Contos de Hogwarts - Marotos

9 O dia que Lily aceitou sair com James


Notas iniciais
Depois de muitas tentativas de James, Lily decide dar uma chance ao garoto e aceita sair em um encontro com ele. Hogwarts - 1977

Lily Evans estava sentada à um canto na sala comunal da Grifinória, junto com Marlene McKinnon e Dorcas Meadowes, tentando finalizar a montanha de deveres que os professores tinham passado, eles estavam pegando pesado com os estudantes para prepara-los para os N.I.E.M’s. O tempo estava frio e o céu escuro lá fora, a maioria dos alunos já tinham ido se deitar, havendo alguns poucos ocupando as cadeiras e sofá.

— Já cansei. – Falou Marlene largando a pena e se recostando na cadeira. – Se a McGonagall já está assim agora, imagina como vai estar perto dos N.I.E.M’s? Não podemos fazer uma pausa?

— Se começarmos a procrastinar vai ficar bem pior. – Completou Lily sem tirar os olhos de seu pergaminho.

— Você precisa aprender a relaxar um pouco, Lily.

— Tem os N.I.E.M’s e os deveres de monitora, se tem uma coisa que não vou conseguir fazer esse ano é relaxar.

— Falando em ser monitora, o Potter também é monitor, não é? – Lily olhou a amiga, que estava com um sorriso no canto da boca. Dorcas, que já não olhava para seu pergaminho e prestava atenção nas amigas, também sorriu.

— Sim, ele é. – Respondeu Lily revirando os olhos.

— Estão passando bastante tempo juntos então.

— Aonde você quer chegar com isso, Marlene McKinnon?

— Você tem que admitir que ele é uma gracinha.

— E até que ele não está mais tão babaca. – Completou Dorcas.

— Vamos voltar para o dever de transfiguração. – Lily voltou a atenção para seu pergaminho, mas não pode evitar dar um leve sorriso.

— Você gosta dele. – Concluiu Marlene com uma voz maliciosa.

— Acho que esse excesso de deveres mexeu com sua cabeça e te deixou doida. – Lily Soltou novamente seu pergaminho e cruzou os braços.

— Gosta sim, Lily. – Disse Dorcas. — Não tem mal nenhum admitir, não vamos te julgar, ele tem sido bem legal ultimamente.

— Eu não gosto dele.

— Eu acho que devia dar uma chance para ele. – Concluiu Marlene. Lily revirou novamente os olhos.

— Não seria uma péssima ideia. – Completou Dorcas.

— Dever de transfiguração. – Lily apontou para a pilha de livros em cima de mesa. – Quero terminar hoje.

Nesse momento o retrato da mulher-gorda se abriu e James Potter entrou na sala comunal.

— Ta aí a sua chance. – Falou Marlene se levantando.

— Ei, Lene – disse Dorcas se levantando também e recolhendo seu material. – Pode me ajudar com aquela coisa no dormitório.

— Claro, Dorcas.

— Não se atrevam a me deixar aqui sozinha. – Indignou-se Lily.

— Boa noite, Lily. – Disseram as duas em uníssono se esquivando em direção ao dormitório das meninas deixando a garota ruiva sozinha.

— E aí, Evans? – Lily se virou e viu James Potter a encarando com um meio sorriso. – Muitos deveres, não é mesmo? Esses professores estão malucos.

— O que você quer, Potter? – Respondeu a garota voltando atenção para o dever de transfiguração.

— Poxa, Evans, não posso conversar com uma amiga. – Ele se sentou na cadeira ao lado de Lily e ela o olhou pelo canto do olho.

— Amiga? Nós mal nos falamos, a não ser na reunião de monitores.

— Exatamente, está na hora de mudar isso. – O garoto estava muito empolgado e sentia seu coração palpitar e as mãos começarem a suar. – Nós estudamos juntos há 6 anos e mal nos conhecemos. Qual é a sua cor favorita?

— Estou muito ocupada agora para discutir preferência de cores, Potter. Mas tenho certeza de que Eliza Parker vai adorar falar com você sobre todas as cores possíveis e ainda dissertar sobre como seu sorriso é bonito. – Lily indicou uma garota do sexto ano que estava sentada em um canto e lançava alguns olhares para James esporadicamente.

— Então você acha meu sorriso bonito? – Lily ergueu os olhos do trabalho, que só fingia que estava escrevendo pois não conseguia se concentrar, e viu o garoto muito satisfeito com sigo mesmo.

— Esse não é ponto. – Respondeu sentindo o rosto corar. – O ponto é que não posso falar agora. – A garota voltou a atenção ao livro de transfiguração sem prestar realmente atenção em uma única palavra que lia.

— Entendo. Então deveríamos encontrar um momento mais propício para conversamos. – James consultou o relógio de pulso. – Que tal no três vassouras amanhã em Hogsmead?

— Está me convidando para um encontro mais uma vez, Potter? – Lily desistiu de tentar fingir que estava concentrada em seu livro.

— Eu entendo o que você está pensando. Mas agora estamos no sétimo ano, eu não sou mais aquele velho James Potter. Até o Dumbledore viu como estou mais maduro e me tornou monitor chefe, sem nem ter sido monitor antes! Isso representa uma clara e rápida evolução.

Lily não podia negar que estava percebendo uma evolução em James Potter. Desde o sexto ano que ele já não implicava com as pessoas e estava parecendo se esforçar para ser uma pessoa melhor. Remus sempre dizia que ele, no fundo, era uma boa pessoa e só precisava aprender a demonstrar isso. Além do mais, já estavam ficando mais velhos e amadurecendo. E até que ele tinha um sorriso bonito...

— Você mesma disse que mal nos falamos. – Ele continuou. – Às vezes, se você der uma chance de me conhecer, vai ver o quanto eu sou legal!

Bom, na cabeça de Lily, só existia uma resposta possível para esse pedido:

— Tudo bem. – As palavras saíram pela boca dela sem que pensasse direito.

— Sério? – Lily se perguntava a mesma coisa.

— Sim. Decidi te dar uma chance, James Potter. Mas agora eu preciso terminar o meu dever.

James sentiu um calor e uma felicidade crescer dentro dele. Não fazia ideia de que se sentiria tão empolgando quanto estava e passava a mão nos cabelos bagunçados sem acreditar. A própria Lily não tinha muita certeza se acreditava no que tinha dito.

— Puxa, Evans. – Ele se levantou e começou a andar aos tropeços na direção do dormitório masculino, mas ainda olhando na direção da garota. – Nos encontramos lá então? Ou podemos nos encontrar no saguão de entrada também.

— Te encontro lá, Potter.

— Combinado então. Uau!

— Eu gosto de amarelo! – Gritou Lily quando ele já estava subindo as escadas. Ele colocou a cabeça para fora do portal.

— Eu gosto de verde, principalmente nos olhos. – Deu uma piscadela e voltou a subir as escadas.

Lily revirou os olhos e percebeu que estava com um sorriso bobo no rosto e sem entender direito o que tinha acontecido. Ela recolheu rapidamente seu material e subiu para o dormitório para falar com Dorcas e Marlene.

Remus estava deitado em sua cama lendo distraidamente, Peter já dormia um sono pesado e Sirius usava seu Kit para manutenção de vassouras quando a porta do dormitório se abriu abruptamente assustando os garotos e acordando Peter.

— Não vão acreditar no que aconteceu. – Falou James, que entrava no dormitório com um olhar de excitação e confusão.

— Os Chudley Cannons ganharam o campeonato depois de décadas? – Comentou Sirius largando sua vassoura.

— Que? – James perguntou confuso. – Não! Não tem nada a ver com Quadribol. É a Evans...

— Ah, Prongs... – Suspirou Sirius. – Não é nenhuma novidade ela não querer sair com você. Você precisa superar seguir em frente, sabe.

— Essa é justamente a questão meu caro, Padfoot. Ela aceitou sair comigo amanhã!

— Não pode ser?! – Surpreendeu-se Sirius.

— É sério isso, Prongs? – Questionou Remus.

— Muito obrigado pelo apoio. – Riu James. – Mas sim, é verdade.

— Wow! – Exclamou Peter.

— Eu sempre acreditei em você amigo! – Falou Sirius, empolgado, abraçando James.

— Você literalmente acabou de falar pra eu superar.

— Mas fui eu que incentivei você falar com ela pela primeira vez para início de conversa.

— Como foi que isso aconteceu? – Questionou Remus.

James contou aos amigos a breve conversa que teve com Lily e que tinha combinado de se encontrar com ela em Hogsmead no dia seguinte. Depois de mais um tempo jogando conversa fora, os garotos foram se deitar, mas James demorou para conseguir pegar no sono pensando sobre como seria o dia seguinte.

— E aí? – Perguntou Marlene quando Lily entrou no dormitório feminino.

Ela e Dorcas ficaram esperando a amiga voltar da sala comunal ansiosamente. Lily ainda estava confusa com seus sentimentos e com a conversa que havia tido com James. Se parasse pra pensar bem, ela achava James muito bonito e... simpático talvez. Mas ele sempre fora tão arrogante que ela nem cogitava a ideia de namorar o garoto e agora ela ia sair em um encontro com ele.

— Bom... – Respondeu se sentando junto com as amigas que estavam sentadas na cama de Marlene. – Acho que aceitei sair com ele.

— Amei! – Exclamou Marlene.

— Como assim? – Questionou Dorcas. – Se rendeu ao charme de James Potter?

— Parece que sim, né? – Riu Lily. – Não sei, é tão estranho.

— Amiga, não precisa ter medo de mudar de ideia. – Falou Marlene. — As pessoas mudam, ficam mais maduras, mais bonitas também. Ninguém vai te julgar.

— Tem razão. Acho que vai ser legal... Acho que estou empolgada. – Confessou Lily.

— Eu também estaria se soube-se que ia beijar na boca amanhã. – Disse Dorcas.

— Dorcas! – Exclamou Lily rindo.

As meninas seguiram conversando por mais um tempo até se deitarem, mas Lily demorou para conseguir pegar no sono pensando sobre como seria o dia seguinte.

O sábado amanheceu frio e nublado, mas isso não tirou a empolgação dos alunos que iam para Hogsmead, principalmente os do terceiro ano, que fariam sua primeira visita ao povoado. James estava sentado junto com os amigos tomando café da manhã na mesa da Grifinória e lançava alguns olhares esporádicos para Lily, que estava um pouco mais distante com Marlene e Dorcas, e fingia não perceber que o garoto a olhava.

— E aí? – Perguntou Sirius à James. – Já sabe aonde vai levá-la?

— Hm... Pensei em irmos ao três vassouras. – Respondeu James.

— Não, não, não! – Exclamou Sirius balançando a cabeça negativamente. – Essa pode ser uma chance única para você amigo, precisa fazer direito, não pode desperdiçar.

— Ainda bem que você sempre me motiva, Padfoot.

— Você devia levá-la na Madam Puddifoot's. – Prosseguiu Sirius ignorando o que o amigo dissera.

— Uuuh, Madam Puddifoot's é passagem certa para o romance. – Comentou Peter.

— Tudo bem, posso levá-la lá. – Concluiu James. – Mas eu já tinha dito que ia levá-la no três vassouras... e se ela não gostar de chá?

— Prongs, relaxa. – Falou Remus.

— Veja bem, o roteiro perfeito. – Falou Sirius abrindo as mãos no ar e olhando para cima como se observasse um letreiro. – Primeiro, Madam Puddifoot’s para impressionar e gerar o clima, depois Dedos de Mel para agradar com um bom chocolatinho, Três Vassouras para aquecer com uma cerveja amanteigada e depois beijos na frente da casa dos gritos. Não tem erro.

— Certo! – Falou James confiante. – Estou pronto!

— E claro, não se esqueça de manter uma boa conversa. – Acrescentou Remus.

— Conversa? – James fez uma cara como se estivesse enjoado. Sirius suspirou.

— Não é como se nunca tivesse falado com uma garota. – Disse Sirius impaciente.

— Mas nunca falei com a Evans. E se eu parecer um idiota.

— Realmente, isso não é muito difícil.

Remus e Peter riram e James revirou os olhos.

— É sério, Padfoot.

— É igual falar com qualquer pessoa, vai dar tudo certo. – Aconselhou Remus.

— Acho melhor irmos andando antes que o Prongs desista. – Falou Sirius se levantando.

Os quatro garotos seguiram na direção do saguão de entrada, Lily ainda estava sentada à mesa da Grifinória e James lhe lançou mais uma olhada antes de sair e seguir seu caminho para Hogsmead.

Continua...

Notas finais
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