Contrato de Amor
2 Inevitável
— É uma pena que tenha decidido ir embora tão cedo. – Aldebaran acompanhava Luísa até sua carruagem. – Nem mesmo aproveitou o banquete que acabou de ser servido.
Luísa se sentia muito mal por ter que sair daquele jeito mas, além de preferir se manter longe do perigo chamado Milo Kallas, aquele era o melhor momento para pôr em prática o seu plano.
— Eu sinto muito, senhor Aldebaran. Mas acredito que meu estômago não estava preparado para a quantidade de ponche que tomei. – ela massageou o estômago e fez uma caretinha. – Mas não se preocupe. Não é nada que um bom chá de hortelã e uma boa noite de sono não resolva.
Ajudando-a a entrar na carruagem, Aldebaran se voltou para sua querida Úrsula sem esconder o desapontamento que sentia por despedir-se tão cedo dela.
— Gostaria de ter podido aproveitar mais tempo com a senhorita, mas terei cada minuto que passamos juntos guardado em meu coração, ansioso por vê-la novamente. – segurou a mão delicada e depositou um beijo sobre a luva.
Mas foi no momento em que se afastava que notou um vulto loiro entrando na carruagem e ordenando que o cocheiro seguisse viagem, antes de fechar a porta com rapidez.
— Milo, o que está fazendo? – e no instante seguinte a carruagem deixava a frente da mansão para se dirigir à estrada de terra, então voltou-se para Úrsula: – Eu vou pegar meu cavalo. Irei atrás deles.
— Está tudo bem, mon ami! – o nervoso anfitrião sentiu a mão do amigo em seu ombro.
— Camus? O que aquele maluco está fazendo? – perguntou Aldebaran, surpreso, segurando-o pelos ombros.
— Por favor, senhor Devereux. Nos diga o que estão pretendendo. – Úrsula implorou
— Se acalmem, sim? – se desvencilhou do agarre de Aldebaran. – Venham, eu lhes contarei o que está acontecendo.
E na carruagem...
— O que está pretendendo, senhor Kallas?! Por acaso enlouqueceu? Pare já essa carruagem! – Luísa batia insistentemente no teto de madeira para chamar a atenção do cocheiro, sem sucesso.
— Ele não vai parar enquanto eu não ordenar.
Luísa se voltou completamente para Milo, vendo que ele não ligava a mínima para o seu desespero.
— Para onde está me levando, seu louco? Está me sequestrado e acredita que Lorde Aldebaran não mandará ninguém atrás de nós?
— Ele não mandará. – respondeu simplesmente, afrouxando o lenço de seda do pescoço e abrindo alguns botões de seu paletó. – Por que não encosta e relaxa até chegarmos?
— Chegarmos aonde? – perguntou entre os dentes. Luísa queria voar no pescoço daquele homem com sorrisinho irritante. Iria explodir se ele não dissesse logo para onde a estava levando.
— Não precisa ficar preocupada, senhorita Garcês. Posso causar outra impressão, mas acima de tudo sou um homem íntegro e jamais ousaria dar vazão às minhas vontades, sem o seu consentimento é claro.
— O… o que o senhor quer dizer com isso? – o coração de Luísa falhou uma batida ao ver o brilho intenso dos olhos dele ao dizer aquilo.
— Quero dizer que a respeitarei, senhorita Luísa, e não a beijarei como desejo beijá-la desde que a vi chegar ao baile esta noite. – falou Milo com a voz grave.
Luísa não soube o que responder naquele momento e um pesado silêncio tomou a cabine da carruagem que adentrava a rua principal do centro de Rodório.
Incapaz de conter o gesto, Milo tocou a face ruborizada da moça e a fez encará-lo.
— Eu entrei na carruagem para impedir que sua dama de companhia viesse com a senhorita. – Milo revelou. – Eu nunca vi Aldebaran tão encantado por alguém, e ouso dizer que o sentimento que nosso amigo nutre por ela lhe é recíproco.
— Eu também não queria separar aqueles dois, mas… – Luísa sentiu a mão cálida acariciar seu rosto e fechou os olhos por alguns instantes.
Neste momento a carruagem parava e Luísa abriu os olhos, encontrando o rosto de Milo à centímetros do seu, e ali estava o rosto mais bonito que ela já viu e seu coração falhou mais uma batida ao se dar conta de que desejava intensamente que eles não estivessem em lados opostos em seus interesses. Colocou as mãos no peito musculoso e o empurrou delicadamente, olhando para fora e vendo que estava diante de sua casa.
— Parece que chegamos – ela sentia-se um tanto boba por não saber o que dizer e principalmente por não querer descer da carruagem. "Se Calisto soubesse o que está passando pela minha cabeça…"
Então o cocheiro abriu a porta da carruagem e Luísa pode ver a sombra de desânimo passar pela fisionomia de Milo ao descer e estender a mão para ajudá-la a fazer o mesmo. Caminharam em silêncio até a porta e Milo curvou-se para beijar a mão delicada.
— Senhorita Luísa, foi um prazer estar em sua companhia esta noite. Fique bem.
Antes que Luísa pudesse dizer qualquer coisa, Milo já entrava na carruagem e partia de volta para o sítio de Aldebaran.
Luísa entrou em casa e ao fechar a porta se recostou nela, soltando um profundo suspiro. Foi a primeira vez que Milo a chamou pelo primeiro nome e o que ela sentiu quando o ouviu naquela voz profunda foi algo terrivelmente assustador.
— Não. Eu não vou me deixar levar por ele! – desencostou da porta e começou uma verdadeira maratona na sala de estar, andando para lá e para cá. – Eu mal o conheço e também nem tivemos tanto tempo juntos para que isso acontecesse. É apenas uma reação comum de uma mulher sozinha diante da atração por um charmoso cavalheiro…
v.V.v
Nos dias que se seguiram ao baile, Luísa recebeu dia sim e dia não, convites para um passeio no parque, para um almoço no restaurante do museu de artes de Rodório, para um café em sua cafeteria favorita, e até mesmo para um jantar na mansão de Aldebaran, estendido à Úrsula, todos feitos por Milo. Mas se manteve irredutível, mesmo diante das belas flores e sofisticados confeitos que vinham acompanhando cada convite.
— Uma semana, Úrsula! Uma semana! – nervosa, Luísa segurava um lindíssimo buquê de aveludadas rosas vermelhas. – O que ele quer? Que eu morra de tanto comer doces para depois me enterrar com todas essas flores?!
— Talvez a senhorita devesse lhe dar uma chance e deixá-lo apresentar o seu projeto.
Todos com quem ela conversava a respeito dos planos de Milo só tinham elogios quanto às obras. Até mesmo as mães de suas alunas teciam demasiados elogios ao projeto e tentavam convencê-la de que seria o melhor para a cidade e toda a comunidade que ela cedesse o terreno para o cavalheiro.
— Como aquele projeto egoísta pode ser o melhor para a população de Rodório? Não vêem que isso vai mudar as vidas de todos?
— Mudanças são necessárias para todo tipo de sociedade, senhorita Luísa. Veja o que a senhorita proporciona para as meninas que vêm aqui todos os dias. Se lembra de quando elas começaram a frequentar suas aulas? – Luísa apertou os lábios, pensativa, e Úrsula continuou: – Só sabiam pensar em belos rapazes e vestidos. Hoje, graças ao que a senhorita lhes passou, elas têm outros propósitos. Enxergam que têm potencial para fazerem o que quiserem e não apenas viverem na dependência de seus futuros maridos e famílias.
Úrsula tinha razão quanto a suas alunas. O que Luísa ensinava ia além das aulas de etiqueta. Sempre fizera questão de mostrar para cada uma que não existiam limites para uma mulher ser o que desejasse ser. Mas o que todo o discurso de Úrsula tinha a ver com o hotel de luxo que Milo pretendia construir em Rodório? Teria ela se equivocado quanto ao projeto?
— Acredito compreender melhor agora… – Luísa caminhou até a antessala onde colocou seu chapéu preso ao pescoço com uma delicada fita lilás.
— Onde a senhorita vai? – Úrsula a seguiu, pegando as duas sombrinhas que ficavam penduradas no mancebo ao lado da porta.
— Preciso confirmar algumas coisas. Não precisa me acompanhar. – pegou sua sombrinha das mãos da dama de companhia e saiu, dando de cara com a causa de seus problemas.
— Cheguei em má hora? – perguntou Milo que estava prestes a bater na porta quando Luísa saiu.
— O senhor é mestre em chegar em péssimas horas. – respondeu azeda, fechando a sombrinha. Então abriu a porta novamente e deu espaço para que ele entrasse. – Mas, surpreendentemente, este não é o caso de hoje. Por favor, entre, senhor Kallas.
— Encantadora como sempre, senhorita Garcês. – Milo sorriu com sarcasmo e curvou-se numa mesura exagerada. – Primeiro as damas.
Estalando a língua, Luísa deu-lhe as costas e entrou novamente em casa seguida por Milo em direção a seu escritório, e Úrsula que ainda estava na antessala apenas assistiu à cena sem entender nada, mas com um ótimo pressentimento.
— Se pensa que vou assinar aquele contrato, o senhor está muito enganado, pois não irei desistir da escola para dar lugar ao seu propósito mesquinho! – Luísa o atacou prontamente tão logo adentraram o escritório.
— Mesquinho?! Como professora, senhorita Garcês, deveria saber o significado das palavras e como usá-las, pois em nada o meu projeto deveria ser chamado de mesquinho!
— Oh! Mas é claro que sim! – Luísa apontou-lhe o dedo – O simples fato de querer tirar a minha escola daqui para construir um hotel de luxo o torna sim mesquinho, egoísta!
— Hotel? – Milo franziu o cenho. – Mas do que a senhorita está falando?
— Ora, senhor Kallas, não se faça de bobo comigo! Eu vi as plantas de seu projeto no escritório de lorde Aldebaran na noite do baile.
— Então esta foi a causa de seu mal estar naquela noite? – Milo dava passos em direção à Luísa enquanto ela se afastava até bater as costas na porta de madeira maciça. – Isso sim foi uma atitude mesquinha, senhorita Luísa. – Milo se acercou dela com seu porte imponente, parando a poucos centímetros. – Sair do baile e forçar sua amiga a abandonar a companhia de Aldebaran justamente quando os dois estavam se dando tão bem.
— Está se aproveitando do ocorrido, senhor Kallas! – defendeu-se mesmo sabendo que ele não estava de todo errado.
— Não estamos em um julgamento, senhorita Luísa, mas saiba que se estivéssemos em um o seu protesto não seria deferido. O que estava pretendendo fazer ao deixar o baile tão cedo naquela noite?
Luísa sentiu seu corpo esquentar insuportavelmente e sabia que não era devido a alta temperatura da Grécia e sim, provocado pela proximidade excessiva de Milo, que apoiava as mãos na porta atrás dela de forma a prendê-la entre seus braços.
— Fala como um advogado, senhor Kallas. – sua voz saiu fraca e trêmula, o que não passou despercebido pelo homem que se aproveitou dessa vulnerabilidade e aproximou mais o rosto do dela.
— Talvez por ser um é que eu fale de tal forma. – a voz dele mais grossa e a respiração dela mais rápida. – É inevitável…
— Inevitável... – repetiu como que hipnotizada pelo tom de voz grave e o perfume amadeirado que tomava seus sentidos. As mãos delicadas apoiadas no peito largo como se quisesse afastá-lo e ao mesmo tempo agarrá-lo.
— Sim… inevitável… – rendido tanto quanto ela, Milo roçou levemente os lábios nos dela e não conteve as palavras. – Inevitável não se render ao fogo que a senhorita me provoca…
— Pois então se renda de uma vez por todas! – dando, ela, vazão aos desejos de ambos, Luísa o segurou pelo colarinho e o puxou em sua direção, unindo de vez os lábios aos dele.
Sim, essa mulher era surpreendente, pensou Milo pouco antes de segurá-la pela cintura e perder-se na doçura da boca dela. Ele não iria mais resistir aos apelos daqueles lábios que se mostravam exigentes e então, com a ponta da língua percorreu-os em um pedido mudo de passagem, sendo prontamente atendido com um suspiro lânguido, e aprofundou o beijo tão desejado.
As mãos que a seguravam pela cintura aos poucos subiram e Milo emaranhou os dedos nas ondas castanhas que caíam em cascatas pelas costas delicadas para, enfim, comandar a carícia enquanto seu corpo forte a pressionava contra a porta. Luísa fez o mesmo com seus dedos esguios, que soltaram o colarinho do casaco masculino para circundar o pescoço de Milo e enveredar-se pelas mechas douradas, provocando arrepios no corpo másculo.
— A senhorita não imagina o quanto esperei por este momento… – falou enquanto se perdia na pele alva do pescoço de Luísa. – Sentir a sua pele… o seu perfume… – a estreitou em seus braços.
— Então... foi para isso que o senhor... veio até aqui? – Luísa jogou a cabeça para trás, dando maior liberdade para a boca tentadora continuar a provocá-la.
— Na verdade, vim questioná-la quanto às suas recusas aos meus convites. – Milo afastou-se levemente. – Mas agora descobri porque a senhorita estava tão empenhada em me repelir.
— Ah é? – Luísa abriu os olhos e o encarou. – E por que seria?
— Porque sabia que não teria forças para resistir a mim, e desta forma… – soltando-a, Milo tirou do bolso de dentro de seu casaco, as folhas que ela viu na noite do baile, no escritório de Aldebaran. – me daria a chance de esclarecer o que acabo de descobrir ser um enorme mal-entendido.
Pegando os papéis que Milo lhe estendia, Luísa caminhou até a escrivaninha e sentou-se em sua cadeira. Com o cenho franzido, olhou folha por folha de maneira detalhada e pôde ler com mais clareza as anotações ao lado de cada desenho.
— Isto é mesmo verdade? – perguntou em voz baixa e com o rosto muito vermelho. – O que está anotado nestes papéis… é verdade?
Milo deu a volta na mesa e parou ao lado dela, entregando-lhe um último desenho, este claramente feito por uma criança. Era uma casa grande com várias crianças ao redor e um único adulto entre elas. Acima da casa estava escrito o nome “Casa de Apus”.
— Eu não era um bom desenhista na época. – Milo sorriu sem graça.
— Este é o meu tio? – apontou para o desenho do adulto que tinha os cabelos muito compridos e era muito alto, ao que Milo assentiu.
— Antes de Shion comprar esta casa nós éramos um bando de ladrõezinhos, batedores de carteiras, e vivíamos aqui muito antes de se tornar o que é hoje. – Milo se recostou na mesa e olhou em volta. – Isso aqui parecia mais com uma casa assombrada, e à noite fazia muito frio com o vento assobiando pelas frestas das janelas, o que causava muito medo, devo confessar. – sorriu com a lembrança e voltou a olhar para Luísa, que o escutava atentamente. – Então o seu tio chegou em Rodório e vimos nele a chance de ter muitas moedas. Ele era tão elegante e parecia ter muitas posses, não ligaria para um bando de moleques e umas poucas moedas roubadas… Ledo engano. – Milo passou a caminhar pelo escritório enquanto seu sorriso se ampliava. – Não me lembro de ter tomado tantas palmadas quanto naquele dia. Mas foi a partir daí que eu comecei a me tornar o homem que sou hoje. Foi graças aos puxões de orelha e às broncas que Shion nos deu, que hoje somos homens formados e bem sucedidos.
— Quando o senhor diz “somos”, está se referindo aos senhores que o acompanhavam naquele dia?
— Além deles, eram também Aldebaran, Aiolos, o irmão mais novo de Aiolos que está na Inglaterra hoje, e outros que não tenho ideia de onde estejam.
— Nossa! Eram muitos então. – Depois de alguns instantes em silêncio, processando todas aquelas novas informações, Luísa se levantou e parou diante de Milo, encarando-o seriamente. – Me diga, senhor Kallas, se por um acaso, eu vendesse a casa para o senhor, o que seria da minha escola?
Milo abriu um sorriso e estendeu-lhe a mão:
— A senhorita aceitaria me acompanhar?
Com uma sobrancelha arqueada em desconfiança, Luísa colocou a mão sobre a dele e o seguiu.
v.V.v
Rodório, um ano depois…
Todo o caminho até a entrada da mansão estava enfeitado das mais diversas flores, além do belíssimo túnel de flores formado pelas árvores. Uma linda carruagem branca puxada por quatro magníficos cavalos brancos passou pelo portão e percorreu todo aquele caminho florido até parar diante da imensa e imponente porta da mansão.
Um cavalariço se aproximou e prontamente abriu a porta para que a mais deslumbrante noiva pudesse descer com a ajuda de um dos padrinhos.
— C'est beau, mon ange! – Camus sorriu para a noiva que estava realmente belíssima, em um vestido branco ombro a ombro, com detalhes em renda champanhe que acompanhavam as mangas compridas e a cauda longa, onde na barra, pequenas e delicadas rosas douradas se destacavam, e um lindo e finíssimo véu lhe cobria a cabeça, sendo seguro por uma delicada coroa de brilhantes.
O caminho até o altar, que foi montado no salão principal da mansão parecia passar em câmera lenta para o noivo, que prendeu a respiração assim que a viu despontar no imenso arco do hall que dava passagem para o salão.
Duas fileiras de bancos com inúmeros convidados faziam o caminho até onde se encontrava o noivo, e ao lado deste, mais dois padrinhos se perfilavam também muito emocionados.
Um trio de moças tocando piano, violoncelo e violino, davam o compasso para a caminhada mais longa que aquele noivo já presenciou em sua vida.
— Stai calmo, amico mio. Em breve ela será toda sua.
— Ela não poderia andar um pouco mais rápido? Essa velocidade dá muito tempo para ela pensar. E se ela desistir no meio do caminho? – sussurrou de volta.
— A Úrsula jamais abandonaria o homem que ama, lorde Aldebaran. – Luísa o tranquilizou.
— Luísa tem razão, amigo. Olhe para ela. Seus olhos brilham. – complementou Milo, ao que Aldebaran ficou bem mais calmo diante do olhar apaixonado de sua amada Úrsula.
Com isso, a noiva finalmente chegou ao altar, onde Camus entregou-a a Aldebaran e se posicionou ao lado de Milo e um Dante tão emocionado quanto a madrinha que soluçava copiosamente ao lado de Luísa.
— Desse jeito vai ficar com os olhos inchados de tanto chorar, Cali. – Alícia, que fazia par com Camus, emprestou seu lenço para a amiga, enquanto Luísa só tinha olhos para seu noivo do outro lado, que fazia movimentos com a boca, dizendo algo que apenas ela compreendia e mal via a hora de estar nos braços dele, durante o baile que se seguiria à cerimônia.
— … E assim, eu os declaro marido e mulher! – declarou o juiz, com um sorriso orgulhoso. – Pode beijar a noiva, meu rapaz.
— Obrigado, Shion! – Aldebaran agradeceu emocionado, antes de levantar o véu transparente e beijar as lágrimas que escorriam pelo rosto de Úrsula, e em seguida selar seus lábios.
Todos se levantaram aplaudindo o casal recém casado e depois seguiram para o jardim, onde seriam cumprimentados.
Um pouco mais afastados, entre as árvores e folhagens, estavam Milo e Luísa. Eles estavam noivos, e ainda planejavam seu casamento, que seria realizado na Casa de Apus, onde agora Luísa dirigia o primeiro lar para crianças órfãs de Rodório, onde também ficava a escola para moças.
— A senhorita está linda, futura senhora Kallas!
— O senhor também está muito bonito, senhor Kallas! – Luísa beijou-lhe o queixo e então segurou o colarinho do casaco e o puxou para um beijo.
— Impaciente como sempre, minha futura esposa. – Milo dava selinhos na boca rosada.
— Oh, não se esqueça de que a culpa é toda sua, meu futuro marido. – Luísa correspondia aos beijinhos entre risinhos apaixonados. – É algo inevitável... Agora, faça o favor de me beijar, assim como prometeu durante a cerimônia.
— Como desejar, meu amor. – e assim Milo o fez.
Fim.
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