Notas iniciais
Penúltimo capítulo, espero que gostem. *chorando rios de lágrimas* FAVORITEM, DEEM REVIEW, RECOMENDEM E TUDO ISSO, POR FAVOR

Não Há Ascensão Que Não Doa

"Não há ascensão que não doa. Toda metamorfose faz doer. Não penetro nesta música, se primeiro não sofri com ela. Porque ela não deve passar do próprio fruto do meu sofrimento."

– Antoine de Saint-Exupéry

Todos estavam reunidos no jardim do Instituto de Nova York. Emma Carstairs e Jules Blackthorn haviam decidido que uma visitinha a Big Apple* não seria uma má ideia.

Izzy e Clary acharam uma boa ideia fazer um piquenique para comemorar a visita dos amigos. Chamaram Magnus, Alec – que estavam curtindo alguns momentos antes do casamento -, Jocelyn, Luke, Maryse e Maia. Jace e Simon já estavam voltando do Taki’s com as comidas, mesmo que Isabelle tivesse se oferecido para cozinhar. Às vezes Alec se perguntava se Izzy um dia desistiria de bancar a chefe de cozinha, já que todos sabiam que como cozinheira, ela era uma ótima Caçadora de Sombras.

Quando os garotos finalmente chegaram, todos fizeram um círculo na grama com uma toalha quadriculada vermelha no centro. Passaram toda a tarde bebendo, comendo e contando as novidades. Clary contou da colônia de demônios vermithrall que ela e Simon tinham destruído ontem mesmo. O rosto de Jace se iluminava de orgulho e Jocelyn exclamava coisas como “Como ela corre um perigo desses e não me conta nada?”

A noite chegou rápido. Magnus conjurou uma fogueira e sacos de marshmallows.

– Bem que poderíamos contar histórias de terror agora. – disse Simon sorrindo.

– E Simon é um ótimo exemplo de “você deixa de ser o mundano, mas o mundano não deixa de ser você”. – disse Jace, rindo mais ainda.

– Nós somos as histórias de terror, Simon. – comentou Luke, aproveitando o clima.

Então Emma teve uma ideia.

– Jocelyn, Luke, Maryse... Sei que deve ser desconfortável, mas – parou escolhendo as palavras – mas vocês podem nos contar como de fato foi a Ascensão?

Maryse perdeu a cor e Jocelyn olhou para Luke, que retribuiu o olhar. Jace e Clary enrijeceram ao lado de Emma.

– Emma, não acho que seja uma... – começou Jules, mas foi interrompido por Jocelyn, que falou:

– Não, Julian... Nós não nos importamos... – e olhando para Luke, depois para Maryse, concluiu: — O fantasma de Valentim já nos atormentou demais. Bom, eu posso começar a contar!

Emma sorriu satisfeita e começou a prestar atenção.

***

Vozes eram audíveis no corredor.

Jocelyn estava saindo do quarto de Jonathan, onde o deixou dormindo, e caminhou até ver de onde vinham essas vozes. Parou em frente ao escritório da casa, a porta estava entre aberta, onde ficou espiando. E duas pessoas conversavam, ela identificou a de Valentim e a outra era menos familiar, mas percebeu logo em seguida quem era o dono dela, Hodge Starkwather.
– Precisamos antecipar este ataque, Hodge — Valentim falava com um certo desespero em sua voz. — Já perdemos membros o suficiente, não podemos perder mais.

Hodge apenas assentia.

– O que eu faço com essa adaga? — continou falando tentando puxar assunto.

– Dê um fim a ela, sei lá, entregue a Cèline como recordação, alguma coisa.

– Não vamos perder tempo com o ataque à Clave, e quanto a adaga vou ver o que posso fazer. Cèline anda abatida demais depois do desaparecimento de Stephen. Nem sequer toma mais as misturas que você dava a ela.

Jocelyn ouviu toda a conversa e saiu em direção ao quarto, então Valentim anda dando misturas a Cèline? Se for as mesmas que ele me dava...

Valentim chegou logo depois, tirando Jocelyn de seu pensamento. Entrou no banheiro e levantou a manga da camisa para ver o que sobrou de sua runa parabatai.


–Sente falta dele? — era Jocelyn na porta, em poucas oportunidades se via Valentim esboçar alguma reação, mas ela captou uma em seu susto. Valentim logo abaixou a manga da camisa.
– Um pouco. Seria muito útil na Ascensão. — disse somente isso.
– Ele foi seu parabatai, Valentim. E você apenas diz que ele seria útil na Ascensão? Como pode falar desse jeito? — Jocelyn pareceu indignada.
– Fique fora deste assunto, Jocy. — Valentim deu apenas um sorriso para sua esposa, coisa que não fazia com muita frequência.
– De quem é essa adaga? – perguntou ela, mudando de assunto.
– Stephen. Vou devolve-la à esposa como recordação.
– Você quer dizer Ama...
– Cèline, Jocelyn. Cèline.
– Então deixa que eu entrego, nunca mais saí de casa, desde o nascimento de Jonathan, e preciso conhecer a nova esposa de Stephen, falam muito bem dela.
– Tudo bem, você realmente precisa sair. — Valentim entregou a adaga a Jocelyn, que pegou e se sentiu maravilhada com sua marca de Persuasão, por ter funcionado com o marido.


Saiu de casa e viu que a carruagem esperava do lado de fora do Solar Fairchild, apesar de estar na casa dos pais a carruagem era dos Morgenstern, era alta e bonita com uma estrela desenhada na porta, e o conforto era imenso. O cocheiro saiu em direção à praça do Anjo como ordenado, chegando lá Jocelyn saltou da carruagem e foi em direção a casa onde Stephen esteve por último, subiu os degraus e quanto estava prestes a bater na porta, a mesma é aberta.


–Pelo Anjo, que susto! — exclamou Amatis.
–Desculpe, Amatis, eu só queria deixar uma coisa com você. — depois que Jocelyn falou, uma pessoa surgiu detrás de Amatis, era Lucian.


•••


Valentim estava sozinho em casa, Hodge já havia saído, e agora ele se encontrava na sala de estar, pensando, enquanto girava seu anel Morgenstern.
Se é guerra que você quer, é guerra que terás.


As palavras não saíram mais da memória. Será que Lucian terá coragem de lutar contra mim? Eu, que ensinei quase tudo a ele, toda as técnicas, por que ele faria isso? Logo comigo.

Valentim imaginou que apenas pensava, mas não, falou um pouco alto, fazendo Granville II ouvir quase tudo.


– Do que se queixa tanto, Valentim? — disse o velho entrando na sala de estar.


– De nada, sr. Granville, só estou pensando na vida. — Valentim ainda conseguia ser humano perto dos sogros, Granville e Adele Fairchild. Sempre gostaram de Valentim, quando viu a proteção que tinha pela sua filha, desde a Academia dos Caçadores de Sombras. Agora com o Solar Morgenstern fechado por algum motivo que Valentim não quis explicar, estavam passando um tempo no Solar Fairchild.

•••


– Daqui a alguns dias será o ataque à Clave. — Robert soava sombrio.
– Verdade, às vezes me pergunto se Stephen teria coragem de lutar contra o próprio pai... — Michael soava pensativo.
– Não só Stephen. Mas será que nós teremos coragem de lutar contra o nosso próprio povo? Uma coisa são os vampiros e lobisomens, outra coisa são os próprios Nephilim.
– Não se preocupe será como uma reunião, onde tomaremos o lugar da Clave e colocamos o Ciclo. Quando perceberem já é tarde demais. Tiraremos o Cálice, e assim poderemos fazer mais caçadores de sombras.

•••


– Jocelyn, o que faz aqui? — Lucian soava calmo como sempre.
– Eu vim entregar esta adaga a você, Amatis — Jocelyn estendeu a adaga e Amatis logo reconheceu, pertencera ao seu ex-marido.
– Acho que deveria ser entregue a atual esposa de Stephen... – disse Amatis, mas pensando melhor, acrescentou: — Mas obrigada, já sei o lugar perfeito para guardar. – e se dirigiu ao quarto.


Lucian e Jocelyn se olharam por um bom tempo, ela pôde perceber que as Marcas estavam diluindo com o tempo, ainda era possível ver a Clarividência na mão direita.


– Lucian, preciso falar com você, é urgente.

•••


Granville II tinha deixado Valentim sozinho na sala de estar com Patrick Pelhallow, mas não completamente sozinho. Era um caçador de sombras experiente, e depois do que Valentim deixou escapar, resolveu dar uma espiada no genro. Ficou ouvindo Valentim conversando sobre o ataque à Clave e como tudo seria. Ficou admirado, nunca imaginou que seu genro, que tanto estimava, estaria planejando uma loucura dessas. O castigo seria a retirada das Marcas, viver como Renegado e acabar morrendo.


– E se não der certo, Valentim? – ouviu Patrick falar, parecia desesperado.
– Não se preocupe, Patrick, somos o Ciclo, nunca falhamos.
– Já perdemos muitos, não podemos perder mais, ima...
– A limpeza que deveria ser feita, aconteceu, agora só resta os melhores. – interrompeu Valentim — Avise aos demais: dentro de dias roubaremos o Cálice, e o poder dos Nephilim aumentará.


Ouvindo isso, Granville se retirou com a mão na boca. Não conseguia entender, como poderiam? Os melhores Caçadores de Sombras se reunindo para roubar um instrumento sagrado. Estava saindo às pressas quando uma mão lhe conteve.


– Para onde vai, Granville?
– Tenho que contar isso ao Inquisidor Herondale.
– Isso o quê?
– Depois eu lhe conto, Adele. – ele havia se esquecido que só ele escutara aquilo. Estava arrasado, não conseguia explicar o que acontecia.

Notas finais
Big Apple, pra quem não sabe, é um dos muitos apelidos de Nova York. Pois parece que a cidade tem o formato de uma maçã. Gente, só esclarecendo: quando tiver 3 estrelinhas/austerísticos (***), quer dizer que eu tô cortando a história pra 2008/2009. E quando tiver três bolinhas (•), quer dizer que eu tô cortando a história pro mesmo tempo, só que em lugares diferentes. Tipo quando eu cortei a Jocelyn na casa de Amatis e fui pra Valentim pensando no Solar Fairchild, eles estavam no mesmo tempo (1992) que a cena seguinte, porém, na outra era Jocy e Am. Enfim, deu pra entender, né? Ok, ok.