Contos de Natal.
1 Céu.
Notas iniciais
Céu.
Passar a mão por entre os cabelos brancos e voltar os olhos azuis para o Céu. Isto era basicamente o que Serena fazia, ou melhor, o que Mamoru deixava. Suspirou inflando as bochecha rosadas. Definitivamente iria matar aquele moreno idiota.
— Ei, por que eu não posso ajudar? — perguntou-lhe ao se aproximar, o rubor em seu rosto era de raiva e vergonha ao mesmo tempo. — Eu não estou doente!
— Mas é uma garotinha frágil, — como ele podia ser um super-protetor tão cabeça dura? — Então sente-se e descanse, minha menina.
— Se me chamar assim de novo eu vou te chutar. — mesmo diante de uma ameça como aquela Endou não recuou, muito pelo contrário, aproximou-se ainda mais, envolvendo-a em seu braços protetores. — Poxa, pare com isso! — os resmungos e as tentativas da moça de se afastar tornavam-se todas falhas comparadas com a força de rapaz, que ria de sua atitude.
Depois de tanto tentar de não conseguir nada a grisalha desistiu, bufando de raiva. Cruzou os braços enquanto franzia o cenho, sem levantar os orbes safiras para encarar o amado.
Este que, por sua parte, coçava a nunca, imaginado como podia reparar o 'erro' — que aliás, fora somente uma brincadeira, mas não podia esquecer que a jovem passava por uma fase sensível —, que seria difícil.
Tudo bem que, talvez selar seus lábios frios na testa dela não fosse a melhor escolha, mas a fez se arrepiar. Um biquinho surgiu naquela boca rosada, como se não quisesse admitir ter gostado do carinho.
— Idiota... — xingou baixo, sentindo seu pés serem retirados do chão. Quando se deu por si estava sendo carregada pelo moreno. — Ei, Mamoru! Me põe no chão!
— Só quando você me perdoar... — encostou seu rosto no dela lentamente, podendo sentir a respiração quente e acelerada. Porém não por muito tempo, quem disse que Serena era fácil?
Ficar emburrada e mexer as pernas com raiva se tornava sua especialidade numa hora como aquela, só parando de fazer quando foi deixada confortavelmente no sofá.
— Está achando o que Endou Mamoru? Que é fácil assim conseguir que eu te desculpe? Ah, por favor, né? — ele revirou os olhos castanhos enquanto a ouvia falar. Por que sempre a mesma coisa? — Não pense que eu sou qualquer uma, como suas ex-namoradas... — sempre insistia em lembrar de uma certa ruiva. Devia ser muito amor mesmo. — Ah, volta lá para aquela menina do cabelos vermelho todo arm- — calou-se.
Naquela manhã fria de inverno, em que nada parecia poder aquecer seus sentimentos, o calor e a proteção do rapaz foram suficientes. Tê-lo ali, a envolvendo num abraço foi uma sensação única. Não teve qualquer coragem para afasta-lo, tudo o que conseguiu foi envolve-lo com seu corpo também.
Os lábios brancos gelados entraram em contato com os rosados quentes, o choque térmico que aflorava os sentimentos, assim como cada pelo dos dois corpos que se envolviam.
Somente um sorriso foi esboçado, nada mais.
— Eu te odeio... — Serena sussurrou em meio a êxtase, afundando sua cabeça no peito do maior, que gargalhou.
— Me ame menos. — pouco se importou com o olhar mortal lançado, apertando-a ainda mais contra si. — Meu pequeno Céu.
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