Contos de Uma Guardiã
1 Um passarinho amarelo me contou
Notas iniciais
Passeando pelas ruas escuras de um dia de intensa chuva me deparo com um pequeno passarinho amarelo. Estranho, no mínimo aquele pássaro era estranho, mas o mais estranho foi o fato dele ter voado do galho em que estava, pousado na minha frente e começado a cantar uma música em japonês que eu não entendi nada.
- Orra! Nem com aulas de japonês to entendendo essa língua >.< — foi o que pensei alto.
E a ave amarela saiu voando para entre as árvores.
-.... o.O Bicho bizarro.
Dei um passo e *cleck*, senti algo sob meus pés, como estava de All Star (e com aquele tênis sente-se cada pedra sobre o chão) pude notar que não era uma pedra no que pisava. Então, o que seria? Fiquei a olhar para meu pé, hesitando em tirá-lo donde estava e verificar o que seria aquilo que ficara após o voo do passarinho bizarro. Levantei lentamente meu pé esquerdo, liberando a visão para o objeto-não-identificado-que-a-ave-deixara-após-sua-partida. E o que eu acho? Nada mais nada menos que um anel, um tosco anel.
— ... looool, me assutei tanto por causa de um anel...hsuahsuhua – disse alguns minutos depois, minutos nos quais fiquei a olhar fixamente para aquela bijuteria que parecia ser barata, e que não sei como não quebrou.
E continuei minha caminhada sob a chuva, rindo de minha hesitação, entretanto pensativa sobre o por quê. Por que fiquei com medo de saber o que era? Ah, tanto faz. Continuei a caminhar para casa.
Alguns bons minutos depois cheguei em casa.
— Yooo!! – falei alto como de costume.
— ..... – sem resposta, como de costume.
Fazia um ano e meio que eu morava sozinha e ainda não havia me acostumado, era muito...muito solitário (n/aqnbbdc: OHRLY?), muito chato, mas o que poderia fazer? Quem mandou falar que conseguia se virar sozinha? Daí deu nisso...
Tirei meus All Stars roxos, minha jaqueta preta e o resto da minha roupa encharcada e fui em direção a lavanderia, onde deixei meus pertences secando. Agora só de calcinha e sutiã, que não estavam molhados (amém Jesus, se não seria desagradavelmente desagradável), fui da lavanderia à cozinha, da cozinha ao corredor e então para o banheiro pegar uma toalha para secar-me.
Enrolada naquele pedaço de tecido felpudo azul-marinho segui em direção a meu quarto pegar meu camisetão de ficar em casa (roubado de ex-namorado o/), porém não consegui chegar ao meu destino.
Um forte trovão caiu perto de casa, fazendo com que a luz do quarteirão fosse apagada. De chuva passou para tempestade e as nuvens ficavam cada vez mais negras e densas.
— E é nessas horas em que se aprende a não confiar na previsão do tempo, falaram que faria sol! – essa era eu indignada e minha mania de falar sozinha .___.
Densa névoa surgiu do nada no interior da minha casa
— o.O What the...
E aquela música voltou a penetrar em meus ouvidos. Vinha da sala.
— FUCK?!?!?! O.O – falei mais alto ainda – Tááá bom Ran. Você se esqueceu do seu remédio de novo, foi isso né? Já passa, é imaginação – falando comigo mesma, brincando com relação à parte do remédio.
Dei mais um passo em direção ao meu quarto e aquela música ficou mais intensa e alta, com se estivesse me reprimindo “Não, por ai não. Venha pra cá”. Parei novamente no meio do corredor escuro e virei rapidamente para trás, em direção a sala e advinha o que estava sobre a mesa?
É, o DVD que havia me esquecido de devolver, de novo.
— Uma semana de atraso....de novo! Aquela mulher da locadora ainda vai me matar! E ainda é lançamento. >.<’’
Enrolei-me na toalha e segui em direção a sala, peguei o DVD e xinguei o maldito, como se a culpa fosse dele, não minha.
— Viu? Você não quer ser devolvido né? Depois dá problema pra mim por conta do seu mimo. Mimado! (n/aqnbbdc: gente louca é tenso..) – mas meu monólogo foi interrompido por pela musiqueta japonesa de vozinha fina e irritante, que provinha daquele passarinho, que maldito estava pousado na janela.
— Vaza daí ô desgraçado! – Berrei com a ave após reparar que era o mesmo que havia encontrado a pouco na rua (por vezes eu realmente acho que eu tenho problemas, esquizofrenia, volúvel em demasia, amigos imaginários, é...essas são apenas hipóteses, juro que um dia eu procuro um médico).
Ele voou em minha direção e *Aahhhhhhhh!* berrei mais alto ainda de susto e *puf*, ele pousou em meu ombro. Olhei assustada para ele, mas não por não saber o que ele era ou o que queria de mim, o que trazia consigo ou de quem era. Meu medo e dúvida eram sobre o porquê de tal coisa fofa e meiga me trazer tanto medo.
Durante meus devaneios a ave voou e pousou novamente, porém agora em minha mão, que não me pergunte por qual motivo estava aberta. Ficou ali por um momento me olhando com aqueles olhinhos meigos, fofinhos e pretinhos depois foi janela a fora, para aquela tempestade, e levou consigo aquela névoa. Notei então que algo ficara em minha palma esquerda. Era o anel.
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