Contos dos Caçadores de Sombras - O Ciclo
4 O Desaparecimento de Stephen
Notas iniciais
Estas Alegrias Violentas
Estas alegrias violentas, têm fins violentos
Falecendo no triunfo, como fogo e pólvora
Que num beijo se consomem.
William Shakespeare — Romeu e Julieta, Ato II, Cena VI
Idris, 2008
Jace baixou os olhos, mas Tessa já esperava por isso.
– Ele a amava! Eu sei porque li as cartas. Cartas que estavam com Amatis! Eu cresci escutando Valentim dizer que Amar é destruir, e ser amado é ser destruído, mas me parece que essa destruição somente ele causava.
Tessa concordou silenciosamente. Ele estava certo. Valentim havia feito muita gente sofrer só para ter a manipulação em suas mãos.
***
O tempo passou e chegou a data do casamento de Stephen e Cèline. Dias antes da cerimônia, Amatis passou por um ritual de retirada da marca união conjugal, na qual gritou sem parar, sentindo muitas dores.
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O casamento foi rápido, somente para o Ciclo, todos pareciam horrorizados quando viram Stephen se casando de novo, e com uma garota um pouco desconhecida. A cerimônia foi no jardim do Solar Herondale, a festa se seguiu. Jocelyn estava com Jonathan em seus braços e Valentim ao lado, juntamente com Maryse e Robert, que segurava a mão de Alec, enquanto este esperava o pai vacilar para sair correndo e brincar com Aline Penhallow e Sebastian Verlac.
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Após dois meses, Cèline descobriu que estava grávida. O que antecipou um pouco a batalha contra as Crianças Noturnas. Já que Stephen era o segundo no comando, deveria ir à batalha. Valentim concordou em adiá-la enquanto Hodge estudava mais sobre o assunto.
Quando Cèline já estava bem e Stephen pronto pra ir à batalha, mas não sem antes passar na casa de seus pais Marcus e Imogen Herondale.
–O que faz aqui?- perguntou seu pai em um tom meio grosso.
–Vim pedir a benção de vocês, estarei encarando mais uma batalha.
–Você vai acabar morrendo se continuar nesta loucura desse Ciclo, meu filho — falou Imogen com a voz triste — já está se acabando, perdeu a mulher que amava para agradar um louco.
–Mãe, eu sei o que eu estou fazendo. Estou indo — disse beijando os pais rapidamente e cavalgando Wayfarer.
– Que o Anjo o acompanhe, meu filho — disse Marcus.
Stephen estava indo para os lados da planície se encontrar com os demais, quando desviou o caminho e parou em frente uma casa familiar a ele. Subindo os degraus, bateu na porta com a esperança da mesma ser aberta pela pessoa desejada. E Quando isso aconteceu, ele não conteve um largo sorriso e uma expressão de alívio.
–Stephen, o que faz aqui?
–Amatis... — ele falou como se ela fosse a própria imagem do Anjo, uma alegria imensurável surgiu em seu peito, só em vê-la. Queria abraçá-la, beijá-la... Mas não podia fazê-lo. — Eu queria deixar isso em suas mãos — falou entregando uma caixa prateada.
–Por quê?
–Porque você é a única pessoa em que eu confio e amarei em toda Idris, Amy. — Amatis se sentiu ruborizar, mas não tanto quando ele se aproximou e a beijou, um beijo leve, suave e muito apaixonado.
– Por que você fez isso? Não podemos... – perguntou ela, logo depois que se afastaram.
– Porque você sempre vai ser a mulher da minha vida e que sempre vou amar. E acima de tudo eu sou um Herondale, sempre faço o que quero.
Subindo no cavalo, ele cavalgou. Pensou em tudo que havia feito e passado nesse período. Ele disse a Amatis que aquela caixa era para ser entregue a seu filho quando fosse o momento certo. Após meia hora, chegau até os amigos.
–Me impressiono com sua pontualidade, Herondale — disse Michael com a voz carregada de sarcasmo.
–Eu acho que não só isso, mas também minha beleza. — falou, sempre tendo respostas pra tudo.
–Tudo bem, o plano é o seguinte: vamos nos separar e atacar pelas bordas até chegarmos ao centro e encurralar todos os vampiros — Disse Valentim erguendo a voz para que todos escutassem.
E assim todos foram, já marcados e preparados para mais uma batalha.
– Às vezes fico pensando por que não ser um vampiro, perder toda essa beleza pra velhice em vez de manter... E além do mais, se tínhamos um amigo que perdemos para os Filhos da lua, por que não para as Crianças Noturnas? — Falou Stephen para ninguém em particular, enquanto caminhavam. Todos pareciam ignorá-lo.
– Você fala como se não fosse sério — disse Valentim se pronunciando pela primeira vez. — O que você faria se Lucian aparecesse na porta da sua casa pedindo ajuda? — Michael, Robert e Patrick se entreolharam como se desconfiassem de alguma coisa.
– Eu não sei o que faria, mas com certeza eu diria: desculpe-me, Lucian, mas eu só ouço latidos. — Com essa resposta Valentim mudou, mesmo que por um mísero segundo, a expressão. Hodge captou àquela feição.
Chegando ao local, Robert não perdeu tempo. Foi logo atirando uma flecha, e como se jogando ao acaso, acertou em cheio o peito de um vampiro que não teve tempo nem de se retorcer. Valentim vendo a precisão do amigo não conteve um sorriso de alegria, que Robert retribuiu acertando uma flecha em outro vampiro, desta vez atravessando o pescoço. A batalha se estendeu quase a noite inteira, Valentim e Hodge lutavam lado a lado, Patrick fazia dupla com Stephen que parecia sério agora que estava lutando, e um dos únicos parabatai que ainda restavam — Robert e Michael — faziam uma chuva de sangue ao redor deles. Hodge estava concentrado, brandindo sua espada com total destreza, quando de repente um vampiro aparece em sua frente derrubando a sua lâmina, mas esse não pareceu se abalar. Enquanto o vampiro corre para dar um golpe fatal, Hodge se afasta para o lado com incrível velocidade levantando o pé, levando o rival ao chão, enquanto tirava do cinto de armas um frasco com líquido transparente.
– Agora, Hodge! — gritou Valentim, embainhando sua espada, estava todo sujo de sangue, inclusive o seu cabelo loiro esbranquiçado com manchas escarlates por conta do sangue inimigo.
E no momento em que Hodge derramou o líquido em cima do vampiro, esse começou a se debater e gritar de dor. Todos pararam para ver ele se contorcendo no chão, enquanto sua pele se desgrudava do corpo. Todos os vampiros e nephilim ficaram estáticos, só não Stephen que aproveitou o momento para apunhalar dois vampiros de uma vez, um com uma estaca de madeira e o outro com um galho de árvore. Quando os vampiros viram seu líder morto, saíram todos correndo em velocidade sobre humana. Valentim estava se juntando aos amigos, mas não viu um deles, apenas uma adaga perdida no chão e nela as letras S.W.H.
Stephen William Herondale.
– Stephen... – e desabou.
***
– Bem, talvez nós tenhamos esse poder de lidar dramaticamente com vampiros, e também saídas triunfais.
– Não se esqueça do sarcasmo. – disse Clary, fazendo uma careta. Sabia quando Jace escondia o que estava sentindo.
Tessa não pode deixar de pensar em um Will, encharcado de água benta, sendo irônico com todos. O mesmo Will que amava não só saídas, mas entradas triunfais. Pelo visto, era um charme próprio dos Herondale. E rindo, olhou para o relógio pendurado na parede oposta onde estavam sentados, na biblioteca do Instituto. Meu Deus, havia se esquecido que tinha um compromisso.
– Bem, crianças, preciso ir. – e piscou para Clary.
– 19 anos e nos chama de crianças, pelo Anjo, Tessa Gray, Herondale... Carstairs... Ah, cansei de tentar entender! – Jace gargalhou, junto com as duas garotas. Tessa já estava atravessando a porta, quando Jace, com uma careta, lembrou-se de algo.
– Você acha que seria muita petulância perguntar o que ela e o namorado fizeram com o Church? – sussurrou ao ouvido de Clary.
– Acho que provavelmente. – respondeu a garota, e os dois se beijaram rapidamente. Ela continuou: — Jace... Toda essa história com seu pai, deve ser...
Jace não saberia o que a história de Stephen “deveria ser”, calou Clary com um beijo demorado, ardente e apaixonado.
– Não importa o que é, desde que você esteja comigo e me ajude a superar, lado a lado.
A garota concordou com um aceno de cabeça, sorrindo.
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