Contrição De Snarkii
8 Capítulo 008 - Algum tempo atrás
Notas iniciais
22 de Setembro de 1989.
– Qual sua relação com Cobra? O que ele fez com você? — Perguntei.
– Killer, posso? — Perguntou meu pai.
– Pode. — Permitiu Killer
– Tem certeza que quer saber meu filho?
– Sim.
– ...
– ...
– Bem...
11 de Junho de 1970.
Eu tinha 30 anos, e fui demitido do meu segundo trabalho como professor, eu dava aula para adolescentes mesquinhos... Fui demitido pois bati em um aluno até ele sangrar. Ele já estava na minha lista negra e não me contive quando ele chamou Victória de puta. Sim, eu já conhecia sua mãe.
Ela era meu sonho, era linda, trabalhava em uma empresa de perfumes muito famosa, já falida. Como ela não era rica, ela pegava os perfumes que iriam para o lixo por causa de alguma falha na embalagem, e usava. Cada dia ela passava com um perfume diferente para alegrar meu dia.
Eu era bastante amigo dela, quase namorados. Só me faltava coragem para pedir tal coisa, mas foi nesse dia que eu tomei uma decisão. Pedi ela em casamento, direto.
Ela não hesitou em falar "Sim". Foi um dos melhores momentos da minha vida. Mas como contar a ela que fui demitido por espancar um aluno?
Contei para ela e ela não se enfureceu, ela já foi professora também, e já sabia como era o esquema. O problema de fato era, como eu iria pagar as contas de casa e outras coisas? Foi aí que eu achei uma resposta...
Alex, meu melhor amigo. Ele era o tipo de amigo que sempre estava ao seu lado nos bons e maus momentos. Morávamos no Rio de Janeiro, e ele morava numa favela que tinha por perto.
13 de Junho de 1970.
Victória já estava morando comigo, isso já era fácil, difícil foi pedir a mão dela pros seus pais, mas enfim... Me despedi dela e disse que voltaria mais tarde.
Fui andando até a casa do Alex, que é bem perto da favela. Depois de uns 30 minutos andando, às 13:30 eu cheguei na casa do Alex. Bati palma e ele me atendeu, com um sorriso no rosto.
- Jack!!
- É Jackson e você sabe disso!
- Tá bom então João!
- Aaaah...
- Hehe, tá, Jackson, tanto faz. Mas eu prefiro Jack, parece americano...
- Por isso que eu não gosto desse nome.
- Hahahaha, que frescura!
- É... Então cara, tô num prejuízo danado...
- Eita, quê aconteceu?
- Bem, eu pedi a mão da Victória em casam--
- Nossaaaa!!! E o que ela disse!?!?
- Que sim.
- Wow! Isso sim é novidade hein! Parabéns garanhão!
- É é...
- Hm, quê aconteceu?
- Então, o pior é que eu fui demitido do meu emprego de prof--
- O quê você fez lá!?!?
- Deixa eu terminar as frases pelo men--
- Não! Agora continua!
- Ah... Enfim, fui demitido porque soquei em um alun--
- Você socou em um aluno!?!? Quê professor em sã consciência faz isso!?
- Eu.
- Mas você não é mais professor.
- Então ninguém faz isso.
- Tem razão, mas então esse é o problema?
- Claro ué! Sem trabalho, fico sem dinheiro pra sustentar minha família!
- Tem razão.
- Tem alguma ajuda aí cara?
- Não cara, não tenho nada pra fazer por você...
- Ah... Paciência então.
- É...
- Até mais então.
- Até.
Já estava indo embora, muito decepcionado. Mas não era grande coisa, era só procurar outro emprego que dava bom dinheiro... Já estava com esses pensamentos na cabeça, quando Alex me chamou novamente.
- Jack!
- Oi?
- Eu tenho um trabalho pra você, mas é meio arriscado...
- Fala — Disse eu, já me aproximando novamente da casa dele.
- Erm... É na Favela.
- Opa opa opa! Não vou matar ninguém né?
- Não, claro que não... Eu ganhei o trabalho de cuidar de...
- De... ?
- Guirouty.
- Guirouty!? O ex-dono da favela inteira!?
- Sim, ele já está meio velho e precisa de cuidados. Ele paga muito bem pra quem ajudar ele nas suas coisas de velho. Eu conversei diretamente com ele e ele me aceitou, só que falta mais um...
- Ele tem 65 anos, ele não pode se virar sozinho?
- Ele já foi o dono de uma favela inteira, ele já está cansado.
- Tem certeza que ele precisa de mim pra fazer isso?
- Você é meu amigo, se ajudar, fica melhor.
- Hum...
- É.
- Quando começa?
- Daqui a pouco, 15:00 horas.
- Eu vou com você então, vamos agora, chegar mais cedo.
- Eu topo, entra aí enquanto eu me troco. Sinta-se em casa.
- Tudo bem...
Entrei na humilde casa do meu amigo Alex. Uma casa solitária, só vivia ele e mais ninguém, mas era uma casa confortável, tinha o necessário. Ele tava trocando de roupa enquanto eu estava sentado no sofá da sala. Jogamos conversa fora enquanto isso. Era 14:00 da tarde quando saímos da casa dele para irmos até Guirouty.
Subimos a favela inteira, Guirouty estava bem no topo. Subimos todas as escadas... E quantas escadas. Passamos por quase todos os barracos, mas finalmente chegamos, depois de uns 20, 30 minutos.
Guirouty não possuía um barraco, ele possuía uma casa. Uma casa de dois andares, que era luxo por lá, obviamente.
Batemos palma, esperamos um pouco, até que ele nos atendeu. Ele já estava velho, mal conseguia abrir seu olho, e tinha uma coluna meio torta. Ele olhou para nós e falou:
- Alex, quem é esse?
- É o Jack, ele vai me ajudar.
- Bem, Jack, seja bem vindo — disse Guirouty, me cumprimentando, apertando minha mão.
- Obrigado senhor.
- Hehe, não sou mais um senhor, um mestre, um... Bem, apenas me chame de Gui.
- Gui?
- É, meu nome é Guilherme Rodrigues.
- E por que o Guirouty?
- O "uty" seria "duty", palavra em inglês que significa "dever". Eu sempre cumpro meu dever então decidi colocar isso no meu próprio nome.
- Hmm...
- Então vamos! Entrem! — Disse Guirouty, indicando a porta, para entrarmos.
Entramos na casa de Gui. Era realmente grande por dentro, e tinha objetos e materiais bastante sofisticados. Ele tinha 2 quartos, 2 banheiros, etc. O que me impressionou mesmo foi uma sala que contém um arsenal de armas, realmente muitas armas, a maioria delas pertenciam apenas ao exército.
Não tínhamos visto o segundo andar, mas ele disse que lá havia quartos e um banheiro. Sentamos no sofá de Guirouty para conversarmos sobre o assunto.
- Então... Vocês vão trabalhar para mim certo?
- Claro — Disse Alex.
- Hum, quanto vocês ganhavam?
- Muito pouco...
- Vocês vão ganhar bastante agora. Vocês vão ser pagos com ouro. Para ganhar dinheiro, vocês vão ter que vender esse ouro.
- É muito ouro? — Perguntei.
- Sim, a cada mês, a quantidade de ouro é equivalente a dois carros modernos.
- Nossa!
- Pois é.
- Mas o que vamos fazer pra ganhar tanto?
- O que eu quiser, mas são coisas básicas: Preparar a mira para eu treinar melhor, recarregar minhas armas, limpar elas, limpar minha casa, cuidar do meu cachorro...
- Hum...
- Mas varia bastante.
- Teremos que matar pra ganhar tudo isso?
- Matar vai ser o pior caso de todos, espero que nunca tenham que fazer isso, mas se tiverem, farão.
- Hmm... Não sei como usar uma arma, nem sei se vou conseguir matar alguém — Disse eu, com medo.
- Pra isso que você vai ser treinado.
- Hm...
Naquele momento, bateram palma para que Guirouty atendesse. Ele olhou para a porta e ouviu as palmas... "São inimigos querendo meu dinheiro" — Disse ele — "Eu já paguei a dívida para eles, mas eles querem mais" — Concluiu.
Estranhamos, pois como ele sabia disso? Ele nem chegou a ver quem era. Perguntamos, e ele respondeu que ele sabia como era o som das palmas deles.
Mesmo assim estranhamos, mas ouvimos o que eles tinham a dizer. Guirouty então, começou a falar:
- Jack e Alex, cada um de vocês peguem uma M1911, esse vai ser o primeiro treinamento de vocês como servidores de Guirouty. — Disse ele, já nos entregando tais armas.
- M-Mas, não sabemos atirar! — Disse eu.
- É! Além do mas, nós não matamos! — Concluiu Alex.
- Vocês só vão fazer isso dessa vez apenas. Além do mas, só vive em paz quem sabe lutar.
- ...
- Peguem as armas.
Seguramos as armas com força, tremendo, com muito medo. Guirouty nos explicou rapidamente como usava, enquanto os inimigos ainda batiam palmas. "Apenas mire e puxe o gatilho" — Dizia ele, afirmando que nos explicaria melhor mais tarde.
Os inimigos começaram a tentar arrombar a porta. Por ordens de Guirouty, ficamos em posições diferentes. Eu fiquei na direita e Alex ficou na esquerda, mirando na porta, esperando o momento chegar.
Finalmente, os inimigos arrombaram a porta e entraram com fuzis. Não deram muitos passos, pois começamos a atirar. A sensação de dar um tiro é única, no primeiro tiro, eu vi um clarão, e meu ouvido direito ficou esquisito, além de que o movimento de recuo era muito alto para mim ainda.
Um por um, os 8 inimigos começaram a cair no chão, formando uma pilha de corpos na entrada da porta. Sangue foi jorrado, e manchou a parede de vermelho. Alex ficou com o olhar paralisado, ficou espantado... Acho que o meu olhar também ficou assim.
Os inimigos pararam de entrar, todos morreram, matamos eles... Guirouty olhou para nós e nos parabenizou, disse também que esse é um momento muito difícil para um homem, e nos confortou dizendo: — "Homens que ultrapassam barreiras impostas, merecem morrer, vocês fizeram o certo".
Olhamos para os corpos, pedi um pouco de água para Guirouty, estava com muita sede. Depois de beber água, ele disse que era para recolher os corpos e levar até o quintal dele... Sim, ele possuía um quintal.
Cavamos oito buracos na terra, e colocamos os corpos dentro, depois tampamos com a terra restante. "Espero que isso não apodreça meu quintal" — Disse Guirouty, debochando dos inimigos mortos, e cuspindo na grama.
"Amanhã teremos mais" — Disse ele — "Quero vocês aqui às 15:00" — Concluiu. Eram 16:00 horas da tarde quando saímos da casa de Gui, para irmos para as nossas e descansarmos um pouco, além de refletir no que fizemos.
- Jack...
- Sim?
- Acho que estou começando a gostar disso.
- Eu também.
- Mas veja bem, eles mereciam morrer! Eram inimigos, e estamos protegendo o velho Guirouty!
- Tem razão, meus conceitos sobre matar já não são o mesmo.
- Verdade... É estranho mas, estou ansioso para amanhã.
- Eu também...
Passei na casa do Alex, fiquei um pouco lá, tomei um café, conversamos um pouco, normal. Até que nos despedimos, esperando nosso reencontro no próximo dia.
Foi assim a primeira vez que eu matei uma pessoa.
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- E foi assim a primeira vez que eu matei uma pessoa...
- Nossa, que...
- ...
- ...Chocante.
- Verdade meu filho, mas é a realidade.
- E o que aconteceu depois disso?
- Bem, eu...
- Opa opa! Parou por aí Jack — Disse Killer — Já estamos de saída, ficamos um bom tempo por aqui.
- Ah...
- Depois eu continuo a história filho, já deve ser tarde, que horas são?
- 15:00
- É, vocês ficaram bastante tempo mesmo, depois você volta, eu te conto mais. E você me conta o que aconteceu com você!
- Tudo bem pai...
- Não faça nenhuma besteira como seu pai fez. — Disse ele, me abraçando.
- Hehe... Pode deixar né!
- Vou sentir sua falta filho, vem nos visitar de novo! — Disse minha mãe já chorando.
- Tá bom mãe...
- Thiago, eu vou com você, ok?
- Claro... Gih, mesmo eu sendo um assassino, você tem medo de mim?
- Nem um pouco, você é meu melhor amigo.
- Hm... Okay, vamos então.
- Snarkii e Gih, vão subindo lá, acompanho vocês depois. — Disse Killer.
- Tudo bem.
Subi, me encontrei com a senhora, tomando uma xícara de chá e assistindo TV. Ela abriu a porta de casa para sairmos. Ficamos esperando até Killer voltar.
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- Jack... há quanto tempo hein.
- Killer, você ainda insiste em me chamar assim?
- Hehe, faz parte...
- ...
- Além do mais, Cobra me ensinou a te odiar, e ele ensinou bem.
- É triste ouvir isso de você.
- Também acho. Mas o que importa é que uns homens de Cobra vão vim aqui mais tarde te levarem para uma casa temporária, é boa e confortável, aproveitem.
- Tudo bem.
- Até mais, Jack.
- Até mais, Killer.
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