Contradizer o que Sentes por Mim
1 Capítulo 1 - A revelação
Não as conheço há muito tempo, sequer as encontrei pessoalmente, mas desde que comecei a observá-las, percebi que existe algo de muito puro e forte que as mantém unidas. Sei que é mais um grande clichê falar desse caso, mas por favor, peço-lhes humildemente que leiam esse depoimento, pois ele é incrivelmente mágico e amoroso. Ao final dessa história vocês verão algo de belo nas suas vidas.
Sou o narrador dessa história. Vi tudo o que se passou, mas não precisarão me conhecer a fundo. Não sou eu quem vai dar graça a essa história, e sim minhas duas amigas, duas garotas que, apesar de pouco tempo de convívio via internet, me ensinaram muito; e não foram meras lições de moral que pode-se aprender em qualquer site moralista ou em escolas. Suas lições são mais importantes do que isso, elas me ensinaram que a felicidade está em qualquer lugar, coisa, pensamento ou até átomo presente no nosso dia-a-dia. Ensinaram-me também que apesar de brigas, estar com quem amamos é o mais importante de tudo, mais importante do que alegrias fúteis proporcionadas pela carne ou matéria.
Não me recordo bem do dia em que conheci a primeira delas, de nome Ângela. Tem mais ou menos ou menos 17 anos, vive com os pais em Liverpool, Inglaterra.Aos olhos de quem não a conhece, parece apenas mais uma adolescente vivendo os seus anos de liberdade; como eu diria, mais uma na Matrix. Porém ela não era assim, era especial de mais para isso. Eu a conheci pela internet através de uma amiga que nós possuímos em comum. Inicialmente não nos falávamos muito, apenas conversas sem seriedade. Nosso assunto foi surgindo aos poucos, ao passo que fomos vendo nossas semelhanças. Só a partir deste momento que ficamos mais próximos, mais amigos...
Numa dessas conversas, ela me revela que está apaixonada por uma amiga que também mora em Liverpool, amiga esta que até pouco tempo eu não conhecia, mas falaremos dela mais à frente. Se eu me lembro bem, a conversa começava comigo falando de alguma lamentação amorosa, enquanto ela tentava me consolar. Foi mais ou menos assim:
- Estou muito triste hoje, vi que a pessoa que amo não me ama da mesma forma. — Dizia eu, totalmente desconsolado.
- Você já tentou demonstrar isso a ela? — Ela respondeu, maternalmente.
- Várias vezes, mas vi que vou me tornar um homem solitário se depender dela. — Lamentei.
- É bastante triste mesmo, mas veja pelo lado bom, você está perto dela todos os dias, pode conversar com ela, vê-la...
- É verdade, mas ainda assim eu gostaria de estar com ela, poder sentir seu beijo, seu perfume...
- Isso me parece um pouco difícil no momento.
- É verdade, mas ainda estou feliz, feliz por todos à minha volta estarem felizes.
- Principalmente eu, encontrei minha razão de viver, minha musa, meu anjo...
Fique um pouco espantado. Seria minha amiga lésbica? Sim, era sim! Mas isso não faz a menor diferença, já que ela é um amor de pessoa. Extremamente carinhosa, bondosa; em suma: perfeita, pelo menos até onde eu a conhecia. Então continuei a conversa:
- Como assim ela?
- É amor, eu sou homo.
- LoL. Você nunca tinha me dito isso
- É que ainda não éramos tão próximos, e você sabe, alguns são preconceituosos, então...
- Não se preocupe, não tenho esse pensamento primitivo...
- Ainda bem ^^
Claro que conversamos muito mais que isso, mas a conversa toda é de caráter particular.
Continuamos conversando como sempre, até que um certo dia nossa amiga em comum me pôs numa conferência via internet com a namorada da Ângela; foi quando eu finalmente a conheci. O seu nome é Júlia, uma garota mais “descolada”, também muito carinhosa, um pouco “danadinha”, mas muito simpática e companheira; outro amor de pessoa.
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