É, realmente, a água estava fria, e isso contribuiu ainda mais para o desespero de Brisa. Ela se debatia e tentava subir para a superfície, mas só o que conseguia era afundar mais. Isso me levou à conclusão de que Brisa não sabia nadar.

Amana tinha falado de uma estradinha e eu já podia vê-la no fundo do rio. A água era mais clara ao redor dela, como se ali houvesse oxigênio. Eu precisava levar Brisa até lá com urgência, ou ela morreria afogada. Então, segurei os pulsos dela e fiz com que ela olhasse nos meus olhos. Naquele momento, pude ver o que ela estava sentindo: desespero. O E-View mostrava uma Brisa que já não conseguia nadar para a superfície e que afundava lentamente em direção ao fundo do rio.

Balancei a cabeça e voltei à realidade. Eu ainda segurava os pulsos de Brisa, mas ela não se debatia tanto, coisa que me ajudou. Apontei para a estrada no fundo do lado e comecei a nadar, puxando Brisa comigo. Ela tentava nadar, mas não sabia. Porém, isso não era problema. Brisa era leve e o rio não era não profundo assim. Sendo assim, consegui chegar até a estrada sem dificuldade.

Assim que entrei na bolha, consegui respirar normalmente, mas percebi que ainda estava embaixo d'água. Eu ainda sentia os efeitos do empuxo — o corpo ligeiramente mais leve — e pequenas bolhas saíam da minha boca e nariz quando eu respirava, sem falar nas roupas que flutuavam um pouco. Minha camisa estava me deixando constrangido. Brisa parecia ter percebido as mesmas coisas que eu e tirava sua capa verde, que flutuava atrás de suas costas. Ela estava bem mais calma, mas evitava olhar para mim. Isso me deixou incomodado, então puxei assunto.

– Ei — falei e, para minha surpresa, minha voz estava perfeitamente normal, como se eu nem estivesse debaixo d'água — o que foi? Você tá bem, não tá?

– Tô sim — ela respondeu, ainda sem me olhar.

– Então por que está evitando olhar para mim?

Após essa pergunta, um silêncio terrível ficou impregnado em todos os cantos daquele lugar. O único som audível era o barulho das bolhas que eram formadas quando eu e Brisa respirávamos. Eu estava bastante incomodado. Talvez Brisa também estivesse, porque foi ela quem recomeçou a conversa.

– Desculpe por aquilo — ela sussurrou, agora olhando para mim.

– Pelo quê? — indaguei.

– Você sabe... por ficar me debatendo, por tentar voltar para a superfície... Pelo E-View...

– Fica calma — falei, empurrando de leve a testa dela com o indicador — Eu faria o mesmo, se não soubesse nadar.

– Ah, então você percebeu que eu não sei nadar...

– Percebi, mas isso não é algo para se ter vergonha.

– Claro que não, se eu levar em conta que a camisa de alguém está querendo ir embora.

Eu não sei como não notei, mas minha camisa já estava flutuando bem acima do abdome, mostrando toda a minha barriga e fazendo com que eu ficasse inteiramente vermelho.

– Não é porque você está no fundo de um rio que precisa ir tirando a roupa, Cássio — disse Brisa, segurando o riso.

– Não diga que você não gostou — falei, tentando parecer bem com a situação.

– Não direi — Brisa respondeu com um sorriso.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.