Contos de um velho caderno
11 Por entre a neblina eu vi uma luz
Notas iniciais
Correndo, o mundo parecia se despedaçar a minha volta. As cores pareciam apagadas, os sons, distantes. Os tiros compassavam com as minhas botas na calçada.
Fumaça preta misturava-se com a densa neblina. Cada minuto corria duas vezes mais rápido. Não havia tempo para parar ou sequer pensar em que direção seguir.
Eu ia para frente.
Tinha a sensação de que em frente era sempre o melhor caminho. Mesmo em tempos difíceis. Mesmo em meio ao caos. Mesmo em meio à guerra.
No peito, meu coração palpitava devido ao esforço, à corrida. Talvez o medo também fosse motivo, mas eu preferia não pensar nisso naquele instante.
Sob meus pés, fragmentos de armas e estilhaços de vidro. Sobre minha cabeça, a nuvem de neblina contorcia-se em sua densa imensidão. Ao meu lado, a esperança corria louca e destemida, puxando-me pela mão e mantendo minhas pernas em movimento. Lá, adiante, eu vi uma luz em meio à neblina, que me dizia silenciosamente “Venha até mim, deste lado é seguro”. Naquele momento, tudo o que eu soube é que eu precisava alcançá-la.
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