Notas iniciais
A cena se passa no cerco que os Lannister e Frey fazem a Correrrio. Bom, não sei se vocês shipam esses dois, mas espero que gostem do capítulo!

Mesmo dentro da tenda, das cobertas e de seu camisão, o frio da noite era de congelar os ossos. Tinha vinte e nove anos e uma estatura comum. Seus olhos azuis contrastavam com os cabelos e barba vermelha, que formavam uma máscara em torno de seu rosto retangular. Estivera amarrado a um poste no lado de fora durante o dia inteiro, com dois vigias barbudos com o dobro do seu tamanho a vigiá-lo. Tratam-me como se fosse uma fera, refletiu. Mas agora as coisas estavam diferentes. Sor Jaime Lannister, ou melhor, Lorde Jaime Lannister viera de Porto Real para pôr ordem àquele maldito cerco a Correrrio, e divinamente resolvera os problemas do cativeiro. Edmure Tully poderia ser um traidor, um prisioneiro de guerra e um inimigo do rei, mas isso não tirava sua nobreza. Agora fora colocado em uma cabana simples, mas estranhamente confortável. Havia uma fogueira do centro que subia a um metro de altura, e dela partia um fio de fumaça até a abertura no teto. O chão fora atapetado com panos grosseiros para afastar o frio, e as paredes de tecido eram sustentadas por altas estacas de madeira. Os guardas barbudos ainda o vigiavam: o desgrenhado gordo e o alto e forte, mas agora permaneciam do lado de fora. Edmure nunca estivera preso em uma cela de torre, mas imaginou que deveriam ser algo semelhante a esta tenda.

O vento batia violentamente contra a porta vedada por um pano qualquer, e os assovios que ele produzia faziam a noite parecer cheia de fantasmas. Um som de passos trôpegos se espalhou pelo acampamento, e um gemido s fez ouvir do lado de fora da tenda. Edmure se sentou na cama, preparand0-se para qualquer imprevisto.

– Lorde Jaime, eu... – a voz era de um dos guardas. O desgrenhado, sim, era este.

– Estava dormindo, né, se merda. – Jaime Lannister estava falando, mas soava estranhamente plebeu – Está bem, volte a dormir. Ninguém sairá de Correrrio para nos atacar! – e soltou uma risada estranha.

As cortinas que faziam a vez de porta na cabana de Edmure se mexeram e o homem entrou. Vestia um camisão de algodão pesado idêntico ao do Tully. Por mais belas que fossem as vestes dos nobres, as noites frias os reduziam a esta única peça. Seus pés descalços pareciam azuis de tão pálidos, mas seu rosto estava incrivelmente corado. Os curtos cabelos louros de Lannister ainda não passavam da metade da testa, deixando em evidência aqueles belos olhos verdes salpicados de dourado. Uma finíssima barba cobria-lhe metade do rosto, refletindo em alguns pontos o brilho da fogueira. Tropeçou e caiu no chão, levantando-se logo depois, apoiando o coto no braço direito no chão. Só quando ele se sentou no chão é que Edmure percebeu que ele carregava um odre de couro na mão esquerda. O leão passou o antebraço mutilado no rosto e começou a falar.

– Lorde Edmure Tully, o senhor de Correrrio! – e soltou uma risada amarga e ao mesmo tempo ébria – Quer um gole¿

A noite estava fria e estava difícil de dormir. Um bom vinho seria bom naquele momento.

– Aceito, Lorde Jaime. – estendeu a mão e pegou o odre – Mas não zombe de mim como senhor de Correrrio. – ele levou o recipiente à boca e sentiu o doce sabor do vinho descendo pela sua garganta. Não era nenhum dourado da Árvore, nem sequer um refinado dornês. Não, era uma bebida grosseira de guerra, mas mesmo assim foi agradável e quente.

– Não quer que eu zombe de você. Certo, Edmure prisioneiro. Melhor assim¿

– O que faz aqui na minha tenda¿ — ele não estava com paciência para insultos no meio da madrugada.

– Bebo, a princípio. – fungou – Mas vim até aqui porque estou mal. Preciso dizer meus problemas a alguém, Edmure, e tem que ser você.

– E por que eu¿ — ele perguntou e tomou mais um gole de vinho, devolvendo para o homem do Rochedo. Já sentia sua mente girar.

– Olhe em volta. Os homens Frey estão em todo lado, esses malditos e linguarudos Frey. Meu tio é um imbecil, e minha tia, bem. Não quero assustá-la. Mas você é meu refém, e não teria a mínima vontade de espalhar meus segredos.

– Não me importo com seus segredos, Regicida.

– Foi o que imaginei. – riu mais uma vez – Então vou lhe dizer, Cersei está me traindo. Eu a amava, maldição, mas se comporta como uma cadela no cio! Enquanto eu penava na prisão imunda do seu rei do Norte, ela distribuía a boceta entre os homens de Porto Real.

A princípio não fez muito sentido, mas logo a carta de Stannis lhe veio à memória.

– Então é verdadeira a história do incesto.

– Do incesto¿ Ah sim. Aegon, o Conquistador praticou incesto. Seus filhos e netos, seus malditos descendentes por trezentos anos também. Mas só importa o que eu fiz com minha irmã. Se quer saber, sim, tenho comido Cersei desde que tínhamos nove anos.

– E não aceita que ela se deite com outros homens, mesmo tendo feito com o próprio irmão.

– Você é esperto, Edmure, mas eu nunca me deitei com outra mulher.

Aquilo o pegou de surpresa. Não era comum que um homem tivesse relações com uma única mulher durante a vida, ele mesmo já tivera uma centena de amantes. E justamente Jaime Lannister, o homem mais belo dos Sete Reinos, ter olhos exclusivamente para a irmã¿ Era, no mínimo, curioso.

– E o que quer que eu faça, Jaime¿

– Não quero nada, porra. – entregou a garrafa novamente – Só quero que ouça meus problemas. Se Tyrion estivesse aqui, eu conversaria com ele, mas meu irmão deformado agora me odeia. Foi ele quem entregou Cersei, sabia disso¿

– E também matou seu pai e seu sobrinho. – sentiu-se repentinamente culpado neste momento. Jaime estava triste e perdera ambos os irmãos, não era nem um pouco humano cavar as feridas dele.

– Meu filho, você quis dizer. Ou minha porra, tanto faz. Nunca considerei aquela peste como minha criação. Às vezes penso que era a mesma visão que meu pai tinha de mim, uma mera extensão de si mesmo. Queria que eu crescesse como um grande político e me tornasse senhor do Rochedo, mas eu preferi os juramentos do manto branco. Nunca me perdoou por isso.

– Eu também não era um grande orgulho para meu pai. – pegou-se dizendo. Não pretendia se abrir para aquele homem, mas o momento e o vinho chamavam-no – A fama que seu irmão tem com as putas de Lannisporto é a que eu tenho nas Terras Fluviais.

Jaime Lannister ficou em silêncio por alguns instantes. Virou o odre para o chão, revelando que estava vazio. Olhava fixo para baixo, perdido em seus problemas e na nuvem ébria em que certamente sua cabeça se transformava. Levantou-se do chão, e com desequilíbrio, conseguiu se sentar na cama ao lado de Edmure. O olhar que ele lhe dirigiu foi calmo, quase meigo. Ninguém nos Sete Reinos esperaria receber um olhar assim do Regicida, o melhor cavaleiro de Westeros e o Senhor Comandante da Guarda Real. Mas estava lá, fitando-o como uma criança abandonada.

– Não queria dizer isso, Edmure, mas eu preciso de um abraço.

Seus braços se entrelaçaram ao corpo de Jaime sem que ele percebesse. Em menos de um segundo, já estavam unidos, aquecendo um ao outro com o calor de seus corpos. A dor nas articulações finalmente passou, e sua mente enevoada pareceu repousar sobre o ombro do leão. Sentiu carícias na nuca, dedos fortes enrolando seus cabelos vermelhos e deslizando pelo pescoço. Era absurdo, completamente absurdo, mas ele não quis sair dali, e antes que percebesse, também acariciava a cabeça de Jaime.

A mão única empurrou o pescoço do ruivo para trás, fazendo os olhos se encontrarem novamente, azul e verde. Um calor repentino tomou o corpo de Edmure, algo totalmente inesperado e inadequado, mas ele não conseguia evitar. Não queria evitar. Fechou os olhos e se aproximou lentamente, como que disposto a recuar. Seus lábios se tocaram suavemente, depois mais forte e então as línguas se cruzaram. Deliciou-se com o sabor do vinho, brincou com as bochechas e o céu da boca. A barba rasa lhe fazia cócegas, e seus lábios eram incrivelmente habilidosos. As carícias na nuca ficaram mais intensas e o calor fez seu peito suar. Seu coração batia tão forte que quase lhe saía pela boca, e cada centímetro de seu corpo pedia mais.

Edmure beijara a primeira garota aos doze anos, e desde então vinha praticando com outras centenas. Jaime Lannister beijava melhor que todas elas. De súbito seu membro se levantou. Há quanto tempo não dormia com uma mulher¿ Cinqüenta, talvez sessenta dias. Já fazia uma semana desde a última vez que se masturbara, e agora sua masculinidade ardia de tesão. Sentiu algo cutucando-lhe a perna esquerda. Ambos estavam duros, então. Jaime mais uma vez empurrou seu pescoço e o fitou com um olhar. A expressão abatida havia sumido, e em seu lugar estava um rosto ébrio e lascivo. Era como se lhe perguntasse: o que faremos, Edmure¿ Será que isso é certo¿

Claro que não. Nada de bom na vida era certo. A mão e o toco desviaram para os ombros e empurraram o ruivo para a cama, Estava deitado agora, coração em chamas e lábios sedentos por beijos. Seu pênis latejava debaixo do camisão, e a umidade já transpassara o tecido. O de Jaime também gritava por sexo, e se revelou duro como rocha quando ele levantou sua veste até a cintura. Ed puxou a sua para cima e dobrou os joelhos, ficando de pernas abertas, como já vira infinitas mulheres fazerem. Aquilo não lhe parecia apropriado, era estranho e ignóbil, mas quem eram seus valores para refrear o desejo¿ O homem dourado de curvou e voltou a beijá-lo, acariciando por baixo da roupa o seu peitoral e brincando com um mamilo. O outro também introduziu as mãos ao camisão, apalpando com um desejo irrefreável o corpo definido de Jaime. Sentiu algo úmido quente tocar seu glúteo e se afastar, e mais uma vez, e ainda mais uma. Quando ele encontrou o caminho, Ed gritou.

O Lannister foi gentil, apesar do intenso calor em que estavam envolvidos. Seu rosto brilhava com o suor, refletindo a luz dourada da fogueira. Introduziu somente a glande e tirou, causando em Ed um arrepio intenso e um tremor de prazer. Depois foi mais fundo, seu rosto se contraindo com o deleite. A dor inicial logo passou, e os movimentos de penetração ficaram mais fluídos e intensos. Suas coxas batiam nas dele, e seu membro lubrificado deslizava contra a barriga dele. Quando os lábios se tocavam, o prazer inundava o corpo por completo. Sentir o membro de Jaime surgir e sumir dentro de si dava uma sensação inegavelmente maravilhosa. Ele arfava de prazer e gemia baixinho, apoiando-se no quadril e Ed para fazer cada vez mais força. Os movimentos ficaram mais frenéticos e o calor, mais intenso. As partes se encontravam com mais foca agora, enquanto Jaime não parava de gemer. Um rugido grave como de um leão saiu d sua boca quando parou de penetrá-lo. De repente, o líquido morno se fez sentir dentro do seu corpo, fazendo-o se sentir completamente envolvido com o outro. Ele saiu de dentro do ruivo ofegante, e seu camisão caiu por sobre o membro que gotejava. Debruçou-se sobre Edmure e voltou a beijá-lo, mas desta vez estava bem mais sereno que o parceiro. Ed ainda não gozara.

Sabe usar a boca, Jaime¿– sussurrou ao seu ouvido.

Não ouviu resposta. O leão admirou o membro dele, duro como uma estaca e brilhante com a excitação. Segurou-o pela base com uma habilidade ínfima, afinal só sabia punhetar o próprio pênis. Desceu até ele e o colocou na boca. Era quente e úmida, melhor que qualquer vagina. Ed sentiu uma língua habilidosa percorrer sua glande enquanto Jaime o olhava nos olhos, o que fez o prazer disparar. Contrações percorriam seu corpo a cada segundo, e ele agarrou os lençóis da cama quando não pôde mais suportar. O jato veio com toda a força do mundo, liberando toda a ansiedade de seu corpo. Seu membro se contraiu mais três vezes, oferecendo uma generosa dose de sêmen a Jaime. O orgasmo passou e o pau se arrefeceu, mas um beijo ainda era bem vindo.

O sabor era salgado, como as mulheres costumavam descrever quando Ed perguntava, mas não era desagradável. O material viscoso se foi enquanto se beijavam, mas ainda ficaram entregues um ao outro durante um bom tempo, até que o vinho e os orgasmos vieram cobrar seu preço, e os dois dormiram aninhados na cama.