Contos de Amor
12 Capítulo 12
Notas iniciais
23h40min
De um devaneio ela acordou
Finalmente despertou
De barriga para cima
Sentia a madeira do estrado
Incomodar a sua espinha
Mas não se moveu
O teto era interessante demais
Queria morrer jamais
00h40min
Ainda sem dormir
Na pequena cama se remexeu
O sangue escorreu
Mesmo assim não se moveu
01h40min
Agora já dormindo
Viu um lugar lindo
Era um quarto pequenino
Todo pintado de branco
Acolhia um ninho
Um berço de criança
Oh, que esperança!
02h40min
O choro não tocou
Na metade o choro se estragou
A morte voou
A criança morreu
Como triste fiquei
03h40min
Acordei do pesadelo
Hora morta
Não sei o que fazer
Um comprimido
Dois comprimidos
Um calmante a mais
Não encontro a paz
04h40min
Ainda não dormi
Os pensamentos dançam
O sangue se esparrama
A morte me chama
05h00min
Finalmente o sol chegou
Mas meu sangue não parou
Meu coração chora
E não responde
Não encontro onde
Quero morrer
06h40min
Mudei de ideia
Não quero morrer
Aqui quero ficar
Correr e brincar
Apenas respirar
07h40min
Enfim levantei
Os pés no chão encostei
A poça se erguia em minha frente
Líquido já gelado
Sem me importar
Na cozinha entrei
Uma dose de chá tomei
08h40min
O chuveiro me cobria
A água me lavava
O sangue seco se desmanchava
Braços, pernas, tronco e cabelo
Tudo livrado do vermelho
09h40min
De casa saí
Um novo dia começava
Que ilusão
Sorrir assim arde
E eu me digo: desabafe
Porém, sei que não posso
Forte tenho que ser
Para assim te proteger
10h40min
No meu canto imaginário me encolhi
Ninguém na roda me percebia
Invisível eu vivia
Ainda relutante
Me protegia
11h40min
Estou lutando
Estou me desfazendo
Minha mente tenho de ocupar
Me esforçar para não falar
Tenho medo do que posso dizer
Alma começa a arder
12h40min
Hora do almoço
Mas fome não tenho
Só quero dormir
No meu canto ruir
Essa pressão esmaga
E então tudo para
13h40min
A tarde chegou
E tudo então queimou
O fogo lambia
Os gritos ecoavam
Num canto me encolhi
Ali sofri
14h40min
Fumaça
Tudo o que eu via
As almas perdidas
15h40min
Meu caminho tomei
Cambaleando pelas ruas
Descalça no asfalto
Precisava de um abraço
Todos dizem:
És uma mulher forte
Mas nem chegam a imaginar
Quantas lágrimas derramei
16h40min
Em casa entrei
Atirei a bolsa no sofá
Uma piscina vermelha
Nela me afundei
E ali repousei
17h40min
Respirando fundo saí de casa
Olhando para cada canto
Procurando os teus castanhos
Os achei tarde demais
Mirados em outros estavam
18h40min
Engoli profundamente para não sangrar
Mas da sua visão meus olhos não conseguem desviar
Tudo o que eu vejo é você
Em você é perfeito
Até mesmo os trejeitos
19h40min
Para casa voltei
Agora as paredes sangravam
As lágrimas pingavam
Deitei no chão
Coração e escuridão
20h40min
Hora de levantar
Meu corpo me dizia
Vou te ignorar
Não quero levantar
Não agora.
Mas mesmo assim me levanto
E devagar canto
A melodia se espalha
A rima cria vida
Não estou mais sozinha
21h40min
Com você conversei
Por alguma estranha razão
Para seu número liguei
Sua voz escutei
Mas sei que antes chorava
Sou mais atenta que você
22h40min
Meu fim do mundo
Vou continuar aqui
Vou cair por você
23h40min
De um devaneio ela despertou
Finalmente acordou
Não vai doer
Já está doendo.
Fale com o autor