Contos de Natal
3 CAPITULO 03 - A ÁRVORE DE NATAL
Notas iniciais
POV NARRADOR
Contemplei, esta noite, um alegre bando de crianças reunido ao redor de um belo brinquedo alemão, uma Arvore de Natal. A árvore estava plantada no meio de uma grande mesa redonda e se erguia bem acima de suas cabeças. Estava brilhantemente iluminada por uma multidão de pequenas velas, e em toda parte faiscavam e cintilavam objetos resplandecentes. Havia bonecas de faces rosadas, escondidas atrás das folhas verdes; havia relógios de verdade (com ponteiros moveis, pelo menos, e com a capacidade ilimitada de receber corda) presos a inúmeros ramos; havia mesas francesas de tampo polido, cadeiras, camas, armários, relógios de corda de oito dias e vários outros artigos do mobiliário domestico (maravilhosamente fabricados em estanho, em Wolverhampton), empoleirados entre os ramos, como se em preparação para alguma mágica arrumação caseira; havia homenzinhos alegres......
Nota: o texto acima, fielmente retratado de Charles Dickens “Uma Árvore de Natal”, e abaixo meu texto para continuação da estória.
A decoração da árvore de Natal da minha loja tinha como tema a árvore de Dickens, no conto natalino “Uma Árvore de Natal”. Não que Dickens fosse meu escritor favorito, mas a descrição desta árvore mexeu com o meu imaginário. Mães, pais e filhos a olhavam admirados e com olhares sonhadores. Pessoas de todos os lugares viam visitar a minha loja, principalmente no fim de ano, onde eu e meus funcionários fazíamos questão de decorar, a cada ano, sempre com temas diversos. Este ano eu resolvi retratar fielmente o que fizera há vinte anos. Eu queria ver novamente a reação das pessoas ao vê-la, pensando se reconheceriam a referência. Poucas o fizeram, como há tempos atrás, fazendo-me lembrar especialmente daquela noite, do dia 23, uma garotinha loira, com seus cabelos cacheados, óculos rosa; profundos olhos azuis e lábios rosados, usando um casaco vermelho por cima do seu vestidinho amarelo, me chamaram a atenção. Ela deveria ter uns sete anos. Estava acompanhada de sua mãe, também muito parecida com ela, mas sem o olhar intelectual da filha.
Aproximei-me um pouco para ouvir o que ela falava tanto para sua mãe, gesticulando os braços e de vez enquanto balbuciava encantadoramente. Ela explicava a mãe que a árvore retratava a mesma num dos livros de Dickens, que ela no momento não se lembrava qual. Sua mãe sorriu compreensiva e falou que ela era um pequeno gênio, seu bebê.
E para a minha surpresa, um garoto loiro, também de olhos azuis, aproximou-se dela e falou o nome da estória que a minha árvore se referia, a pequena garotinha balançou sua cabecinha em concordância, ele, um pouco mais velho, abriu um largo sorriso.
– Hei, me chamo Oliver Queen.
– Felicity Smoack.
Oliver perguntou para Felicity se ela gostaria de chegar mais perto da árvore, Felicity olhou para sua mãe que concordou, mas antes pedindo que eles não se afastassem demais. Então, Oliver esticou sua mão para pegar na de Felicity e juntos se aproximaram da árvore.
O tempo todo Oliver segurava a mão de Felicity, dando a impressão que não queria que ela se afastasse dele nem por um segundo, a protegendo de tudo e de todos.
Foi gratificante observar a inocência do primeiro amor. Os olhares tímidos, o toque sutil que eles tocavam entre si, o sorriso que Oliver dava toda vez que Felicity começava a balbuciar e, o jeito que Felicity olhava para Oliver.
O encanto foi quebrado quando o pai de Oliver chamou o filho para irem embora.
– Felicity eu vou te encontrar.
– Promete?
Os dois se despediram com um abraço apertado e olhares tristes....
Balancei a minha cabeça para espantar os pensamentos e o que vi me fizeram duvidar da minha sanidade ou que as lembranças daquele dia estavam tão vivas em minhas memórias que estava tendo alucinações.
Novamente uma garotinha, que deveria ter uns quatro anos, não mais que isso, correu para perto da árvore, ela me lembrava da pequena Felicity, os mesmos olhos azuis, o cabelo loiro encaracolado.
Pouco depois um casal, de mãos entrelaçadas, do jeito que um casal faz quando estão apaixonados, aproximou-se da garotinha. A mãe agachou-se do seu lado, apontou para a árvore e começou a contar a estória de sua decoração, Olivia era o seu nome.
O pai tocou no ombro da mãe que se levantou para darem as mãos, trocaram um sorriso e começaram a caminhar, de mãos dadas, em volta da árvore, como há vinte anos.
Eu olhei para a Árvore de Natal e pensei que talvez Dickens passasse a ser um dos meus escritores favoritos na época do Natal.
Oliver e Felicity haviam se reencontrado, como Oliver prometera.
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