Notas iniciais
Desculpem a demora, sério mesmo. Ultimamente não tenho como escrever com frequencia, isso que já sou meio lenta até quando tenho tempo de sobra. E essa fic ficou um tempo sem atualização porque eu comecei a escrever outra, acabei me empolgando com aquela e deixei essa um pouco de lado. Mas aí está, por mais que eu demore, não vou deixar de postar, ok?

Em meio à confusão de pessoas que desembarcavam do trem, ouvi minha mãe gritar o apelido que apenas meus pais e amigos mais íntimos me chamavam:

- Cath!

Corri na direção do som e dei um forte abraço em minha mãe. Meu pai apareceu com uma garrafa de água.

- Deve estar com sede, querida.

Abracei-o também e depois começamos a andar em direção ao estacionamento. No caminho para casa, meus pais me perguntaram novidades sobre a nova escola, se eu estava me adaptando e outras coisas mais. Contei para eles tudo que achei que seria bom contar. Falei dos amigos que eu fiz, do baile, do ambiente da escola. Deixei de fora as partes que continham sonhos, visões, e professores me dando advertências por dormir na sala de aula.

Depois de um tempo, eles pararam com as perguntas. O tempo da viagem era preenchido por comentários ocasionais como “É bom te ver de novo, querida. Estávamos com saudades.”, “Você deve estar cansada por causa da viagem.” e “Sua mãe fez seu prato favorito para o jantar”.

Finalmente, chegamos em casa. Era bom estar de volta. Entrei e pendurei meu casaco no gancho perto da porta. Seriam apenas duas semanas, juntando os feriados de fim do ano com uma semana a mais que a escola nos deu para que aqueles que moram longe pudessem matar a saudade de casa. Depois disso, ainda haveria as férias de primavera: mais duas semanas, como a maioria das escolas normais fazia.

Após o jantar, minha mãe fez uma pergunta que acelerou meus batimentos. Eu estava terminando a sobremesa quando ela começou a recolher os pratos e, casualmente, falou:

- Ahn, Catherine? Sobre, você sabe, suas visões... – ela estava se enrolando toda, pensando em como colocar seus pensamentos em uma frase. – Você manteve segredo sobre isso, não é? Como prometeu?

Senti uma imensa sensação de alívio. Ela não pedira nada sobre possíveis visões que tenham me perturbado nos últimos meses.

- Sim, mamãe. Não contei nada a ninguém.

Minha mãe sorriu. Depois de uma pausa, ela mudou de assunto:

- Então, filha, nos conte sobre seus novos amigos.

Falei a ela sobre Lindsay, Aaron e Oliver. Satisfeita, ela parou com as perguntas e apenas sorriu, dizendo:

- Que bom que está se enturmando, Cath!

Depois disso, ela começou a lavar a louça do jantar. Meu pai secou os pratos, dizendo que hoje eu não precisaria fazer a tarefa e mandando que eu fosse descansar. Peguei minha mala que estava no hall de entrada e subi as escadas para o meu quarto.

Coloquei o pijama e pensei em ligar para Susan e perguntar como havia sido com James na casa de seus pais, mas achei melhor não perturbar a privacidade dela. Poderíamos conversar sobre isso quando as aulas recomeçassem. Por fim, não achei nada para fazer e deitei na cama. Caí no sono assim que fechei os olhos.

Nos meus sonhos, duas crianças abraçavam-se sobre uma pilha de entulho, talvez um muro caído. A menor era uma garotinha de mais ou menos sete anos de idade. O garoto era obviamente seu irmão, porque a semelhança entre eles era extremamente visível. Um estrondo forte fez ouvir, quase que sacudindo a terra. O garoto apertou a irmã contra o peito, e então tudo se desfez e outra cena apareceu.

Dessa vez, não havia ninguém no sonho. Nem crianças, nem pessoas correndo e gritando. Luzes intensamente brilhantes enchiam o ambiente e pedaços de terra e pedras choviam sobre a minha cabeça.

Acordei exaltada e ofegante. O sol já invadia meu quarto através das cortinas, e percebi que me esquecera de fechar as venezianas da janela ontem à noite. Sabendo que não conseguiria mais dormir, levantei-me, vesti-me e desci as escadas até a cozinha. Meus pais estavam tomando café e se surpreenderam ao ver-me de pé àquele horário.

- Catherine! – exclamou meu pai. – Já está acordada assim tão cedo?

- O sol me acordou. – respondi. – Esqueci de fechar a janela ontem à noite. Mas já descansei o suficiente.

- Dormiu bem, querida? – perguntou minha mãe.

- Sim. – falei, sem mencionar nada sobre o pesadelo que tivera. Não queria preocupar meus pais, além do mais, eles não poderiam fazer nada a respeito disso.

Sentei-me à mesa e tomei café com eles. Pensei em ir visitar meus poucos amigos da última escola depois disso, mas lembrei que depois de terem descoberto a verdade sobre mim, eles provavelmente me evitariam ou me tratariam como uma aberração. Então, decidi dar uma volta pelo parque sozinha.

Enquanto caminhava, chutando montes de neve pelo caminho, minha mente estava frenética, pensando sobre todos os sonhos que eu andava tendo ultimamente. Eu via claramente que eram cenas destrutivas, mas não conseguia visualizar onde e como esse caos poderia acontecer. No meio do turbilhão de pensamentos em que eu estava, uma única coisa se sobressaía, como uma voz sussurrante no fundo da minha consciência – um desejo: que eu parasse de enxergar tudo aquilo.

Mas, por mais que eu alimentasse esperanças, nada foi como eu esperava: as terríveis visões continuaram a me perseguir, ocasionalmente, durante os dois meses seguintes, até o início da primavera.

Notas finais
Bem, o capítulo ficou meio pequeno, mas é que eu não tinha muita coisa interessante planejada pra esse. O próximo vai ter, ok?