Contrato de Setembro
30 Epílogo
Notas iniciais
ROMANCES MENSAIS
LIVRO IX – CONTRATO DE SETEMBRO
EPÍLOGO
Era um dia de frio intenso na cidade. A neve caia suavemente pelas ruas já cobertas por uma grossa camada branca, trazendo aquela beleza única do inverno. As casas já começavam a se preparar para as festas de final de ano e era possível ver as luzes de Natal espalhadas pelos comércios e casas. O que não era diferente na residência dos Rhee. Beth observava com carinho a árvore de Natal com ornamentos coloridos e muita delicadeza.
Daryl estava ao seu lado, estudando a expressão sonhadora da esposa. A lareira aquecia a sala de estar e trazia um clima aconchegante para o casal. Ao redor deles, Sam, Freddie, Michonne e Rick gritavam eufóricos, atrapalhando a concentração de Maggie, que gritava palavras aleatórias, tentando adivinhar o que Glenn desenhava no quadro no meio da sala.
Era o segundo sábado do mês, o dia em que eles realizavam a noite dos jogos de casais. Era uma tradição que eles haviam criado para tirar um dia de folga do trabalho e da rotina cansativa para se divertir sem os filhos e falar besteira. Beth e Daryl amavam estar com os amigos e era bom descansar um pouco a cabeça do cotidiano agitado com o qual eles têm lidado nos últimos tempos.
Mesmo que tenha se passado um pouco mais de dois meses desde que eles se casaram, suas vidas estavam completamente diferentes. Começando por Daryl, que finalmente conseguiu iniciar a ONG que tanto desejava em parceria com a Madre Abigail. Ele já tinha o local, parceiros e profissionais trabalhando para desenvolver atividades de desenvolvimento social e cognitivo das mais de cem crianças e adolescentes que foram vítimas de maus-tratos doméstico.
O Instituto Estrela Polar era a realização de um sonho para Daryl. O nome tinha referência a Polaris, a estrela tem sido usada há séculos como referência para orientação, tendo sido crucial na navegação. Daryl esperava que o instituto pudesse ser dar uma orientação, amor e esperança as crianças e adolescentes que, assim como ele, sentiram a dor de ser rejeitado e machucado por aqueles que deveriam os proteger.
Ainda havia muito a ser feito, mas o empresário tinha esperanças de que aos poucos, o Instituto se tornaria um lugar que faria a diferença na vida de pessoas que não tiveram as mesmas oportunidades que ele. Com o apoio de seus amigos, Beth, os primos da garota e a Madre Abigail, ele já conseguia ver um futuro brilhante para a ONG.
Beth também estava realizando o seu sonho de fazer a diferença no mundo. Assim que Sam retornou e assumiu à presidência da empresa, ela se tornou a vice-presidente da Corporação Puckett e a responsável pelo projeto da fabricação do iogurte biofortificado. Com o apoio de Michonne e Rick e com os avanços nas pesquisas de Barry e Cait, eles iniciariam o teste do produto na Etiópia em alguns meses. O trabalho era extenso e exigiria muito esforço físico e mental, mas todos estavam ansiosos para ver os resultados do iogurte na prática.
Mas graças a isso, a parceria de Michonne, Rick, Beth e Sam estava se saindo melhor do que todos esperavam. Os empresários responsáveis pelas Indústrias Grimes se encantaram tanto com as ideias das irmãs Puckett que acabaram se envolvendo em outros projetos da empresa. Eles ainda viajavam com frequência para cuidar dos negócios na África e Ásia, mas ampliaram seus investimentos na Corporação Puckett e já começaram a dar entrada nos processos para se tornarem oficialmente sócios.
Todos os dias eram mais descobertas e um novo desafio para Beth, mas ela se sentia realizada e sabia que o pai estaria orgulhoso de suas ações onde quer que estivesse. Ao menos era o que ela tentava acreditar. Estava dando o seu melhor para proteger a memória de Kyle Puckett e tudo aquilo que era importante para o homem.
Ela era feliz ao lado do marido, os negócios da família iam bem e sua relação com as irmãs não poderia estar melhor. Até mesmo estava fazendo planos para visitar Shawn e a família do irmão mais novo em Londres no outro ano com Sam e Maggie. Beth havia decidido deixar o passado para trás. Hershel Scott foi um homem terrível, mas um bom pai para Maggie e Shawn. Ela não poderia culpar os irmãos por o amarem, então tudo o que fez foi perdoá-lo e seguir em frente.
Ao contrário do homem, seu sobrinho Hershel era uma criança amável. Beth adorava a criança e havia se apegado tanto a ele que quase se sentia como uma mãe também. Todo fim de semana, ela fazia questão de leva-lo para passear com RJ e sempre que tinha chance, participava da vida escolar do pequeno para a felicidade de Maggie e Glenn, que tinham um carinho enorme pela loira.
Para a surpresa de Beth, quanto mais ela conhecia a irmã, mais próximas elas se tornavam. Até mesmo Sam acabou sendo influenciada pela relação das duas e passou a considerar Maggie sua irmã também. As três mulheres tinham tanto em comum, que ninguém poderia desconfiar que não compartilhavam do mesmo sangue. Daryl, Glenn e Freddie é que acabavam sofrendo com as personalidades fortes e impulsiva das irmãs. Mas no fim, todos estavam felizes por todos os mal-entendidos terem sido esclarecidos.
Com a descoberta de que Hugh e Merle estavam envolvidos com a HYDRA, a CIA e o FBI os colocaram em uma prisão de segurança máxima, onde não sairiam tão cedo. A verdade finalmente veio à tona de todas as ações dos dois, como os crimes com o tráfico de drogas de Merle, a corrupção de Hugh e que ele havia sido o responsável pela morte de Kyle Puckett.
Beth sabia que essa história estava longe de terminar. Todas as últimas ações tomadas pelo tio e o cunhado a levavam a acreditar que Clint Barton era o verdadeiro alvo das armações da HYDRA. Ela ainda não conseguia identificar o que estava acontecendo e talvez nunca descobrisse, porque conhecia Clint muito bem para saber que havia grandes chances de o excêntrico homem cuidar da situação por conta própria.
E era por isso que no momento ela evitava pensar muito sobre o assunto. Depois de muitos problemas e perdas, ela havia encontrado a felicidade que tanto buscou. Ainda enfrentava muitas dificuldades, porque como era comum em sua família, Beth se envolvia facilmente em problemas, mas agora ela tinha alguém que a amava apesar de suas estranhezas, loucuras e comportamento imprevisível. Daryl a apoiava acima de tudo e a fazia feliz como ela nunca imaginou que seria capaz.
— E acabou! – Grita Freddie com o cronômetro em mãos. – Maggie não acertou, então zero pontos para vocês.
— Isso! – Comemora Sam, competitiva como sempre.
— O que foi isso que você desenhou? – Questiona Maggie, irritada com o marido pelo desenho terrível no quadro.
— Era um inseto! Como você não conseguiu acertar? Estava óbvio! – Reclama Glenn, rabiscando o desenho. – Aqui estavam as asas e eu também fiz uma formiga e uma joaninha!
— Isso era uma joaninha? – Maggie encara o marido com incredulidade. Ela dá um tapa no braço dele quando ele retorna para o sofá. – Você nunca mais fica responsável pelos desenhos.
— Não adianta chorar, Maggie. Vocês ficaram em último lugar. – Cantarola Michonne, divertindo-se com a revolta da amiga.
— Como se sente sendo o perdedor, Glenn? – Provoca Rick, rindo e sendo acompanhado por Sam, Freddie e Michonne.
— Vocês não podem dizer nada. Só acertaram um desenho de oito. – Resmunga Glenn, pegando a cerveja que estava sobre a mesa de centro da sala. Ele se senta ao lado da esposa que dá mais um tapa na perna dele. – Ai, amor!
— Mas o seu desenho ficou realmente péssimo, Glenn. – Comenta Sam, enchendo as mãos com salgadinhos que estavam em uma vasilha sobre a mesa de centro. – Eu achava que o nerd era péssimo, mas você conseguiu se superar em um nível inimaginável.
— Ei! Eu não desenho tão ruim assim. – Resmunga Freddie e recebe um olhar irônico da namorada. – É sério!
— Vamos ter que relembrar a aranha que você desenhou ou o liquidificador? – Questiona Rick e novas gargalhadas ecoam pela sala. Até mesmo Maggie, que estava mal-humorada por ter acabado em último, acaba rindo ao relembrar do desenho do rapaz.
— O problema está em vocês que não entendem o meu talento artístico. – Responde Freddie e novamente todos acabam caindo na risada.
— De qualquer forma, eu queria só deixar registrado aqui que Daryl e eu ganhamos todos os jogos dessa noite. – Comenta Beth, trocando sorrisos cúmplices com o marido. Dessa vez, eles são alvos das vaias dos amigos. A garota ri e abraça o marido, recebendo um beijo na testa em seguida. – Podem chorar à vontade, que isso não muda o fato de que somos uma equipe perfeita.
— Eu tenho certeza de que vocês roubaram. Não é possível. – Implica Sam, recebendo língua de Beth em resposta.
— Como poderíamos ter feito isso? – Questiona Daryl com um sorriso divertido nos lábios. – Vocês mesmo escolheram os jogos, afirmando que eram impossíveis de roubarmos.
— Não sabemos, mas eu concordo com a Sam. É muito estranho vocês serem tão bons assim. – Acusa Maggie, encarando a irmã e o cunhado em desconfiança.
— É claro que concorda. Você ficou em último lugar. – Provoca Beth e recebe uma almofadada na cara de Maggie. – Ei!
— Bem-feito! – Exclama Sam, rindo da careta da irmã. E assim como Maggie fez, Beth joga a almofada no rosto de Sam, que por reflexo, consegue desviar e acaba acertando em Freddie. – Você sempre foi péssima em pontaria, Beth.
— Cala a boca. – Resmunga Beth, rindo. – Desculpa, Freddie.
— Está tudo bem. Estou acostumado a levar golpes no lugar de Sam. – Brinca Freddie, recebendo um olhar indignado da namorada.
— Vocês três são sempre tão agitadas. – Comenta Daryl, abraçando a esposa.
— Mas é isso que torna nossos encontros sempre divertidos. – Afirma Michonne, sorrindo para os amigos.
— Isso é verdade. – Concorda Rick, bebendo um pouco de sua cerveja. – E o fato de Glenn ser um péssimo jogador sempre me dá a certeza de que eu nunca vou ficar em último lugar nas noites de jogos.
— Nossa, como você é engraçado, Rick. Acho que já pode largar a carreira de empresário e começar a participar de stand-up. Vai fazer um imenso sucesso. – Ironiza Glenn, arrancando risadas.
Beth sente seu celular vibrar no bolso e nota que já era quase meia noite. Ela e Daryl teriam que ir para a ONG na manhã seguinte para pintar algumas paredes do ginásio que as crianças e adolescentes vão usar para praticar esportes. A mulher então encara o marido e mostra o celular, fazendo com que ele arregalasse levemente os olhos. Ele sorri e assente, entender o que a esposa queria dizer.
— Bom, pessoal, está ficando tarde. A conversa está boa, mas precisamos ir. – Avisa Daryl, levantando-se com Beth. Eles conseguem ver os olhares desanimados dos amigos. – Temos muitas paredes para pintar amanhã.
— Que horas que precisamos estar lá mesmo? – Questiona Freddie. Ele, Sam e a família Grimes haviam se oferecido para ajudar. Infelizmente, Maggie e Glenn trabalhariam, então não poderiam participar da ação.
— Dez horas da manhã está bom. Com a ajuda de todos, terminamos de pintar as paredes rapidinho. E ainda podemos contar com as habilidades artísticas de Sam para fazer a paisagem na parede da entrada da ONG. – Responde Beth e recebe um suspiro exagerado da irmã.
— Você só gosta de me usar. – Brinca Sam, dramatizando. A verdade é que ela estava ansiosa para pintar a paisagem. Desde que recebeu o pedido de Beth, a garota vinha planejando o que faria na grande parede da entrada da ONG e ela amava pintar.
Como praticamente todos teriam que ir para o Instituto Estrela Polar na manhã seguinte, os casais resolveram se despedir e ir para suas casas. Apesar de ter sido divertido, todos estavam cansados e o frio que fazia era um grande incentivo para que eles quisessem ir para cama. Como sempre, todos prometeram voltar em breve para uma revanche.
O percurso de volta para o condomínio de Daryl e Beth era tranquilo. Por causa do horário e pelo intenso frio que fazia, não havia muitas pessoas na rua. O casal observava a paisagem bonita da cidade enfeitada em silêncio, enquanto uma música animada passava em tom baixo pelo som do carro.
— Nossa. Eu estou exausta. – Comenta Beth, após um longo bocejo.
— Já estamos chegando em casa. – Afirma Daryl, pegando na mão da esposa com carinho. – Nós nos saímos muito bem nos jogos de hoje.
— Eu te disse. Nós somos o melhor casal. – Comenta a loira, dando um sorriso convencido. Daryl ri e assente, concordando. – E tivemos sorte de todos os nossos concorrentes serem péssimos desenhistas e adivinhadores.
— Isso é verdade. – Concorda Daryl, rindo ao lembrar das respostas e dos desenhos engraçados dos amigos. – Mas é isso que torna a noite dos jogos tão divertida.
Beth assente com um sorriso nos lábios. Ela entrelaça os dedos ao do marido e observa a paisagem com um semblante calmo. Quando o casal estava para chegar ao seu condomínio, a loira nota a presença de um carro luxuoso parado em frente ao condomínio. Ao seu lado, havia um homem trajando um terno elegante, gravata, luvas brancas e um quepe motorista. Não demora muito para que Beth o reconheça.
— Bernard! – Exclama Beth, assustando o marido, que a encara confusa. – Pare o carro.
— Por quê? – Questiona o homem, preocupado.
— Está vendo aquele carro chique e o homem parado ao lado dele? Aquele é Bernard Hanks, o braço direito do tio Clint. – Explica a loira, apontando para o carro parado em frente ao condomínio.
Ainda tentando entender a reação da esposa, Daryl estaciona o carro em uma vaga próxima a entrada do condomínio e o observa a esposa sair de maneira apressada do carro. Preocupado que algo pudesse ter acontecido, ele não demora a segui-la, acompanhando seus passos ágeis.
— Bernard! – Exclama Beth, chamando a atenção do homem, que sorri de maneira educada.
— Adorável Beth. – Cumprimenta o homem, que não demora muito a ser alvo de um abraço apertado da loira.
O motorista dá uma risada anasalada e corresponde ao abraço. Apesar de sempre tentar manter o profissionalismo, de todos os sobrinhos de Clint, Beth era a mais carinhosa e com quem conviveu mais tempo. Com seu jeito extrovertido, semelhante ao de seu patrão, a garota sempre conseguia arrancar sorrisos do homem que sempre exibia sorriso contido, olhos analíticos e uma postura aristocrática.
Ela então se afasta e observa o homem com carinho. Bernard era alguém que ela tinha um afeto gigantesco e fazia meses que não o via. Sentia saudades de comer os biscoitos preparados por ele e das madrugadas de insônia que ela passava ao lado dele, tomando chá e ouvindo histórias sobre Clint. Ele era como um avô para ela.
— Como é bom te ver de novo, Bernard. Eu senti muito a sua falta. – Confessa Beth, sorrindo amável. Ela o puxa pelo braço e se vira para Daryl. – Quero que conheça oficialmente o meu marido, Daryl Dixon. Daryl, esse é Bernard Hanks.
— Boa noite. É um prazer conhecê-lo, sr. Dixon. – Cumprimenta Bernard, tirando o quepe da cabeça. – Como sua esposa disse, eu me chamo Bernard Hanks. Eu trabalho o sr. Clint Barton.
— Prazer em conhecê-lo, sr. Hanks. – Responde Daryl, dando um sorriso educado.
— E o que veio fazer aqui, Bernard? Está esperando há muito tempo? Por que não me ligou? – Questiona Beth, preocupada. – Está tão frio aqui fora. Você não quer entrar? Eu preparo um chá para você?
— Não será necessário. E não se preocupe. Eu estou bem. Aprecio a preocupação. – Bernard sorri e se afasta de Beth. – E quero parabenizá-los pela cerimônia de casamento. Lamento profundamente não ter comparecido ao evento. Infelizmente, Sr. Barton e eu enfrentamos alguns problemas que saíram de nosso controle. Mas garanto que em breve iremos compensá-los pela nossa ausência.
— Não se preocupe, Bernard. Apesar de querer muito que vocês estivessem presentes, tio Clint me ligou, contando que estava cuidando de alguns problemas em Tóquio. – Afirma Beth, sorrindo compreensiva. Ela então encara o motorista com preocupação. — Mas está tudo bem? Você sempre está com tio Clint. Aconteceu alguma coisa?
— Não aconteceu nada. Não se preocupe. O sr. Barton está perfeitamente bem. — Afirma o motorista, sorrindo gentilmente. Ele retira um envelope preto de dentro de seu terno e o estende a Beth, que o pega com curiosidade. — Ele apenas pediu que eu entregasse o convite de seu quadragésimo aniversário.
— Oh, é verdade. O aniversário de tio Clint já é mês que vem. Ele nunca deixa de comemorar. – Comenta Beth, encarando o marido. – O ano passado foi tão incrível. Ele fez uma festa gigantesca com o tema Mágico de Oz. Foi tudo tão divertido. Havia mágicos, leões e diversos cenários do filme. Nós tivemos até mesmo uma apresentação de alguns atores da Broadway com inúmeros efeitos especiais.
— Uau. Isso parece incrível. – Comenta Daryl, surpreso ao imaginar uma apresentação da Broadway sobre o Mágico de Oz.
— Você nem imagina. Parecia mesmo que estávamos dentro do filme. — Relembra Beth, sorrindo. – E era tudo tão surreal.
— Depois de tudo o que você, Sam e Kyle me contou sobre Clint Barton, eu não me surpreendo. Ele é sempre tão excêntrico. – Responde o homem e Beth assente, concordando.
— Agora eu estou curiosa. Qual será o tema desse ano, Bernard? Os contos clássicos de As Mil e uma Noites? – Arrisca Beth, sorrindo com curiosidade.
— Eu recomendo que leiam o convite, sra. Dixon. — Responde o motorista, sorrindo gentil. Beth acaba rindo do nome. Ainda estava se acostumando a ser chamada de sra. Dixon.
— Obrigada por nos trazer o convite, sr. Hanks. – Daryl agradece, vendo a esposa abrir o envelope com o convite em formato de lupa preto, que possuí as bordas e as letras em caligrafia elegante em prata.
— Agora que o convite foi entregue, eu terei que partir. Boa noite mais uma vez, sr. e sra. Dixon. — Despede-se Bernard, dando uma reverência.
— Certo. Obrigada mais uma vez, Bernard. E mande lembranças ao tio Clint. – Despede-se Beth, acenando para o homem que seguia para o carro luxuoso. Ele assente e acena, entrando no veículo, que não demora muito a desaparecer pelas ruas da cidade. – Agora, vamos ver qual será o tema do aniversário deste ano.
Olá, Caros Detetives.
É com um imenso prazer que eu os convido para celebrar meu tão aguardado quadragésimo aniversário. Como um amante de mistérios, aproveitaremos a ocasião para desvendar um caso sem respostas até então. Estejam preparados para embarcar nessa perigosa e excitante aventura na primeira noite de dezembro, em uma sombria noite de Lua Nova. E lembrem-se: nunca confie em ninguém.
Atenciosamente,
Clint Barton.
— Parece que esse ano o tema é algo como Sherlock Holmes. – Comenta Daryl, encarando o convite nas mãos da esposa.
— Tio Clint planeja fazer um jogo. Ele com certeza vai criar um cenário bem sombrio e cheio de pistas. Nós provavelmente vamos ter que usar tudo o que ele nos ensinou em seus acampamentos para desvendar o mistério. – Responde Beth, sorrindo animada. – Isso definitivamente é a cara do tio Clint. Com certeza será muito divertido.
— Com certeza será algo bem interessante. Estou ansioso para ver de perto uma dessas tão comentadas festas de aniversário de Clint Barton. – Afirma Daryl, contagiado pela animação da esposa.
— Se vamos competir com meus primos, será algo bem acirrado. Não importa o que aconteça, nós temos e iremos vencer essa competição. – Garante Beth sorrindo cúmplice para o marido.
— Bom, ainda falta algum tempo para o aniversário. Por que não vamos para casa e começamos a pensar em uma estratégia debaixo das cobertas? – Sugere Daryl, sentindo seu corpo reclamar do intenso frio.
— Na verdade, eu planejo fazer outras coisas debaixo das cobertas. – Responde Beth, lançando uma piscadela para o marido e um sorriso malicioso, antes de o puxar em direção ao carro.
Daryl ri e balança a cabeça, negando. Sua esposa era uma mulher realmente intrigante e encantadora. Era por isso que ele sabia que jamais se cansaria dela. Porque Beth o completava e despertava um mundo onde ele jamais imaginou que viveria. Beth era a sua musa inspiradora e estrela guia. Ele a amava e sabia que isso nunca mudaria, porque não havia ninguém no mundo que pudesse lhe fazer sentir tão especial e lhe desse tantos motivos para viver.
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