Contos de Noites Conturbadas
2 Sob a Árvore
Com o salão vazio, ela pensou se recusasse o pedido. Provavelmente seria morta, e caso isso acontecesse ninguém nunca iria zaber o que de havia acontecido com ela.
–Não está comigo. — ela disse novamente.
Suas mãos tremiam, e ela tentou escondê-las atrás das costas, apertando-as com força. Ele pareceu sentir seu nervosismo, e um sorriso de satisfação riscou seu rosto.
–Mas sabe onde está. É quase a mesma coisa de ter a posse do objeto.
O rei era assustador. Porém, o que mais a preocupava sobre ele eram seus olhos. Tão frios, vazios e sedentos por poder. Ela só via isso, e era perturbador.
–E como sabe onde está, vai pegar para mim.
~.~
Ela subia uma escada de pedra na área externa do castelo escoltada por uma dúzia de guardas.
A árvore era esplêndida, magnífica. Enorme e centenária, ela participou de tantas vidas e histórias... e ele nem sabia, nem se importava.
A garota se ajoelhou sobre suas raízes, e enfiando o braço na terra onde as raízes se encontravam num nódulo perfeitamente esculpido, ela pensou em como ninguém tinha pensado naquele lugar; era tão óbvio. Retirando a mão do solo úmido, o objeto brilhou como o próprio Sol.
Como se nunca tivesse sido enterrado, o relógio dourado emanava poder.
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