Contra o Tempo

2 Seu Mundo Caiu


Notas iniciais
Obrigada a todos que estão acompanhando a fic, em especial agradeço à: Carol Gsr Smaline Tinkerhell Madu Bruh Ana Camila e RebelQueen Meninas, obrigada pelos reviews! Essa história já está terminada o que torna tudo mais fácil. Boa leitura!

Grissom deixou seu corpo cair pesadamente na cadeira de sua sala e suspirou.

Se pudesse voltar atrás, não teria sido tão duro com ela.

Palavras lançadas não voltam mais, elas alcançam seus objetivos ou se perdem no caminho, sem forças ou sem direção.

E agora, ele provava o fel que as suas deixaram em sua boca.

Estava preocupado com as consequências.

Ele apoiou os cotovelos sobre a mesa, escondendo seu rosto em suas mãos, angustiado.

O caso estava longe de ser finalizado, mas naquele momento, ele não tinha cabeça para mais nada que não fosse ... ela.

A mulher que amava secretamente, e que em seus sonhos lhe pertencia.

Era tudo tão mais fácil em seu mundo imaginário.

Não havia dificuldades com as palavras.

Não havia o medo constante de ser abandonado. Ela lhe aceitara do jeito que ele era e o amava acima de tudo.

Não havia suas carreiras a considerar. O sentimento que os unia era muito maior que qualquer obstáculo.

Em seu mundo imaginário, ele era um homem apaixonado que faria tudo pela mulher que amava.

Mas em sua triste realidade, ele era um tremendo de um tapado que só a fazia sofrer com suas atitudes, com sua inabilidade de demonstrar algum afeto.

Em cinquenta anos, ele simplesmente não viveu.

Seu íntimo esperava alguém como ... ela. Mas sua comodidade não lhe permitia dar o primeiro passo.

Ele não estava preparado.

Mesmo que toda vez que a magoasse era como se tivesse um punhal constantemente sendo fincado em seu coração.

Doía, mas ainda assim era muito mais fácil não admitir sua maior fraqueza.

Um amor que aos seus olhos, era proibido.

Seu pager vibrou e ele quase deu um pulo de sua cadeira.

Ele só queria ficar em paz e nada mais.

Teve ímpetos de ignorá-lo como se assim pudessem esquecê-lo, nem que fosse por alguns míseros segundos.

Alguém precisava dele, mas naquele momento, não desejava ser útil.

Ele resgatou o aparelho do bolso de sua calça, olhando quase em transe.

Era Jim.

Com certeza algo novo havia surgido no caso.

Ele suspirou cansado. Estaria preso naquilo por horas.

Mas antes, ele se obrigou a fazer alguma coisa para tentar limpar a mancha entre Sara e ele.

Não tinha o direito de questionar a sua capacidade. Ela era uma CSI incrível que tinha uma facilidade nata em surpreendê-lo.

Não tinha o direito de questionar o seu equilíbrio mental, como se ela fosse uma bomba ambulante, prestes a explodir.

Ela não era uma pessoa que oferecia perigo, pelo contrário, apresentava uma fragilidade que era mascarada por seu temperamento difícil. Algo nele dizia que era apenas para se proteger.

Estava nervoso, embora isso não era uma justificativa para o que fez.

Não se viram desde então, há quase uma hora. Pelo tempo, sabia que ela já não estava mais no laboratório.

Novamente o pager vibrou em sua mão, colocou-o sobre a mesa e se levantou, o ignorando mais uma vez.

Pegou seu celular e na chamada rápida, clicou no nome dela. Ela era a primeira da lista, ele sabia, sua última ligação havia sido para ela. O caso!

Estava chamando. Eram segundos intermináveis, mas pelo menos ela não havia desligado o celular.

Sua demora estava o matando.

—Droga! — Ele praguejou quando caiu na caixa postal. Mas não havia se dado por vencido, a venceria por insistência. Outra vez a chamou.

~♥~

Sara segurava o volante com apenas uma mão. O outro braço estava apoiado na janela de sua porta, com a mão apoiando sua cabeça, quando ouviu seu celular tocar pela primeira vez no banco do passageiro.

Não se deu o trabalho de verificar quem era. Com certeza, Greg, Nick ou até mesmo Warrick souberam de sua suspensão e queriam saber como estava. Retornaria depois, quando estivesse em condições, no momento não queria falar com ninguém.

Ela não acreditava que pudesse ser Catherine por conta do atrito que tiveram na semana anterior, e muito menos Grissom, depois de dizer o que disse. Ele nunca voltava atrás.

O vidro rebaixado da janela, permitia que o vento entrasse no carro, brincando com seus cabelos. Era uma sensação boa.

Ela suspirou quando o toque parou, apenas para começar mais uma vez.

Deixou que desistissem dela.

Um carro passou em alta velocidade e automaticamente, segurou o volante com as duas mãos, olhando pelo retrovisor.

A rua estava praticamente deserta, dois carros seguiam à sua frente e depois do dela, apenas um.

Era certo que seu apartamento não ficava naquela área. A verdade era que estava dirigindo sem rumo, fugindo da agitação de Vegas, fugindo de sua vida solitária e medíocre.

Mais alguns metros percorridos e então os dois primeiros contornaram a rotatória que dava acesso a um dos bairros mais nobres da cidade.

Uma nova chamada começou, a deixando irritada. Ela se esticou para alcançar o aparelho e desligá-lo, quando viu quem era.

“Grissom?”

Sara olhou para o lado quando o carro escuro emparelhou com ela, querendo ultrapassá-la. Diminuiu a velocidade para deixá-lo passar e estranhou quando o motorista também reduziu e voltou para trás dela. Seria uma ultrapassagem segura, não vinha nenhum outro carro na pista contrária.

O celular ainda tocava e parecia queimar em sua mão. Em um impulso acabou atendendo, embora permanecesse em silêncio.

—Sara ? — Grissom a chamou com uma pitada de desespero em sua voz. _Você está ai ?

Sem resposta.

—Sara ? — Ele insistiu.

—Estou.

Foi a vez dele ficar em silêncio e ela sentiu vontade de desligar. Não tinha mais cabeça para aqueles joguinhos.

—Eu ... eu estou preocupado com você, com a sua segurança!

Ela riu na cara dele, mas era uma risada amarga, em deboche.

—Preocupado comigo ? Você só se preocupa com esse maldito laboratório, Grissom! Eu não valho a pena! Não para você!

—Isso não é verdade! Por Deus, Sara. Ele te ameaçou! — Ele gritou, se arrependendo em seguida. Estava fazendo tudo errado. Como sempre! Ficar nervoso com ela não ajudaria em nada. Um longo suspiro e muito mais calmo, continuou. _Não vamos brigar, por favor! Eu só quero conversar com você, poder te ajudar.

—Não! Sei o que vai dizer, eu não preciso de tratamento, só preciso de alguém que realmente se importe comigo!

O carro emparelhou outra vez com ela, a assustando quando se viu quase ser jogada para fora da pista.

O celular caiu de sua mão quando tentou retomar o controle de seu carro desgovernado.

Grissom ouviu pneus cantando e a ligação ficou muda.

—Sara ? O que aconteceu ? Sara!!!

Ele estava ofegante, esperando por qualquer sinal que indicasse que ela estava bem.

Mas nenhum veio.

Era aterrorizante todo aquele silêncio.

Ele ainda estava atordoado quando Jim entrou em sua sala feito um furação.

—Eu te bipei, porque não me respondeu ? Temos um problema ... — O capitão pronunciou com pesar.

Grissom se virou sem dizer uma única palavra, a expressão atordoada, ainda com o celular no ouvido, apenas esperando que ele continuasse.

—Perdemos Peter de vista ... e ele prometeu ir atrás de Sara!

Aquilo não estava acontecendo.

Seu mundo caiu.