Notas iniciais
Eu escrevi esse para uma amiga minha, durante uma das várias crises de ansiedade dela. Tentei colocar o sentimento de paz que ela procurava e também explorar um lado que ela parecia receosa até mesmo de considerar
Aceito criticas e sugestões.

Estava sentada na varanda olhando a tempestade como quem observa uma joia das mais raras. A cadeira de palha trançada confortavelmente forrada por uma longa almofada púrpura, a xícara de café pousada sobre a pequena mesinha de três pernas ao lado do livro recém terminado.

— Sabia que ‘tava aqui — A voz se fez presente a tirando do estado de torpor que a tinha dominado

Ela olhou para a ruiva apoiada no batente com surpresa e admiração

— Você demorou hoje — disse, meio rouca por ter ficado muito tempo sem falar

— Não achei que estivesse aqui com esse tempo — A ruiva respondeu gentil se aproximando

Ela voltou a olhar a tempestade enquanto a ruiva se esgueirava para sentar junto dela. Por um momento as duas ficaram em silêncio apenas aproveitando a companhia calma.

— Como foi seu dia? — perguntou

— Não tão bom quanto se ‘tivesse contigo — A ruiva respondeu voltando os olhos castanhos apaixonados para ela

— Você me mima demais — Ela respondeu desviando o olhar para o temporal, querendo esconder quão rubro estava seu rosto

— Adoro quando tu fica vermelhinha assim — A ruiva disse a puxando para mais perto num abraço apertado

Por mais alguns minutos as duas continuaram lá. A ruiva de olhos fechados aproveitando o cheiro de café e o perfume da parceira. Ela sorvendo da nostalgia de um livro recém-terminado enquanto olhava a chuva.

— O que tu vai querer pra jantar? — A ruiva perguntou sem abrir os olhos

— Tem uma pizza no forno — respondeu tranquila — É só ligar

— Tu fez pizza? — A ruiva perguntou abrindo os castanhos cheios de energia, como uma criança que ganhou doce

— É uma criança mesmo — riu puxando a ruiva pelo braço para irem até a cozinha