Contos de Natal.
9 Luzes.
Notas iniciais
Luzes.
Caroline era uma jovem alegre e gentil. Hiroto era um jovem de olhar triste, mas ainda assim singelo. Não havia quem soubesse dizer de onde nascera a amizade dos dois, assim como não havia quem pudesse explicar a bondade do coração de ambos.
A família dela também não conseguia entender como uma menina tão bela e delicada preferia passar o Natal com órfãos imundos do que com eles. Mas quem disse que a loura se importava? Muito pelo contrário, os órfãos pelo menos não a enchiam de perguntas idiotas sobre como foi seu ano ou fingiam se preocupar com isso. Os pequenos só queriam alguém. E ela e Hiroto eram esse alguém.
— Hiroto, pegue as bolinhas e as luzes para mim! — pediu. Não tirava os olhos da árvore que ajudava a decorar nem por um minuto, o que a levou a se descuidar.
Ela não era uma pessoa alta, por isso subira num banquinho para alcançar todas as partes da planta ainda vida — plantada pelos dois caridosos no último feriado de Natal — de quase dois metros. Deu um passo em falso, acabando por quase cair, mas em vez do chão, encontrou os braços protetores do ruivo.
— Ei, tome mais cuidado! — com tais palavras o maior pareceu se impor, como se fosse uma ordem. Recebendo somente um risinho baixo em troca. — Podia ter se machucado!
— Não se preocupe, Sr. Kiyama, eu estou inteira! — como podia levar tudo na brincadeira desse jeito? Só podia estar meio louca. — Agora, já pegou o que eu pedi? — perguntou completamente despreocupada.
— Você faz parecer que não foi algo grave, como se não pudesse ter se ferido! — resmungo ou repreensão? Definitivamente Caroline não sabia. Neste ponto as crianças haviam até ido para a cozinha. — Algo podia ter te acontecido!
— Mas não aconteceu. — desta vez o tom dela foi mais firme, decidido. — Não se preocupe a toa, Hiroto. — beijou-lhe a testa, um gesto que carinho que talvez o fizesse se acalmar. — Vamos logo chamar as crianças e decorar essa árvore!
Via-a lhe mostrar as costas enquanto se afasta, não resistindo a agarra-la de volta, a envolvendo em seus braços protetores. A loura não pode evitar rir com o contado inseguro partindo dele.
— Ora, ora, — provocou — Onde de está o rapaz feroz de agora há pouco?
— Cale-se... — entoado em som meloso, aquilo que devia ser interpretado como uma ofensa foi motivo de mais risos. — Promete... Que não vai se machucar? — agora sim algo que a surpreendeu.
Não resistindo a carência do escarlate ela se virou, soltando-se das mãos quentes e fortes. Repousou suas testa sobre a dele, beijando suavemente, ao som de uma melodia que tocava ao fundo.
— Enquanto eu estiver contigo, nada poderá me ferir. — murmurou antes de voltar ao trabalho. É, aquela noite seria quente.
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