Contrato de Amor e Ódio
2 Capítulo 01
O zumbido incessante dos computadores misturava-se ao cheiro amargo de café requentado, compondo uma sinfonia irritante que Isabella já não percebia de forma consciente. Ela apenas a sentia — como um peso constante nos ombros, como uma pressão atrás dos olhos, como mais uma coisa pequena e insuportável entre tantas outras que aprendera a engolir em silêncio.
A agência de design gráfico da família Stanley parecia ter sido feita para sugar qualquer resquício de energia de quem passasse tempo demais ali. As cadeiras rígidas castigavam a coluna, as telas antigas demoravam segundos excessivos para responder aos comandos, e o ar-condicionado temperamental alternava entre um frio cortante e uma inutilidade abafada. O café, sempre velho demais, era servido como se fosse consolo. O salário, baixo e quase ofensivo, parecia uma ironia cruel diante das horas intermináveis que Isabella dedicava àquele lugar.
Ainda assim, ela permanecia.
Não por ambição. Não por esperança. Não porque acreditasse que, um dia, Jessica Stanley olharia para seu trabalho e enxergaria algo além de uma funcionária útil e mal paga.
Isabella permanecia por necessidade. Uma necessidade crua, urgente, inegociável.
Todo pagamento que caía em sua conta desaparecia antes mesmo de parecer real. Contas atrasadas. Compras básicas para a casa. Parcelas acumuladas. E, sobretudo, as faturas do hospital — números frios impressos em papéis impessoais, carregando o peso de noites sem sono, corredores brancos demais, vozes baixas de médicos e o som repetitivo de máquinas tentando prolongar uma vida que, no fim, ninguém conseguiu salvar.
Mesmo depois da morte de Renée, as dívidas continuaram chegando.
Era essa a parte que mais feria Isabella: o mundo não parava por luto. O correio continuava trazendo cobranças. O banco continuava ligando. As luzes precisavam ser pagas. A geladeira precisava ser abastecida. Charlie continuava sentado à mesa da cozinha, cada vez mais silencioso, com os olhos cansados de quem havia perdido não apenas a esposa, mas também a direção da própria vida.
Os tratamentos haviam deixado marcas profundas. Não apenas no corpo frágil de Renée antes de sua partida, mas em Isabella também. Ela aprendera a calcular preços mentalmente enquanto andava pelos corredores do mercado. Aprendera a dividir valores impossíveis, a adiar o que parecia inadiável, a escolher qual conta poderia esperar mais um mês sem destruir tudo de vez. Aprendera que dignidade, muitas vezes, era um luxo caro demais.
Trabalhava por Charlie. Pela casa. Pelas dívidas. Pela memória da mãe.
E por uma promessa silenciosa que repetia para si mesma todas as manhãs, antes de sair: todo aquele sacrifício precisava significar alguma coisa.
Jessica Stanley era parte do fardo diário.
A proprietária da agência parecia encontrar prazer em tornar o ambiente ainda mais sufocante. Sempre impaciente, sempre insatisfeita, sempre com uma necessidade quase doentia de controle, circulava entre as mesas como um lembrete vivo de que todos ali eram substituíveis. Gritava ordens conflitantes, criticava detalhes irrelevantes e raramente perdia a chance de diminuir alguém com um comentário afiado demais para ser chamado de casual.
Por isso, quando naquela manhã Jessica atravessou a porta com um sorriso exagerado e uma animação quase teatral, Isabella sentiu um arrepio imediato subir por sua nuca.
Algo estava errado.
Jessica caminhava pelo escritório distribuindo elogios superficiais, batendo palmas, chamando funcionários pelo nome e fingindo uma cordialidade tão artificial que chegava a ser grotesca. Isabella manteve os olhos fixos na tela, os dedos imóveis sobre o mouse, tentando se convencer de que não tinha nada a ver com aquilo.
Mas a inquietação cresceu em seu peito, silenciosa e insistente.
Então ouviu seu nome. Alto demais.
— Isabella, na minha sala. Agora.
O coração dela disparou antes que pudesse controlar. Ainda assim, levantou-se com uma calma ensaiada, ajeitou os ombros e atravessou o escritório sob o peso de olhares curiosos. Sentia cada par de olhos grudado em suas costas, cada sussurro contido no ar, cada expectativa mórbida de quem esperava assistir a uma humilhação.
A sala envidraçada de Jessica parecia menor do que de costume. Bella entrou e a porta foi fechada com um cuidado excessivo, quase cerimonioso.
— Sente-se.
Isabella obedeceu, mantendo o rosto impassível, embora cada músculo do corpo estivesse tenso.
Jessica sorriu.
Aquilo, por si só, já era ameaçador.
— Tenho ótimas notícias — ela anunciou, vibrante demais. — A agência está crescendo. Nossas produções estão circulando, sendo comentadas, ganhando visibilidade… e adivinha quem foi a principal responsável por isso?
Isabella permaneceu em silêncio.
Não mordeu a isca.
— Você — continuou Jessica, sem esperar resposta. — A maioria dos projetos que chamou atenção saiu das suas mãos. Seu traço, sua composição, seu senso estético. Isso despertou interesse.
O estômago de Isabella se contraiu.
Elogios, vindos de Jessica, nunca eram presentes. Eram armadilhas.
— Fomos contratados pela Cullen Enterprises — declarou ela, triunfante.
Por um instante, o mundo perdeu o som. O nome atingiu Isabella como um golpe direto no peito.
Cullen.
A palavra não apenas ecoou em sua mente. Ela arranhou. Queimou. Abriu, com precisão cruel, feridas que jamais haviam cicatrizado de verdade.
— O quê? — Isabella perguntou, a voz seca, o corpo assumindo uma postura defensiva antes mesmo que ela percebesse. — E o que eu tenho a ver com isso?
Jessica ergueu uma das mãos, interrompendo qualquer tentativa de resistência.
— Você vai liderar tudo. Coordenação, criação, entrega. O projeto é seu.
A recusa se formou dentro de Isabella de imediato. Forte. Violenta. Quase física.
Trabalhar para aquela família era impensável. O sobrenome Cullen ainda ardia em sua vida como uma cicatriz mal fechada. Havia contratos com aquele nome. Dívidas. Portas fechadas. Máquinas desligadas. O rosto pálido de Renée no hospital. O olhar destruído de Charlie.
A raiva subiu quente, acompanhada do impulso de se levantar, recusar, sair daquela sala e nunca mais voltar.
Mas Jessica não lhe deu tempo.
— Antes que pense em dizer qualquer coisa — o sorriso desapareceu, dando lugar ao tom cortante de sempre —, isso não é um convite. É uma ordem. Ou você aceita… ou não precisa voltar amanhã.
O silêncio caiu pesado entre as duas. Isabella sentiu a garganta se fechar.
Imagens invadiram sua mente sem permissão: Charlie sentado à mesa da cozinha, encarando pilhas de contas como se elas fossem ruínas impossíveis de atravessar; o hospital com suas paredes brancas e frias; o nome de Renée impresso em prontuários caros demais; a casa silenciosa demais desde o enterro.
Seu orgulho tentou resistir. Mas a realidade o esmagou.
Porque ela podia odiar os Cullen. Podia odiar Jessica. Podia odiar o modo como o mundo parecia sempre exigir que os mais feridos fossem também os mais fortes.
Mas não podia perder aquele emprego.
Isabella respirou fundo. O ar entrou arranhando. Sentiu o gosto amargo da derrota antes mesmo de falar.
— Tudo bem — Bella respondeu, quase num sussurro.
Jessica sorriu novamente, satisfeita, como alguém que acabara de vencer uma negociação previsível.
Isabella deixou a sala com passos firmes, o queixo erguido e as mãos fechadas junto ao corpo. Por fora, parecia controlada. Por dentro, tudo tremia.
Trabalharia para os Cullen. Não por desejo. Não por escolha.
Mas porque, às vezes, sobreviver exigia engolir até mesmo o próprio ódio — e seguir em frente com ele queimando silenciosamente no peito.
~*~
Comparecer pessoalmente à Cullen Enterprises não era uma escolha. Era uma imposição disfarçada de responsabilidade profissional.
Como coordenadora do projeto, Isabella precisava estar ali. Precisava entrar naquele prédio, sentar-se à mesa de pessoas cujo sobrenome carregava tudo o que ela aprendera a desprezar e fingir que era apenas trabalho. Apenas mais um cliente. Apenas mais um contrato.
Mas quando o carro reduziu a velocidade e parou diante do edifício, o corpo dela reagiu antes que qualquer pensamento racional pudesse se formar.
O coração acelerou. Os ombros enrijeceram. Um frio lento se espalhou por seu estômago.
O prédio da Cullen Enterprises erguia-se no centro de Seattle como algo acima da própria cidade. Vidro e aço subiam em linhas perfeitas, refletindo o céu cinzento com uma frieza quase arrogante. Não havia desgaste, não havia falhas, não havia marcas do tempo. Apenas imponência.
Grande demais. Perfeito demais.
Um monumento ao poder acumulado — e à indiferença absoluta.
Isabella apertou a alça da bolsa com tanta força que os dedos começaram a doer. Por um instante breve e tentador, pensou em pedir ao motorista que fosse embora. Em inventar uma crise. Uma indisposição. Qualquer coisa que a afastasse dali antes que precisasse atravessar aquelas portas.
Mas a necessidade, como sempre, foi mais forte que o impulso.
Ela inspirou fundo, embora o ar parecesse pesado demais, e saiu do carro.
Cada passo em direção à entrada exigiu esforço consciente. As portas giratórias se abriram com suavidade automática, como se o prédio a recebesse sem resistência. Como se soubesse que ela entraria de qualquer forma.
Por dentro, tudo era ainda pior.
O saguão principal não parecia um ambiente corporativo. Lembrava uma galeria de luxo cuidadosamente encenada. O piso de mármore polido refletia as luzes brancas do teto alto, criando uma sensação de irrealidade quase clínica. O som dos passos era abafado, controlado, como se até o eco tivesse sido domesticado. As paredes de vidro exibiam esculturas minimalistas, telas abstratas e arranjos florais impecáveis.
Nada fora do lugar. Nada espontâneo. Tudo calculado para intimidar.
O ar era fresco e limpo demais, carregado por um aroma sutil — algo caro, artificialmente agradável, impossível de identificar. Isabella sentiu o estômago se revirar. Aquele cheiro não pertencia ao mundo real. Não ao mundo dela.
Funcionários bem-vestidos cruzavam o espaço com passos decididos, falando baixo ao telefone, deslizando os dedos sobre tablets reluzentes. Ninguém parecia hesitar.
A irritação começou a crescer em seu peito.
Aquela eficiência impecável. Aquela riqueza silenciosa. Aquela segurança absoluta.
Tudo aquilo existia enquanto sua família aprendia a fazer escolhas impossíveis.
Pagar uma conta ou outra. Adiar uma dívida. Vender o que ainda restava. Fingir normalidade.
O contraste era violento demais para ser ignorado.
Isabella caminhou até o balcão central de mármore branco. Atrás dele, uma recepcionista ruiva, de postura impecável e expressão treinada, ergueu os olhos com um sorriso profissional que não alcançava o olhar.
— Bom dia. Em que posso ajudar?
— Tenho horário marcado — respondeu Isabella, medindo cada palavra. — Com o diretor de marketing. Jasper Hale.
A mulher estendeu a mão, solicitando os documentos. Isabella os entregou e observou enquanto ela analisava cada detalhe com atenção meticulosa, quase cirúrgica. Cada segundo parecia longo demais. Cada pausa parecia uma avaliação silenciosa, como se até sua presença precisasse provar que merecia estar ali.
Por fim, a recepcionista digitou algumas informações e assentiu.
— Está liberada. O senhor Jasper Hale a aguarda no quadragésimo andar — disse, apontando para os elevadores de aço escovado à direita. — Pode subir.
Isabella agradeceu com um gesto mínimo e seguiu na direção indicada.
Ao entrar no elevador, sentiu o espaço se fechar ao seu redor como uma armadilha silenciosa. As portas deslizaram com um som suave demais, quase educado, e a cabine iniciou a subida.
Andar após andar.
Pessoas entravam e saíam. Perfumes caros se misturavam ao ar frio. Conversas baixas sobre contratos, prazos, cifras e lucros preenchiam o espaço sem nunca incluí-la. Isabella manteve os olhos fixos no painel iluminado, acompanhando os números crescerem, sentindo o peito apertar a cada andar vencido.
Quanto mais subia, mais evidente se tornava o abismo entre aquele mundo e o seu.
Pensou na gráfica silenciosa. Nos equipamentos antigos, gastos pelo uso excessivo. Nos papéis empilhados sem destino. Nos corredores do hospital. No som distante dos monitores. No olhar cansado de Charlie. Pensou em Renée.
Pensou no que fora perdido. No que fora arrancado.
E no quanto nada daquilo parecia ter causado qualquer rachadura na estrutura daquele império.
Os Cullen continuavam crescendo. Intocáveis. Inabaláveis. Acima de qualquer consequência real.
O elevador continuava subindo, implacável, levando Isabella cada vez mais alto — e, paradoxalmente, cada vez mais fundo no coração de tudo o que aprendera a odiar.
E ela ainda nem havia cruzado a primeira porta.
~*~
A sala de reuniões no quadragésimo andar era tão impecável quanto todo o resto do prédio — e, de algum modo, ainda mais opressiva.
A mesa longa de vidro refletia a luz natural que entrava pelas janelas panorâmicas, duplicando a vista da cidade muito abaixo, como se Seattle existisse apenas para ser observada de cima. Nada ali convidava ao conforto. Cada linha, cada superfície, cada escolha estética parecia pensada para impor respeito. Ou submissão.
Isabella sentou-se com a postura firme, as costas eretas, as mãos apoiadas com precisão calculada sobre a mesa. Por dentro, no entanto, sentia o desconforto pulsar sob a pele. Não era a cadeira, nem a altura, nem o silêncio elegante da sala. Era a consciência constante de onde estava.
À sua frente, Jasper Hale mantinha uma expressão controlada demais para ser casual. O rosto impassível, os gestos econômicos, a postura perfeitamente alinhada à cadeira. Falava de forma objetiva, precisa, sem rodeios, como alguém que valorizava resultados acima de qualquer tentativa de aproximação humana.
Ainda assim, algo nele a desconcertava.
Ele escutava. Fazia perguntas pertinentes. Considerava respostas. Ajustava pontos sem condescendência. Não havia arrogância explícita. Apenas eficiência. Uma eficiência fria, mas não cruel.
Isabella quase desejou que ele fosse desagradável. Teria sido mais fácil.
Durante mais de uma hora, os principais pilares do projeto foram definidos. Identidade visual. Conceito criativo. Paleta de cores. Impacto emocional desejado. Isabella apresentou suas ideias com clareza e firmeza, apoiada por anotações detalhadas e referências bem escolhidas. Jasper acompanhava tudo com atenção, assentindo ocasionalmente, fazendo observações pontuais, sugerindo ajustes cirúrgicos.
Era um diálogo técnico. Distante. Estranhamente funcional. Funcional demais para alguém que ela preferia odiar sem nuances.
Foi então que Jasper deslizou um tablet pela mesa.
— O evento faz parte de uma nova iniciativa de caridade da empresa.
Isabella ergueu o olhar lentamente.
— Caridade?
A palavra saiu baixa. Controlada. Mas por dentro, algo nela se contraiu.
— Sim — confirmou ele, sem perceber o peso que acabara de lançar sobre a mesa. — A Cullen Enterprises vai inaugurar um centro voltado ao apoio de pequenos e médios empreendedores. Mentoria, estrutura, incentivo financeiro. A proposta é devolver algo à comunidade.
O ar pareceu se adensar ao redor dela. Caridade. A palavra ecoou em sua mente como uma piada cruel.
A mesma família que destruíra a Gráfica Swan agora se apresentava como benfeitora. Erguendo um centro empresarial. Oferecendo apoio. Falando em comunidade. Entregando, com cerimônia e holofotes, exatamente aquilo que sua família jamais recebera quando implorou por tempo, por alternativas, por um mínimo de humanidade.
Nada fora devolvido aos Swan. Nem a gráfica. Nem a saúde de Renée. Nem a paz de Charlie. Nem a vida que Isabella poderia ter tido se não precisasse crescer entre cobranças, perdas e humilhações cuidadosamente engolidas.
A náusea veio rápida, amarga, acompanhada de uma vontade quase insuportável de rir. Não de humor, mas de incredulidade. De raiva. Da ironia obscena de estar sendo paga para tornar bonita a generosidade de quem, para ela, simbolizava ruína.
Ela sentiu a memória queimar por dentro: máquinas desligadas, portas fechadas, promessas vazias, o cheiro de tinta desaparecendo como um último suspiro.
Ainda assim, não permitiu que nada transparecesse. Seu rosto permaneceu neutro. Profissional. Controlado.
— Entendo — Bella respondeu apenas.
A voz saiu firme demais. Quase afiada.
A reunião seguiu até o encerramento formal, com prazos definidos, próximos passos alinhados e um aperto de mão calculado, frio, eficiente. Jasper despediu-se com cordialidade medida, e Isabella deixou a sala com a sensação de que o ar havia se tornado insuficiente.
Não era o trabalho que a sufocava. Era aquele lugar. Era a tranquilidade com que todos ali falavam de reconstrução, como se não houvesse famílias soterradas sob os alicerces daquele império.
Ela entrou no elevador junto a um pequeno grupo de funcionários. Conversas baixas, risos contidos, telas iluminadas. Isabella mal percebeu o painel de andares. Seus pensamentos giravam rápido demais, espiralando entre lembranças, ressentimento e a necessidade brutal de continuar se comportando como se nada daquilo a atingisse.
Quando as portas se abriram, ela saiu automaticamente.
Só então percebeu o erro.
A garagem subterrânea se estendia à sua frente em fileiras intermináveis de concreto, carros de luxo perfeitamente alinhados e luz artificial refletindo no chão polido. O silêncio ali era diferente do silêncio do saguão. Mais pesado. Mais cru. Um silêncio que ampliava pensamentos indesejados.
Isabella praguejou baixo e se virou rapidamente, pressionando o botão do elevador com impaciência.
Tarde demais. As portas já haviam se fechado.
Ela soltou um suspiro curto, frustrado, e apertou o botão novamente. Alguns minutos depois, o elevador retornou. As portas se abriram, revelando a cabine vazia.
Isabella entrou apressada. As portas começaram a se fechar. Então uma mão surgiu entre elas.
O elevador abriu novamente. E o ar mudou.
Ele entrou com passos firmes, seguros, como se o espaço tivesse sido desenhado para acomodá-lo. Alto, vestindo um terno preto perfeitamente ajustado, cada detalhe nele parecia calculado para transmitir controle absoluto. A postura era impecável. Natural demais. Fria demais.
Por um breve instante, seus olhos percorreram o interior da cabine antes de se fixarem nela.
Isabella sentiu o corpo enrijecer como se tivesse sido atravessada por uma descarga elétrica.
O cabelo de um tom bronzeado marcante contrastava com a palidez quase irreal da pele. O rosto era belo de uma maneira dura, distante, quase ofensiva. Não havia pressa em seus movimentos. Não havia surpresa. Apenas presença. Uma presença que preenchia a cabine inteira.
Ela não precisava de apresentações. Tratava-se de Edward Cullen. Vice-presidente da empresa. Herdeiro do império. O nome por trás dos contratos, das dívidas, das portas fechadas. O rosto — vivo, próximo e insuportavelmente real — de tudo o que Isabella Swan aprendera a odiar.
As portas do elevador se fecharam com um som suave demais para a violência silenciosa daquele encontro.
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