliquei o que havia ocorrido e ela ficou preocupada, mas eu disse que não havia razão para tal coisa. Perguntei para Killer se eu podia tomar banho, e ele permitiu, desde que fosse rápido.
Entrei no banheiro, tirei a roupa, liguei o chuveiro, e entrei naquela água quente, que refrescava minha cabeça e aliava minha dor. Não foi necessário trocar de faixa.
Saí do banho, me sequei, coloquei a mesma roupa de sempre: Terno e Gravata, etc. Saí do banheiro, fui tomar um café, me despedi de Gih com um beijo no rosto, e acompanhei Killer ao encontro de Cobra.
Como sempre, fomos pelo caminho alternativo, e economizamos muito tempo precioso. Indicava 14:30 em meu relógio quando me encontrei com Cobra no topo da favela. Ele olhou para nós com preocupação, e disse:
– Como o Snarkii tá?
– Aparentemente bem. — Respondeu Killer por mim.
– Quantas unidades perdidas?
– Cerca de 30 para 40.
– Isso é um problema, precisamos recrutar mais!
– Sim, verdade.
– Snarkii! Como está sua perna?
– Bem, recuperou bastante.
– Certo... Então, vamos te dar uma "folga".
– Folga?
– Sim, na verdade você já estava de folga desde quando foi capturado, mas ocorreu aquele imprevisto que você já sabe...
– Sim sim, que foi um imprevisto filho da puta...
– Sim, aquele... Então Killer e Eu não vamos mais te incomodar por um bom, bom tempo.
– Hmmm, ok.
– Porém, você terá que treinar com Killer quando ele te mandar.
– Tudo certo para mim.
– E... Sim, nos reencontraremos apenas no dia 01/01/90.
– Só no Ano Novo??
– Basicamente isso. Até lá, pode ficar com a Gih na casa de Killer e fazer o que quiser.
– Maravilha, e as visitas com meu pai e minha mãe?
– Estão de pé ainda, e assim será até vocês poderem morar juntos, ou até você pagar a dívida que seu pai deixou.
– Certo.
– Estamos entendidos?
– Com certeza.
– Até lá então Snarkii!
– Até!
Me despedi de Cobra com um bom aperto de mão. Quando fui me despedir de Killer, estendi minha mão, mas ele a afastou e me deu um abraço. Em meus ouvidos, ele cuchichou: — "Nós somos assim como irmãos, vá com Deus".
Olhei para ele com felicidade, finalmente me despedi dos dois, e fui pra casa de Killer, descansar com Gih. Antes de entrar no caminho alternativo, vi os dois cuchichando... O que eles estavam falando?
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– Cobra, me desculpe pelo ocorrido.
– Não deixe mais nada acontecer com ele dessa vez!
– Eu sei, é por causa do projeto.
– Sim! O governo precisa disso, e iremos ganhar muito dinheiro.
– É, precisamos ser cautelosos e pedir ajuda do Governo para conseguir reforços.
– Sim sim, providencie isso para o Projeto.
– Com certeza.
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01 de Janeiro de 1990.
Eram exatamente Meia Noite do primeiro dia do ano 1990, o Ano da Esperança para muitos da favela. Saímos de nossas casas e fomos curtir na Arena, o ponto mais alto da Favela.
Olhamos para os fogos de artifício que estavam no céu escuro, e esquecemos o passado tenebroso que tivemos em 89.
Nada aconteceu entre esse meio tempo de folga. Aprofundei meu relacionamento amoroso com Gih e começamos um namoro. Me lembro muito bem, até perdi o fôlego pra falar com ela sobre isso, mas ela não hesitou em aceitar.
Nossas mãos estavam juntas, estávamos um do lado do outro, olhando o céu, e as pessoas se divertindo, comendo churrasco e tomando cerveja.
Tudo estava muito bom...
...Foi aí...
...Que se passaram 5 anos...
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