Contos de terror e angustia
15 Cães
Notas iniciais
"Cão, o melhor amigo do homem"
Brincadeira de criança
Estávamos nos mudando, agora o carro acabava de estacionar na frente da casa nova, sai do carro e olhei atentamente o meu mais novo lar, a casa era grande havia uma bela varanda na entrada as janelas eram longas e um pouco mais afastado ao fundo podia ver que havia um pequeno barracão.
— O que achou? — Meu pai me abraçou pelos ombros.
— Grande. — Disse sem ânimo. — Mas um grande legal.
— Que bom. — Ele sorriu. — guarda as bolsas lá dentro e volte para ajudar.
Arrastando os pés eu fui, abri a porta e dei de cara com um monte de caixas, larguei as bolsas de qualquer jeito na entrada, escutei a voz da minha mãe vindo de um dos cômodos, me guiei pelo som e encontrei no fundo da casa gritando com os carregadores.
— Ei cuidado. — Ela berrava. — Isso é de vidro.
O carregador somente concordava com a cabeça e colocava as caixas aonde ela pedia e utilizando o máximo de cuidado que se poderia ter.
— Mãe deixa o cara trabalhar.
— Olá querida, eu tenho que ver. — Disse séria. — Se eles quebram não vão reembolsar nada.
Somente neguei com a cabeça, passei pelos carregadores, fui em direção ao barracão abri a porta de madeira, lá dentro havia algumas ferramentas e alguns sacos grandes.
— Oi. — Tomei um susto ao me virar dei de cara com uma garota super pálida.
— Oi, quem é você? — Perguntei.
— Meu nome é Anny, moro aqui.
— Hum, eu acabei de me mudar. — Menina esquisita pensei comigo mesmo.
— Entendo, você gosta de cachorros? — Ela perguntou.
— Gosto, mas não tenho nenhum. — Ela me olhava como se me analisa-se. — O que está fazendo aqui?
— Eu só vim ver quem era os novos moradores e se vocês tinham um cão.
— Então tá, me chamo Rebeca.
— Bom eu preciso, ir nos veremos novamente. — Então á menina foi embora.
Os primeiros dias na casa nova foram bem normais, não via mais a menina, mas percebi que os moleques da rua sempre me olhavam, eu já estava cansada disso então fui tirar satisfação.
— O que vocês tanto olham? — perguntei.
— Você está morando nessa casa agora né, a gente tava pensando em perguntar se você já ouviu algo? — O mais alto do grupo perguntou.
— Ouvir? Ouvir o que? — O povo desse lugar era tudo louco.
— Eu disse que ela não sabia. — O mais goro falou.
— Eles nunca sabem.
— Será que devemos contar para ela? — O mais alto questionou.
Os garotos ficarão discutindo entre si durante um longo tempo ate que chegaram em um consenso para minha alegria.
— Sabe até alguns anos atrás morreu uma menina dentro do galpão, disseram que os cachorros da casa enlouqueceram e a devoraram, dizem que a única coisa que sobrou foram os aranhões dela na parede do fundo tentando fugir dos cães e que agora seu fantasma habita lá, e bom os assassinos nunca foram pegos.
— É só história como a de qual quer outra cidade. — Debochei.
— Mas você viu a parede dos fundos? — Neguei.
— Não, então como pode não acredita? — O gorducho disse.
— Eu irei ao galpão na quarta de madrugada. — Disse determinada.
O grupos de garotos somente riram eu os ignorei e voltei para casa, os dias da semana passaram lentamente, e eu ficava cada vez mais curiosa, essa história não saiu da minha cabeça e a então naquela noite eu tiraria a prova.
Esperei todo mundo dormir e com uma lanterna fui até o galpão estava muito frio e muito escuro, então comecei a procurar, tirei algumas coisas que estavam encostadas na parede mas eu não encontrei nada. Quando fui mais para o fundo em um dos cantos escutei a porta se fechar.
— Quem está aí? — Não escutei nenhuma resposta.
— Quem está aí? — Houve outro barulho. — Se forem vocês seus moleques idiotas, vão se arrepender.
Não tive nenhuma resposta, fui em direção a porta e tentei abrir mas não consegui a lanterna em minha mão começou a falhar.
— Agora não, por favor. — A lanterna se apagou.
Eu não consegui enxergar mais nada, comecei a caminhar tocando as paredes procurando por outra saída até que eu comecei a ouvir latidos, aquilo não poderia estar acontecendo, me desesperei, de repente começo a debater loucamente, tentando me defender, algo havia agarrado minha perna e os latidos eram tantos que me atrapalham, tentei me agarrar a parede mas não consegui, acabei arrancando uma unha, e gritei de dor e foi quando o ataque dos cachorros parou, e uma luz forte batei na minha cara.
— Sabia que você iria conferir. — Em minha frente estavam os garotos do outro dia um deles tinha um gravador na mão ao ligar fazia os sons do latido.
— Seu desgraçado, você quase me matou. — Eu berrei enquanto segurava minha mão.
— Mas foi tão engraçado, ninguém morreu dessa vez e... — Ele tentava conter o riso. — A sua cara de assustada foi a melhor.
Os mandei sair de casa se não chamaria meus pais e a policia, os garotos saíram, me deixando sentada ao meio do galpão, como explicaria para meus pais sobre meu dedo e aquela bagunça.
— Oi. — Dei um berro, era a garota esquisita Anny. — Os meninos te pregaram uma peça?
— Sim, eles são uns idiotas tentaram me assustar. — Suspirei derrotada. — Conseguiram, eu perdi uma unha ainda.
— Há foi só uma unha. — Ela disse se agachando ao meu lado. — Quando foi comigo, eles usaram cães de verdade e eu perdi a vida.
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