Contos de Fallen
1 Primeiro encontro de Luce e Daniel
Notas iniciais
–Você não para de pensar nele, não é?
–Não sei do que você está falando. — Luce já perdeu a conta de quantas vezes teve essa conversa com Nora.
–Ah, sabe sim. Você fica toda alegrinha quando alguém fala nele. — Um sorriso malicioso se forma nos lábios dela. — Qual é mesmo o nome dele? Danilo?
–Daniel.
Nora dá uma risadinha e volta a pintar as unhas dos pés de Luce, enquanto ela volta a olhar pela janela.
–Eu só o vi algumas vezes desde aquela noite. Mas...
–Mas...?
Luce respira fundo e desvia o olhar, envergonhada.
–Mas, eu sinto que... Não sei. Quer dizer, é como se... Olha, eu sei que vai parecer estranho, mas é como se eu já o conhecesse a mais tempo.
–Luce, eu te conheço a pouco tempo, mas eu gosto de você, e não quero que você se machuque...
–Não vou.
–... e você nem conhece esse garoto direito!
–Bem, conheço o que preciso.
–Você nem sabe se ele é um psicopata!
–O que aconteceu com a Nora que era a favor de me fazer viver minha vida adolescente?
–Uma coisa é você se pegar com um garoto em uma festa, outra coisa muito diferente é você conversar com um garoto umas cinco vezes e já está apaixonada.
–Eu nunca disse que estou apaixonada por ele.
–Não é o que parece. Terminei. — Nora se levanta para analisar seu impecável trabalho. As unhas dos pés recém pintadas (pela terceira vez em duas semanas) de Luce.
–Bom trabalho. — Luce dá um sorrisinho
–Então... você está apaixonada por ele?
Bem quando Luce ia falar algo a respeito, o seu celular começa a tocar.
–Alô?
–Luce?
–Daniel! — Luce não conseguiu disfarçar sua empolgação ao reconhecer a voz do outro lado da linha.
–Tudo bem com você?
–Sim... e com você?
–Melhor agora. — Parecia até que Luce podia ouvir Daniel sorrindo. — Então... eu passei horas olhando para o seu número, mas não tinha muita certeza se eu devia ligar. Uma parte de mim achava que você tinha me dado o número errado.
–E a outra parte?
–Bom, a outra parte achava que você não queria falar comigo.
–Hum...
–Você pode falar agora? Ou está ocupada?
–Depende. Se você considerar uma festa do pijama "ocupada"...
Quando Daniel riu, Luce sentiu coração, que já estava disparado desde que ouviu a voz dele, acelerar ainda mais. Se é que isso é possível.
–Então eu vou direto ao ponto, assim você pode voltar para a sua festa do pijama. — Mas uma risadinha. — Você quer sair comigo amanhã a noite?
Uma pausa. Luce sentia que seu coração ia sair pulando do seu peito.
–Claro.
–O.k. — Um suspiro. — Pela demora achei que você fosse dizer "não". Te pego às sete?
–Sim. Claro. Às sete.
–Até amanhã, Lucinda- Diz Daniel com um tom sedutor.
–Até amanhã, Daniel.
Silêncio.
–Desliga você. — Diz Daniel rindo.
–Não, desliga você.
–Não, você. — Mais umas risada.
–Se nenhum dos dois desligar, eu vou! — Grita Nora, alto o bastante para Daniel escutar. E rir.
–Diga a ela que eu não vou desligar.
–Ele disse que não vai desligar.
–Vocês tem cinco minutos para se despedirem!
–Acho que isso foi uma ameaça. — Diz Daniel e continua rindo.
–Até amanhã, Daniel.
–Até amanhã, Luce. Às sete.
–Às sete.
–Estarei contando os minutos.
E então Daniel desliga e Luce fica encarando o celular e se sentindo tão feliz que não consegue se concentrar em outra coisa que não seja Daniel. E que amanhã a noite, ela estará ao lado dele.
E por muitas vezes Nora tem chamar a atenção de Luce e repetir várias vezes a mesma pergunta. E em alguma momento ela faz piadas sobre o efeito que Daniel tem sobre ela, ou que ele a enfeitiçou, mas nada disso importa. Por que amanhã ela tem um encontro com Daniel.
***
Na manhã seguinte, tudo o que Luce consegue pensar é Daniel. Seu cabelo loiro, seus olhos de um tom violenta, que nem parecem ser reais, e seu sorriso.
Tudo em Daniel é tão perfeito. Como se ele fosse um Deus Grego, ou até mesmo um anjo.
***
Às sete horas em ponto, Luce já está pronta e muito ansiosa. Será que é ao lado de Daniel que Luce finalmente vai encontrar um sentido para sua vida? Ou...
–Você está linda. — Diz Daniel assim que a vê. E então dá um beijo suave em sua mão.
–Você também não está nada mal.
Na verdade Daniel estava parecendo um modelo. Todo de preto, exceto por um cachecol vermelho que estava envolto em seu pescoço. Algo na maneira como ele estava vestido era quase... familiar. Mesmo Luce tendo certeza que nunca o tinha visto vestido daquela forma.
Antes que Luce começasse a achar que estava enlouquecendo, Daniel sorriu e falou:
–Está pronta para ter a melhor noite da sua vida?
–Nunca estive mais pronta.
***
–Essa é a grande surpresa?- Pergunta Luce rindo.
Daniel estacionou o carro em frente ao mar (que estava impecavelmente perfeito à luz da lua), e estava estendendo sua jaqueta preta no capô.
–O que eu posso fazer? — Diz Daniel com um sorriso. — Sou um romântico.
E ele estava certo. Todo o clima do encontro estava romântico. A lua, o mar a noite e o próprio Daniel. Luce estava com o coração martelando no peito, e tinha certeza que Daniel podia ouvi-lo.
–Enfim, eu trouxe a comida mais romântica também. Hambúrguer!
–Hambúrguer?
–O quê? É prático e uma delícia.
–Concordo com a última parte, mas... O que o hambúrguer tem de romântico?
–Não sei. Mas eu prometi uma noite inesquecível e tenho certeza que pelo menos isso — ele aponta para o hambúrguer — você nunca vai esquecer.
–Eu nunca vou esquecer nada que fizermos juntos.
Daniel olha para Luce com uma intensidade palpável. E Luce se deixar levar pelo momento perfeito, que aquele garoto de olhos violeta lhe proporcionou.
E quando Daniel se aproxima de Luce e acaricia seu rosto, ela não consegue tirar da cabeça como seria ser beijada por ele.
***
As horas seguintes passando voando. Daniel e Luce conversam sobre tudo. Os pais, a infância, o colégio, o que estão achando da faculdade e o que esperam para o futuro.
E é quando os primeiros raios do sol começam a aparecer no horizonte que Daniel a beija. No começo de leve, mas depois o beijo fica mais urgente, como se eles tivessem passado anos separados e finalmente tivessem se reencontrado. E não um reencontro físico, mas, como se as almas deles estivessem a procura uma da outra, e enfim, estivessem juntas novamente. E dessa vez, não quisessem se separar, nunca mais.
E eles se beijam de novo, e de novo, e de novo e de novo, como se estivessem tentando recuperar o tempo perdido.
–Você acredita em almas gêmeas? — Pergunta Daniel.
–Por quê?
–Sei que vai parecer loucura, mas, agora, aqui, com você. Eu sinto como se finalmente tivesse encontrado algo que passei séculos buscando. Eu sinto como se já tivesse te perdido várias e várias vezes, mas finamente tivesse te encontrado de uma maneira mais... Não sei explicar. É como se eu finalmente tivesse encontrado o que sempre busquei e quando e quando encontrava, perdia. e então eu ia procurar de novo, e de novo, por que não conseguia viver sem isso. — Ele desvia o olhar para o mar e sorri. — Na verdade, eu tenho a impressão que sempre procurei por você. E agora que encontrei, me sinto completo.
–Daniel, eu... me sinto da mesma forma. — Luce tenta limpar as lágrimas que se formaram em seus olhos enquanto Daniel falava. — Como se... eu sempre estivesse a sua espera. Esperando que você me encontrasse. E agora você apareceu na minha vida e do nada transformou ela por completo. E para sempre. Você é o meu anjo, Daniel.
–Você também é o meu anjo, Lucinda.
E eles se beijaram, porém, dessa vez foi mais calmo, não como um reencontro, mas como uma promessa. Uma promessa de uma vida cheia de momentos como aquele.
–Obrigada por me encontrar. — Sussurrou Luce.
–Eu não ia parar, até te encontrar.
Notas finais
O próximo capítulo será sobre Shelby e Miles.
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