Contos de Ignam

1 Introdução a Ignam


Notas iniciais
Bem, aqui está a primeira parte da ideia de Ignam

Ele estava ali olhando do parapeito de uma das docas inferiores o vale por qual sobrevoava a grande Valkyrion, a grande cidade alada. Ela era imensa do tamanho de uma pequena montanha, na verdade ela foi construída em base a uma antiga enorme ilha flutuante com seus cristais de levitação, um antigo minério que simplesmente vagava pelos céus. Valkyrion era originalmente uma vila no cume dessa ilha mas com os avanços tecnológicos ela acabou se expandindo a tal ponto que a própria forma da ilha acabou sendo alterada e só os cristais já não conseguiriam segura-la nos céus foram acrescentados balões, hélices, propulsores de todos os tipos, e assim ela se tornou a cidade dos maiores sonhadores, onde tudo se inovava e era comercializado, onde tudo dizia ser possível com o desejo de grandeza. Os antigos cais a embarcações aéreas agora se tornaram incríveis portos, deslumbrantes hangares ou rusticas docas. Ela era dividida em uma costura onde ficavam as celas expostas ao exterior prontas para serem desacopladas em caso de rebelião, entre as celas e a cidade de fato ficava o anel de proteção que era a prisão, assim mantendo a cidade interna segura de ameaças, servindo como um grande escudo. Perto da prisão estava o chamado Anel de Latão, onde vivia a parte miserável da cidade, aqueles cujo os sonhos aviam sido destruídos por outros mais fortes que eles e agora estavam em total dependência da boa vontade dos outros a eles. Em seguida tínhamos o Anel de Prata, o maior território da fortaleza aérea, onde se encontravam a maioria dos acessos a ela, a maior quantidade de mercados, e todos os tipos de pessoas, era o terreno dos aventureiros destemidos em busca do seu sucesso. Terminando o Anel de Prata se iniciava a Aliança de Ouro, o local dos nobres e importantes magnatas, aqueles com poder o suficiente para serem lembrados por gerações e para transformar o mundo, eram eles que comandavam e reinavam sobre a cidade. E por fim a área central da cidade, o Círculo de Platina, sendo o lugar de menor tamanho mas te maior importância, inclusive poucos cidadãos da Aliança de Ouro tinham acesso a esse pequeno território, pois ali abrigava um nível totalmente imenso de poder que nenhum dos habitantes da cidade acreditava existir e tratavam como lenda aqueles que conseguiam acesso e desconheciam seus segredos, era tratado como a maior relíquia e o maior prestígio da capital celeste.

Então um jovem de cabelos negros olhava de uma doca inferior quase na extremidade entre o Anel de Prata e o Anel de Latão o que a cidade agora sobrevoava. Um vasto vale com três sinuosos rios que iam de encontro a uma cordilheira em seu fim. A imensidão do vale era algo que ele achava bonito. Ele tinha ansiedade por conhecer o mundo assim como seu primo estava fazendo. Ele sentia inveja da jornada desbravadora que o primo começara ao abandona-lo na cidade. Ambos eram órfãos e o primo cinco anos mais velho cuidou dele desde que ele se lembra, eram só os dois, até ele deixa-lo para ir conhecer o mundo a três anos. Não foi uma vida fácil a que ele vivera, mas ainda assim ele sabia aproveitar bem do que ela lhe oferecia, sempre atento a tudo para assimilar o maior conhecimento que conseguisse. Ele fizera dezessete anos na semana passada e não tardaria muito, colocaria seu plano junto ao pequeno grupo de amigos que tinha feito desde criança. Dali a alguns dias eles iriam roubar um dos menores zepelins para partir e conhecer o mundo com os próprios olhos. Ele sabia no fundo de seu ser que o destino ainda lhe faria viver por muitas aventuras e que o sucesso que aqueles que vinham até sua cidade não era o seu futuro, e que se um dia ele ali retornasse seria para fazer algo histórico.

Tão absorto em seus pensamentos, com o longo cabelo negro se agitando ao forte vento ele se surpreendeu quando um amigo se sentou ao seu lado.

— Como você tá? Com medo? Afinal vamos ser criminosos daqui a alguns dias.

— Não se faça de sarcástico comigo Mathio, você sabe que eu estou ansioso.

— É... Então, ainda pensando nele? Você sabe, tipo, King nos deixou e tals. Você acha mesmo que vai se reencontrar com ele indo lá pra fora?

— Sinceramente? Eu não sei. Mas tenho certeza que ficando aqui como um pássaro engaiolado não ira me fazer me reencontrar com meu primo.

— Se você diz...

— E como andam as coisas com a Gina?

— Você conhece ela. Sabe que eu sempre fico perdido quando acontecem essas coisas.

— Qual é. Vocês são melhores amigos, deveriam se entender com maior facilidade.

— Não é minha culpa se ela acaba surtando sem algum motivo e se isola. Como diabos eu deveria saber o que está acontecendo naquela cabeça?

— Sabe, acho engraçado. Você sendo o melhor amigo dela e tudo é o que acaba por menos entender como ela é. Você sempre está lá por ela, mesmo que ela não perceba tanto quanto a gente. Valeu por ser amigo dela.

— Não é como se eu fosse deixar isso estragar tudo né. Eu conheci ela graças a você, e a gente se deu bem pra caramba, eu só não sei mesmo o que fazer nesses surtos.

— Eu entendo, acho que só sei também como ela é porque eu conheço ela desde pequeno né... Mas enfim, acho que logo vocês se acertam.

— Não fale como se fosse tão simples. Você sabe que eu não sou como vocês, sabe que eu tenho meu ritmo.

— Sei...

Ali estavam os dois quietos, encarando a imensidão do que estava pra vir a eles. Com o assunto encerrado de modo constrangedor eles ficaram sem ter o que falar por um tempo ate que ambos gargalharam.

— É sempre assim né? Você perdido pelo que os outros estão fazendo e e eu sonhando com o que eu quero fazer enquanto tomo conta de vocês.

— É. Se não gostou, só aceita porque vai continuar assim.

— Ei! Como assim? Tá achando que eu sou o paizão de todos vocês é?

— Tá mais pra líder encrenqueiro, bagunceiro, peste, problema da sociedade, rebelde sem causa, olha a lista é bem grande, devo mesmo continuar?

— Você sabe mesmo como me irritar né?

— Fazer o que se você também é um dos meus melhores amigos?

— Vai passar no Angie mais tarde?

— A turma vai lá hoje, né. Seria bom se nós dois fossemos também...

— Não sei se é o melhor momento pra mim, mas você deveria ir sim.

— Você recusando uma festa? Tá tudo bem?

— Tá sim, eu só tenho que fazer algumas coisas hoje, inclusive to até atrasado.

— E tá aqui fazendo o que?

— Realmente, eu devo ir logo né? — responde ele rindo e se levantando — Até depois então.

— Até.

Após algum tempo andando pelas galerias e ruas da cidade o jovem se encontra parado na frente de uma casinha perto da Aliança de Ouro. Ele já tinha feito muita coisa errada mas queria partir depois de fazer as pazes com uma das suas amizades, pois por ele ser cabeça quente e impulsivo ele tinha acabado se afastando de uma pessoa que ele sentia muita empatia, e ele queria pelo menos consertar isso antes de ir. Ele estava ali parado já a algum tempo quando alguém chamou por ele.

— Fred?

— Oi? — ele se virou assustado — Evie? Oi... Erm, eu queria conversar se você tiver um tempinho... — responde ele tentando faze uma cara de arrependido.

— Não sei se estou muito livre. Acho que pra você eu devo estar muito ocupada mesmo, afinal de contas lembra o que você me disse?

— É... Eu sei, é justamente por isso que to aqui. Queria te pedir desculpas...

— Ah é? E o que mais? — ela estava sarcástica como sempre ficava quando a estressavam.

— Olha eu fui o pior dos amigos, eu disse que ia tomar conta de tudo e acabei por dar mancada, mas eu assumi que foi erro meu e que te chamar de desocupada foi vacilo.

— Foi?

— Foi, então eu entendo se nunca mais quiser olhar na minha cara Evie, na verdade você nem vai precisar mas eu só queria esclarecer as coisas aqui e dizer que eu sinto muito pelo que eu te disse.

— Tá bom, e o que mais? E como assim na verdade eu nem vou mais olhar na sua cara?

— É... Longa história, basicamente eu só to pra sumir.. e eu queria te pedir desculpas. Algumas pessoas irão sumir comigo então não fica brava com elas também tá? É tudo minha culpa.

— Frederic. Acho bom você explicar essa história direitinho. se você colocar o Mathio, a Gina ou qualquer outro nas suas encrencas eu te mato.

— Eu não vou colocar, eu juro. Eu queria que eles ficassem, mas você sabe que eles são teimosos.

— E você não percebe mesmo não é? Eles são seus amigos, você pode depender da ajuda deles quando precisar, mas você não deve levar problemas pra eles!

— Eu sei, mas eu não os obriguei a quererem me seguir pra fora daqui.

— Como assim?

— Ops...

— Você tem cinco segundos pra começar a me explicar.

— Tá bem... Você se lembra do King?

— Você quer dizer seu primo inconsequente? Sim, eu me lembro dele. mas o que isso tem haver?

— Então, basicamente to indo fazer o mesmo que ele, mas de uma forma pior.

— Como assim?

— Basicamente, eu, Mathio, Gina, Angie, Sophie, Sandy, Iam, Vik, Mak, e o Gaber, vamos pegar uma carona pra fora daqui. Não dos modos mais bem vistos.

— Prossiga. Agora.

— Vamos roubar nossa carona, é isso.

— VOCÊS O QUE?

— Não é culpa minha, eu ia fazer isso sozinho. Mas eles quiseram vir junto. Falaram que eles querem conhecer o mundo também e que ficar aqui sem mim não ia ter a menor graça, e eu falei que era perigoso e tudo o mais que eles não poderiam ir mas eles falaram que iam me seguir se eu fosse sem falar nada pra eles. E eles sabem que tentar me prender aqui não ia dar certo.

— Óbvio que eles não iriam ficar parados. Eles são seus melhores amigos, praticamente sua família depois que o King te deixou. Até eu sou! Ou era até alguns meses atras. Como você é insuportável meu deus.

— E você queria que eu fizesse o que? Simplesmente sumisse?

— É por isso que você é irritante. Eu vou com vocês!

— Você tá louca? Já não bastam eles de retardo querendo me seguir. Vocês tem uma família, não são que nem eu que sou sozinho.

— Você não aprende mesmo. Onde eles estão?

— Tão no Angie, mas por que?

— Vamos lá, vocês tem que me contar tudo a cerca do plano que querem fazer.

— Não! Já disse, bastam ele de retardados. eu não vou arriscar a segurança de mais ninguém.

— Não! Você que não entende, eles não estão fazendo isso por você, eles estão fazendo isso porque querem fazer. E é por isso que eles vão te seguir, porque querem te seguir. Babaca.

— Qual é, você é uma das minhas melhores amigas ainda que eu tenha estragado tudo, não vou te fazer cometer essa loucura.

— Foda-se, eu sei o caminho pra casa do Angie mesmo.

— Evie...

— Desiste, ou ninguém vai ou eu vou junto.

— Meu deus. Que saco. Por quê vocês são tão teimosos?

— Que saco digo eu. Você não vê que nem sempre você é capaz de resolver tudo sozinho? Que você pode confiar nos outros?

— Eu sei que eu sou chato. Por isso mesmo vocês deviam se afastar.

— Eu também sei que você é chato, por isso que você não arruma uma namorada. E eu tenho dó dela quando você arrumar.

— Trouxa.

— Vamos logo pro Angie seu babaca.

Notas finais
Espero que tenham gostado e que acompanhem as próximas partes
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.