Contos de Amorzinho

2 Meu primeiro beijo!


Eu beijei pela primeira vez aos 13 anos, ok é estranho eu começar contando dessa forma não é? Acontece que o meu primeiro beijo –assim como o deu outras pessoas- não foi um primeiro beijo qualquer, no momento em que nossos lábios se tocaram começou a chover, acho que até os céus pensaram “até que enfim”, mas é melhor eu detalhar para vocês entenderem o porquê dele ter sido tão especial.

Quando eu estava no 6º ano me “apaixonei” por um menino da minha escola, ele era mais novo que eu, tinha 12 e eu 13, mas isso não fazia diferença nenhuma, aconteceu da seguinte forma: esbarramo-nos no corredor, nos encaramos e pronto, nos apaixonamos, rápido não é? Amores da pré-adolescência são assim mesmo, acontecem do dia pra noite sem a gente perceber.

Depois disso passamos a trocar cartinhas de amor desse tipo:

“Eu gosto muito de você.

Eu gosto muito de te ver na escola.

Eu te amo.”

Era pelo menos uma carta por semana, e todas que eram escritas deveriam ser respondidas pelo outro, passamos um ano sem nos falar pessoalmente, só nos conhecíamos através de palavras escritas que viraram rotina nos meus dias daquela época, trocamos fotos, sorrisos tímidos e olhares infantis.

No finzinho do ano ele me mandou a última carta que eu receberia e ao final dela estava escrito:

“Eu vou mudar de cidade, ano que vem não vou mais estudar aqui, vou sentir sua falta, eu gosto muito de você”.

Perguntei aos amigos dele se era verdade e eles disseram que sim, que ele ia realmente se mudar no ultimo dia de aula e meu coração ficou apertadinho só de imaginar ele longe de mim, não iria receber mais nenhuma cartinha, mas o que me deixou ainda mais triste foi o fato de nunca termos conversado pessoalmente.

“Ele vai embora e eu nem ao menos conversei com ele”.

Foi o que eu disse às minhas amigas em meio a lágrimas no ultimo dia de aula e rapidamente elas bolaram um plano, foram até ele e combinaram de ele me esperar em um local próximo a escola, o local era um pouco isolado e enquanto eu caminhava para lá junto com elas sentia minha barriga embrulhar, eu estava entusiasmada e nervosa ao mesmo tempo, quando cheguei e o vi sentado olhando para o horizonte imaginei o que poderia estar se passando pela cabeça dele, será que ele estava tão nervoso quanto eu?

‘Oi’ – Eu disse assim que me sentei ao sei lado.

‘Oi’ – Ele respondeu um pouco tímido.

Olhei pra trás e lá estavam as duas, escondidas atrás de uma árvore, pedi para que não me deixassem sozinha ali e elas respeitaram.

Conversarmos bastante sobre assuntos que nunca tinham sido mencionados nas nossas cartas, como a nossa família, os amigos a escola, o que a gente gostava de fazer, nossas brincadeiras favoritas e tudo mais, acho que conversamos demais, o céu estava meio escuro e uma das minhas amigas se aproximou e disse:

‘Vocês vão ficar apenas conversando? Daqui a pouco vai chover e a gente tem que ir pra casa’.

Sorri sem graça e pedi que ela esperasse mais um pouquinho, ela entendeu o recado e voltou para trás da árvore.

Olhei pra ele, com certeza estava vermelha como um pimentão, aproximamos nossas bocas lentamente e nos beijamos, foi um beijo do tipo selinho, tão inocente e ao mesmo tempo tão importante para mim, o mais engraçado é que minha amiga tinha razão, iria chover a qualquer momento, e choveu, bem na hora em que nossos lábios se descolaram senti os primeiro pingos sobre minha pele, rimos um para o outro e nos despedimos.

Depois daquele dia nunca mais conversamos, às vezes eu me pego pensando nele, aquele menino tão bonitinho com quem eu troquei cartas durante um ano, aquele menino bonitinho que vai ser para sempre o dono do meu primeiro beijo.

O meu primeiro beijo.

Notas finais
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