Notas iniciais
Como este é o único capítulo "fofinho" (se é que ele pode ser chamado assim) resolvi liberá-lo de uma vez como uma forma de acalmar mais os ânimos por aqui. Obrigada meninas pelo carinho nos reviews e pelos favoritos na fic. Vocês são demais! Boa leitura.

Assim que a viu inconsciente naquela cama, toda encolhida, seu peito subindo e descendo em respirações curtas e uniformes, Grissom não se conteve. Sentou-se próximo de sua cabeça, beijando seus cabelos e seu rosto ao mesmo tempo como se precisasse se certificar que ela realmente estava ali. Ele tremia de puro desespero.

Depois apoiou sua testa na cabeça dela e chorou em silêncio, se lembrando do quão perto havia chegado de perdê-la para sempre.

A respiração suave dela derreteu seu coração e ele sorriu de lado. Nunca esteve tão próximo dela como naquele momento, era uma sensação boa e reconfortante, apesar das circunstâncias.

Ele se afastou um pouco, notando que agora uma mecha castanha cobria parte de seu rosto bonito. Ele a tirou, sua mão permaneceu em seus cabelos como se tivesse vida própria, sentindo a maciez na ponta dos dedos. Embalando-a como se assim pudesse livrá-la daquele pesadelo.

Ele tinha tanto a lhe dizer.

Nada justificaria o que fez, a maneira fria como a tratou e vinha tratando ao longo dos anos, mas esperava sinceramente que ela conseguisse perdoá-lo. Talvez assim, ele pudesse ser capaz de se perdoar também.

~♥~

Sara sentiu o conforto de alguém acariciando seus cabelos. Sabia quem era, reconheceria aquele perfume em qualquer lugar.

—Grissom ...

Sua voz falhou, soando tão fraca. Quando ele ouviu seu nome pronunciado mais como um sussurro, seu coração acelerou.

—Você veio ... — Ela deu um pequeno sorriso, queria tanto olhar para ele, mas era como se seus olhos não respondessem a seu comando.

Era claro que ele viria até ela. Não poderia ser de outra maneira.

—Você não imagina o quanto é importante para mim, Sara. — Ele admitiu, sentindo um nó se formar em sua garganta. Algo com ela não estava certo, se lembrou das palavras de Peter. _Você ingeriu alguma coisa ? Ele a drogou ? Querida ... o que há com você ? Abra os olhos para mim ...

—O líquido ... ele me obrigou a tomar ... eu não consegui impedi-lo.

—Ele te machucou ? — Seu sangue ferveu com aquela possibilidade. Ele mataria aquele filho da mãe! _Abra os olhos ... — Ele insistiu com mais urgência em sua voz. _Eu preciso ver seus olhos ...

Ela finalmente obedeceu, havia medo naquelas profundezas castanhas e inconscientemente seu corpo frágil encolheu, ainda mais. Aquela não era a Sara que ele conhecia, diminuída, assustada. Precisava ser paciente com ela.

—Ele machucou você, não é ?

Quando ela assentiu com a cabeça, Grissom desejou estar frente a frente naquele momento com o canalha que havia lhe feito mal. Por mais que doesse nele, precisava saber pelo quê ela havia passado durante todas aquelas horas em seu poder.

—Você está com dor. — Ele afirmou. _Me diz onde dói ...

—Minhas costelas, elas estão me incomodando um pouco.

Ele desceu um pouco mais e se sentou próximo de sua cintura. Seus olhares se encontraram, o dele pedia consentimento.

Sara assentiu timidamente e ele se preparou para o próximo passo.

Com dedos trêmulos, ele subiu a blusa escura com um pouco de dificuldade pela sua posição. Mas não pediria a ela para mudar, entendendo que lhe causaria dores.

Ela parecia tão mais magra e ele se perguntou quando aquilo havia começado. Verdade seja dita, não vinha prestando atenção nela há um bom tempo.

Ele viu que um enorme hematoma havia se formado um pouco acima de seu quadril e se estendia até suas costelas mais proeminentes.

Uma marca retangular estava ali, as bordas uniformemente arredondadas, um sinal no centro que ia de uma extremidade à outra.

Uma fivela de cinto.

Ele tinha certeza que era e se esforçou mais uma vez para se controlar.

Sara mudou de posição, apoiando suas costas totalmente na cama, o que lhe permitiu um maior acesso.

Foi então que ele percebeu que ela tinha hematomas pelo corpo inteiro.

Novas marcas haviam sido deixadas nela, algumas desinformes e outras nítidas, facilmente reconhecidas como impressões de sapato.

Seus olhos se encontraram, ela percebeu suas feições e disse com naturalidade.

—Ele tem ataques de raiva.

—Eu vou ensinar aquele desgraçado! Ele me paga por ter feito isso com você! — Ele rosnou, se arrependendo imediatamente quando viu que havia a assustado. Era um homem ponderado, não era de perder a cabeça.

—Não faça nada, por favor ... por favor, Grissom! Ele é doente ... tem uma arma, e mataria você.

Ele fechou os olhos com a sua súplica.

—Eu vou lhe tirar daqui, Sara. Eu prometo!

Em um impulso, ele beijou cada marca que havia sido deixada em seu corpo, com tanta ternura e intimidade que os olhos dela umedeceram.

Seus olhos se encontraram mais uma vez e foi como se o tempo tivesse congelado.

Intimidada e um pouco sem jeito, Sara desviou o olhar para a mão dele ainda em seu corpo. Apenas uma a tocava desde o primeiro momento. Olhando para a outra, ela entendeu o motivo e se preocupou. Sangue escorria dela, mesmo que muito pouco.

—Sua mão, o que aconteceu ?

—Nada de mais, apenas um corte ... não se preocupe.

Ele abaixou sua blusa e se aproximou mais dela ficando à centímetros de seu rosto. Precisava do seu perdão, nem que para isso tivesse que implorar.

­_Me perdoe por ter agido como agi com você, Sara. No laboratório, em nossa última conversa, eu ... eu ... você não merecia. Eu ... estava frustrado, e não tinha o direito de ... te atacar.

—Confesso que suas palavras, o seu olhar ... você me machucou muito, Grissom. — Ela vira o efeito que sua confissão causara nele, mas precisava dizer a verdade, o que ia em seu coração. _Realmente doeu ... e quando Peter me sequestrou, eu só conseguia pensar que não se importaria, você finalmente ia se ver livre de mim.

—Por Deus, Sara. Nunca mais diga isso! Não tem ideia do meu desespero quando ouvi pneus cantando, quando encontramos seu carro e não havia nenhum sinal de onde você estaria. Não tem ideia de como me senti, sem nenhuma notícia sua, sem saber se estava bem, se estava sofrendo, se estava com dor. — Ele reprimiu um soluço. _Não tem ideia da culpa que eu carrego!

Ela estava chorando agora, doía vê-lo daquele jeito. Sentiu a dor que suas palavras carregavam.

Ela tocou em seu rosto, sentindo os pelos de sua barba roçar seus dedos, e escondeu seu rosto no pescoço dele, murmurando.

—Não quero que se sinta assim, nada disso é culpa sua!

—Eu sei que é, Sara ... eu lhe causei tanta dor!

—Gris, pare!

Seu coração pulou dentro do peito. Era a primeira vez que ela o chamava assim.

Ele lhe abraçou tomando cuidado com seus ferimentos.

—Me prometa que não vai ficar remoendo isso quando sairmos daqui.

Ela se afastou para poder olhar dentro de seus olhos, esperando por sua resposta.

Grissom cobriu a mão dela que ainda estava em seu rosto e a levou até seus lábios, beijando seus dedos com carinho.

—Eu prometo!

—Isso até poderia ser cumprido se ambos conseguissem sair vivos daqui, como não vai ser o caso!

A voz de Peter reverberou no pequeno cômodo.