Contos de Gabriel
3 O Barco Mais Brilhante
Certa vez, existiu um rapaz que amava muito sua família. Ele trabalhava duro para que não faltasse nada às suas filhas enquanto a mãe cuidava das moças em casa, dando-lhes muito carinho e atenção. O pai, por sua vez, trabalhava tanto que não tinha tempo para isso. Sempre ocupado, demonstrava seu amor através dos presentes que comprava com o ouro conquistado.
Os dias se passaram e a necessidade de conseguir mais ouro só aumentou. Aumentou de certa forma, que o rapaz esqueceu-se do objetivo pelo qual trabalhava, e os presentes deixaram de ter significado. Passaram a ser algo sem importância, mas que ele não deixava de fazer.
Quando morreu e viu-se diante do rio que liga o mundo da vida ao da morte, Caronte, o barqueiro responsável pela travessia dos recém-mortos, lhe abordou. Pediu-lhe gentilmente que pagasse a viagem com uma moeda e então mostrou-lhe o barco no qual deveria embarcar para passar a eternidade.
Ao ver que o barco estava carregado de ouro, o homem indagou pelo motivo disso. Foi informado então que os barcos de todas pessoas eram preenchidos com o que mais era importante para elas em vida, para que passassem a eternidade com o que era precioso para si. Caronte já estava acostumado com aquela situação, então logo tratou de completar, dizendo-lhe: você não pode mais tirar o ouro daí, tampouco mudar-se para o barco de outras pessoas. O delas também já estão cheios demais, e nenhuma dessas coisas é você.
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