Contos de Heróis Esquecidos

1 Seleção Natural: Nero 1


Notas iniciais
Primeira história do Nero, que se passa dentro de Seleção Natural.

— Baixar âncora, bando de molengas! — Arno gritou esvaziando os pulmões.

Arrumei a pistola em meu cinto de couro e apertei a mão de meu amigo. Ele me olhou frio, como sempre. Seus olhos azuis emitiam uma única mensagem: volte vivo ou eu te mato.

— Prepare o navio para uma fuga de emergência. Talvez as coisas não saiam como planejado — pedi.

— Vocês ouviram o capitão Nero, estejam a postos. Quem fizer corpo mole irá lavar todo o convés!

Me dirigi à saída do meu navio dando passos largos. As mãos ágeis de meus marujos colocaram a prancha para descer ao porto rapidamente. Nenhum dos bandidos escondidos no breu gélido ousou tentar me atacar, mas eu senti alguns mais corajosos me seguindo pelos telhados das baixas casas de arenito.

Ao dobrar em uma das ruas principais, escondi-me entre um grupo de jovens entusiasmados com seus martelos e machados em mãos. Pela variedade de espécies que caminhavam pela rua pouco iluminada, não chamei a atenção. Com certeza Arno teria sido alguém mais visível, já que era albino. Contudo eu, vestido todo de couro e armado somente com uma cimitarra, não era alguém para se reparar em meio a tantos lutadores. A famosa cidade dos gladiadores me ajudava em minha missão. Aproveitei para perguntar a um dos iniciantes guerreiros onde eu poderia encontrar a casa de Victor. Ele me deu a localização e eu caminhei rumo ao meu alvo.

Logo encontrei o muro gradeado do palácio do meu inimigo venenoso. Alguns sentinelas vigiavam a área, mas não seria difícil passar por eles. O problema seria escalar até uma das sacadas abertas que eu via. As paredes de mármore liso eram um desafio para alguém com dedos grossos como os meus. Eu teria que usar minha corda com gancho.

Porém, para isso, precisaria eliminar qualquer guarda que pudesse me ver atuando como ladrão. Escalei uma árvore próxima ao muro para poder invadir o terreno. Meu salto foi silencioso e direto atrás de uma moita. Certifiquei-me de que ela não estava viva.

Deitei-me no chão e me arrastei para próxima moita. A distância entre mim e os guardas no térreo era grande o bastante para que eles não me vissem. Peguei minha faca de prata e planejei meu ataque.

Os guardas estavam longe um do outro, mas tinham campo de visão entre si. Eu precisaria distraí-los e impedir que eles enxergassem meus ataques. Peguei uma das pequenas bombas de estalo que Kartô havia feito para mim. Acendi o pavio e joguei na moita que eu me escondera antes.

Dois guardas ouviram e vieram ver o que estava acontecendo. Ambas as formigas seguravam lanças de bronze, algo que me dava uma vantagem. Eu teria vantagem se lutasse bem próximo a eles e poderia usar as lanças depois para montar armadilhas para os próximos guardas.

Minhas faca não conseguiria atravessar a blindagem natural dos soldados. Pus meu katar na mão esquerda e preparei minha faca na direita. Eu poderia desviar golpes com a lâmina, mas somente o katar de aço conseguiria furar o exoesqueleto negro.

Sorrateiramente, esperei que os vigilantes passassem por mim e, então, caminhei agachado atrás do segundo. Furei atrás do pescoço, impedindo que ele gritasse. Dei um pulo e ataquei o segundo, que não teve tempo para reagir.

Limpei o sangue da lâmina.

A sorte estava ao meu lado naquela noite. Victor apareceu na sacada que eu planejara alcançar. Peguei minha pistola de longo alcance. Seu cabo dourado não refletia por culpa da pouca luz. Apontei para o cruel escorpião que ria com seu cálice de chumbo. Alguém mais estava com ele, mas fora do meu campo de visão.

Puxei o gatilho e vilão caiu de joelhos sobre a beirada da sacada. O sangue verde escorria pelo buraco da bala. Todos os guardas ficaram alarmados e começaram a vir na direção do som da bala.

Comecei a correr pelo pátio do palácio, desviando de estátuas e pulando sobre muretas. Ouvi gritos de comando da outra pessoa que estava na sacada e lanças passaram rente a mim. O cogumelo que mais parecia um chapéu em cima da minha cabeça não ajudava a me tornar um alvo menor.

Uma carroça estava próxima a um dos pilares que serviam de suporte para as grades do muro. Era essa minha chance. Pulei nos caixotes e aproveitei o embalo para me jogar sobre a estrutura de mármore. Olhei para trás e vi meu próximo alvo. O homem na sacada era um humano ruivo e, pela jaqueta vermelha do exército, eu sabia de onde ele era.

Caí para a rua e disparei em direção ao porto. Como ordenado, meu navio estava preparado para sair. Gritei de longe para que começassem a soltar as velas enquanto eu corria os últimos metros. A pantera albina estendeu a mão para me ajudar a subir quando eu saltei para dentro do Gênese.

— Feito? — ele perguntou.

— Eu gastei uma bala — respondi.

— E acertou?

Dei um sorriso em direção ao meu velho amigo.

— Você sabe que eu nunca erro.

Notas finais
Eu sei, foi difícil entender, mas terão outras histórias com ele. Com o tempo vocês entenderão... eu espero.