Contos de Uma História Sem Fim
6 My Heart Will Go On
Notas iniciais
Every time in my dreams
I see you, I feel you
That is how I know you go on...
Astoria Greengrass cantarolava distraidamente uma música trouxa bastante famosa que ela, por alguma razão, escutara uma vez e não conseguiu mais tirar da cabeça.
Near, far, wherever you are
I believe that the heart does go on...
A mulher, recém formada em Hogwarts, se encontrava sentada em uma sorveteria no Beco Diagonal, tomando um sorvete de pistache com cobertura de doce de abóbora, e, bom, apesar de o mundo bruxo ainda ter alguns sabores diversificados, aquela ainda era um combinação estanha. Além disso, rabiscava um guardanapo, fazendo pequenos desenhos e escrevendo coisas como “meu nome é Astoria Grengrass” ou “Sonserina é a melhor casa de Hogwarts”, por puro tédio. Havia acabado de sair de uma entrevista de emprego e resolveu que seria prudente tomar alguma coisa e observar a multidão.
Fazia um dia bonito e era final de julho, portanto o Beco Diagonal estava barulhento, cheio e alegre demais.
Quando ela se levantou para ir embora, ainda cantarolava baixo, dobrando e desdobrando o guardanapo riscado, como se fosse algo realmente interessante. Tão interessante que ela não viu que alguém se aproximava dela com um copo de cerveja amanteigada na mão.
— Olhe por onde anda quan... — Foi então que ele a viu e se calou. — Greengrass.
— Malfoy — disse com tédio no rosto e uma blusa encharcada.
Malfoy era um dos idiotas do ano de Daphne. Um dos idiotas que faziam Bullying com outras pessoas, chamava os colegas de “sangue-ruim” e se achava superior por ser rico. Um idiota tão idiota quanto Zabine, Parkinson, Goyle ou Crabbe. Então lembrou que Crabbe era um idiota mas um idiota morto, e ela não achava certo criticar pessoas mortas.
— Tome cuidado quando estiver passando em uma multidão, olhando as unhas — Era um tom debochado, mas um tom debochado contido. Ele a estaria tratando um pouco mais decentemente do que o normal porque ela era mulher, porque era sangue-puro e rica ou porque ele se tornara uma pessoa um pouquinho menos idiota do que costumava ser?
— Eu não estava olhando para as unhas e se você estivesse tão focado no mundo ao seu redor não teria esbarrado em ninguém.
Draco a olhou com um cara de tédio reprimida, como se quisesse que ela achasse que ele estava dando a mínima atenção para o que ela dizia. Mas, é claro, ele não estava.
— Com licença, tenho que ir tratar de algumas coisas e não posso gastar meu tempo com besteiras — parou um pouco, e então completou: — E para onde estava olhando então, o guardanapo sujo? É alguma mensagem de admirados anônimos? Porque se for, é bem romântico.
O jeito como a palavra “romântico” saiu de sua boca fez parecer que ele estava se referindo a uma doença altamente contagiosa.
— Ah, é claro, as doações — então era por isso que ele estava ali, olhando para o nada e sujando mulheres distraídas com cerveja amanteigada.
A família Malfoy adquirira o costume hipócrita e nada altruísta de fazer doações a famílias bruxos menos afortunadas no final de agosto, ajudando a comprar materiais e todas as outras coisas básicas para o ensino de uma criança. Era isso ou Azkaban, e pode-se dizer que foi uma decisão bem rápida.
Os Malfoy costumavam fazer este tipo de coisas desde a primeira guerra: jurar arrependimento, fazer altas doações e continuar a vida tranquilamente enquanto outros comensais nojentos como os irmãos Lestrange, Dolohov, Yaxley e tantos outros pagavam por seus crimes. Mas na realidade, era prazeroso para eles mostrarem que mesmo gastando seu precioso ouro com outras pessoas ainda sobrava o bastante para esbanjarem luxo.
— E a propósito, não é da sua conta o que está escrito aqui ou se eu recebi de alguém, Draco Malfoy — disse Astoria. — Aliás, se tem alguém que deveria mandar mensagens anônimas, esse alguém é você.
Draco a olhou como se encarasse um objeto inanimado.
— Não se esqueça que é você quem precisa pedir perdão a algumas pessoas.
Astoria Greengrass se virou e saiu. Ela não sabia de verdade o que dizia, mas, c’mon, ele fora um comensal da morte e um idiota que fazia Bullying com um menino de rosto redondo da Grifinória que Astoria não lembrava do nome, mas sabia que era parte da Armada de Dumbledore; chamava Hermione Granger, a garota de cabelos que lembravam uma juba de leão e que era amiga de Harry Potter, além de ser, provavelmente, a melhor aluna de Hogwarts de seu ano – ou de sua época, de sangue-ruim sempre que tinha a chance. E também dizia coisas horríveis às pessoas da família Weasley. Lembrava-se de Daphne dizendo que ele era extremamente arrogante, e olha que Daphne por si só já era bastante arrogante.
Mal sabia ela que aquilo mexera com ele de alguma forma.
Mal sabia ela que ele realmente mandaria cartas anônimas pedindo desculpas para as pessoas a quem ele tinha, de alguma forma, machucado.
Mal sabia ela que eles se veriam de novo.
Mal sabia ela que eles ainda brigariam muito.
E, principalmente, mal sabia ela que cerca de seis anos depois, ela estaria sentada em uma cama, com um moletom grande de Draco Malfoy, o observando ninar um menino de cabelos claros e olhos cinzentos, enquanto cantarolava distraidamente a música My heart will go on.
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