Contrição De Snarkii
1 Capítulo 001 - O Início de tudo
Notas iniciais
17 de Setembro de 1989.
Vinte Anos atrás.
Era um Domingo calmo e ameno, o Sol estava resplandecente, os pássaros estavam a cantar. Estava tudo tranquilo, como num filme de romance, ou de drama. Uma coisa diferenciava todos esses fatores: Meu aniversário.
Naquele dia eu fazia 15 anos. Amigos, bebidas, músicas e muita gritaria e diversão... Foi um dia que qualquer adolescente da minha época queria ter... Ou não. Muitos conhecidos estavam na festa, amigos, parentes, colegas...Mas uma pessoa estava faltando: Giselle, a pessoa que eu amava naqueles tempos.
– Mãe.
– Fala Thiago.
– A Gih não veio...
– Aquela menina que você --
– É! Essa mesma, num fala alto que os maluco vão ouvir!
– Tá bom, tá bom... Estressadinho.
– Não sou mais criança.
– Nunca fale isso! Você sempr --
– Tá bom tá bom. Olha, vou na casa dela, ok? Ela disse que não ia vim pra festa sem convite, eu pensei que ela tava brincando mas ela meio que levou a sério...
– Tá bom filho, vai lá...
Minha mãe só enchia meu saco. Se eu fosse pro Inferno, ela ia reclamar por eu não ter levado casaco. Meu pai não se importava com muitas coisas, ele era gente boa, deixava eu fazer tudo... Não tínhamos uma relação muito boa de pai e filho, mas ultimamente ele aparentou ser mais legal.
Era mais ou menos 14:00 horas e eu estava indo pra casa da Gih, convidá-la para a festa. No caminho, vejo as consternações da vida: Mendigos pedindo esmola, usuários fumando maconha... É, a vida nunca foi e nunca será um Mar de Rosas.
Chegando em sua casa, a aproximadamente 1,5 kilômetros, bati palma para que ela atendesse. A Gih apareceu na janela de seu quarto, no segundo andar de sua casa. Seu sorriso deixava o dia ainda mais claro e alegre. Com uma risada sincera, ela disse:
– Calma Thiago! Eu tava me trocando!
– Não precisa, você é linda de qualquer jeito.
– Ah, pára com essa de pedreiro vai!
– Tá bom tá bom...
– Espera aí que eu já estou descendo!
– Ok.
Enquanto eu esperava por ela, percebi que passou quatro carros de luxo, formando uma fila, todos com cor branca, e uma van branca, liderando-os. Achei estranho, mas não era nada de mais.
– Pronto!
– Eita, desceu rápido hein...
– Uhum!
– Vamos lá pra festa então?
– Claro!
No caminho, começamos a falar sobre coisas de escola, dos professores e dos colegas, falamos sobre tudo, até sobre cachorros. Estávamos quase chegando na festa, e continuamos a conversar.
– Mas o quê você acha do Pedro?
– Acho ele mó métido.
– Hahahaha, por quê!?
– Ah! Fica paquerando as meninas, não gosto dele!
– E de quem você gosta então Gih?
– Gosto do Luís, do Bruno... Como amigos. Mas você merece destaque.
– Eu?
– Uhum!
– ...
– Quê foi?
– N-Nada não! Ei, estamos chegando na festa... Mas tá meio quieto.
– É, acho que eles estão esperando você.
– Pode ser também.
– Pronto, então chegamos né!
– Aham, vou abrir, vem comigo.
– Tá bom!
Abrimos a porta. Só alguns passos para chegarmos até a piscina, churrasqueira, enfim, a festa que eu tanto desejava. Mas estava tão quieto, tão estranho...
Chegamos no lugar da festa. Fiquei chocado com o que vi, me deu um branco em tudo, só olhei, mais nada. Tudo que pude ouvir foram os gritos da Gih. Todos estavam mortos, a água da piscina se transformou em sangue, todos estavam fuzilados, deitados no chão, sem sinal de vida. Os gritos de Gih pararam e ela caiu em meus braços. Olhei para ela, tinha desmaiado.
Foi o momento mais confuso, doloroso e... Ainda é confuso pra mim. Não sabia o que fazer, ninguém saberia o que fazer. Olhar meus parentes e amigos mortos no chão, sabendo que há poucos momentos estávamos festejando... Eu olhei por uns cinco segundos pro nada... O Nada... Até que eu encarei a situação sendo real, eu não estava sonhando...
Depois de ver aqueles corpos, entrei em desespero. Tio Thomas, Prima Catarina, até Rufus, meu cachorrinho, todos mortos. Eu queria mesmo era achar meus pais. Deixei a Gih encostada na parede, enquanto eu corria a procura deles, chorando e desesperado.
Procurei pela casa inteira, mas só vi corpos e mais corpos, de pessoas conhecidas, amigas e parentes... Mas só faltava um cômodo, o Quarto dos meus Pais. Eu fui correndo para o quarto deles, achei que eles poderiam estar lá. Abri a porta, mas só vi tudo como já era, organizado, sem nenhum sinal de vida.
Ajoelhei no chão, olhei para o teto e comecei a chorar de ódio e de tristeza. Estava tudo misturado, não sabia quem foi que fez, como aconteceu, estava tudo tão confuso. Vou falar a verdade, eu estava realmente puto, com tudo, mas ao mesmo tempo com nada.
Todos aqueles sentimentos ruins foram interrompidos com o som de passos, vindo do andar de baixo. Eu fui descendo as escadas, quando ouvi mais passos ainda. Desci desesperadamente, quando encontrei 3 homens de branco, armados. Eu olhei para eles e eles olharam pra mim.
Eu ia partir pra briga, não importa se eu ia morrer ou não, mas levei uma pancada na cabeça, de outro homem que apareceu na minha frente. Ele usou a arma contra mim, e me golpeou. Eu desmaiei.
18 de Setembro de 1989.
Acordei, estava tonto, fora de si. Até que me lembrei do que tinha acontecido e levantei desesperado. Estava num caminhão, não tão grande, mas era um caminhão. Olhei para meu relógio e ele indicava ser 07:20 horas. Já era o outro dia...Entrei em pânico, já se passou um dia do ocorrido, não sabia onde estavam meus pais, o que tinha acontecido com a Gih e com os meus amigos...
Comecei a gritar, a gritar... Mas ninguém respondia. Minha cabeça doía muito, por causa da pancada, então decidi sentar. Comecei a pensar em toda minha vida até aquele momento, foi foda, passei por muita coisa, mas nada vai ser mais fodido do que eu iria passar.
08:00 da manhã e o caminhão parou. Eu fiquei com medo, já que não fazia ideia do que aconteceria. Abriram a traseira do caminhão, um homem tinha entrado, ele caminhou até mim, ajoelhou-se e disse:
– A gente pode fazer isso pelo lado bom... ou ruim, você decide.
– O que vocês fizeram com eles? Cadê meus pais? Hein!?
– Como eu disse, a gente pode resolver isso numa boa ou não.
– Só me responde! E a Gih? Cadê ela?
– Se você colaborar, a gente te responde depois.
– ...
– Bom menino.
O homem colocou uma venda em mim depois disso. Não conseguia ver nada, só conseguia ouvir e cheirar. Ouvi eles dizerem que um tal de Snarkii estava chegando e que isso ia agradar ao mestre, algo assim. Andamos muito, mas muito mesmo, até que chegamos onde aparentava ser meu destino.
Eles pararam, conversaram um pouco, e tiraram minha venda. Aquele homem, novamente veio até mim e disse:
– Cê vai subir aquela escada e não vai olhar pra trás, se olhar pra trás, morre.
Eu fiz o que ele mandou. Eu não tinha muitas escolhas a fazer, e me rebelar não ia adiantar. Andei até a escada que tinha dentro de um barraco. Quase dez degraus. Subi essa escada, e cheguei na sala daquele lugar. A cozinha estava a direita, os quartos na esquerda, e a passagem estava a minha frente.
Continuei a andar e abri a porta, que seria a passagem, e me deparei com uma área muito grande, parecia uma arena. Eu estava em um ponto muito alto, a minha direita, eu conseguia ver uma parte gigantesca da Favela do Rio de Janeiro. Não pude acreditar, me levaram para o RJ... Nunca estive aqui antes, muito menos em uma Favela. Eu estava no alto do morro.
Fiquei com medo, já que tinha más impressões sobre o que era tudo isso, mas minha ordem foi não olhar pra trás, então eu continuei, com medo, mas continuei. Passei por homens armados até os dentes que me encaravam constantemente.
No fim dessa tal arena, encontrei um velho, sentado em um ponto maior que o normal, em uma cadeira feita de ouro, a única coisa cena menos depressiva que vi até ali. Tal velho, tinha dois homens armados do seu lado direito e esquerdo. Fiquei parado e olhei pra ele, até receber alguma satisfação. Demorou, mas o velho finalmente olhou para baixo, em minha direção e disse, com muita dificuldade:
– Filho... Você é o Snarkii?
– Snarkii?
– Desculpa... Erm... o Ishida?
– Sim, Thiago Ishida. E quem você é!? Cadê meus pais?
– Oh... Não se diriga assim comigo, você me deve respeito.
– Quem é você velhote?
– Hmph... É a última vez que eu vou te falar, tenha mais respeito comigo!
– ...
– Meu nome é Cobra, bem vindo ao Inferno meu querido...
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