Busquei mais de mil explicações

Para poder ao menos compreender

O que sinto quando o vejo partir

Nenhuma que fale de tais emoções

Porque embora as palavras estejam vivas de poder

Nem sempre conseguem descrever

O que eu, e você, humanos.

Pois somos vazios, de razão ou consciência.

Devia ser uma escolha de ciência

Uma questão de presença

Buscarmos respostas para o amor

Para a tristeza e saudade

Que nos perseguem e aparecem com a idade

Ou então o medo

Que nos paralisa fixos com os pés no chão

Sem ao menos nos dar chance de luta

Ou até mesmo ação

Por que quando tu se vais

Deixe-me o porquê, me deixe saber.

Sinto a morte a habitar o meu ser

Como se fosse impossível respirar

Andar, caminhar, incluindo sonhar.

Viver

Ainda não sei como pude viver

Não achei livro ou texto

Ou até mesmo sábio filósofo

Que inteligentemente filosofou

Sobre o amor

Cientistas, artistas ou açougueiros.

Nem mesmo eu

Nenhum desses soube me dizer por que me sinto num braseiro

Aqui então, nessa canção.

Horas depois da sua partida

Que rima e é complacente com ida

Vejo e veja então o que eu perdi

Quando não te impedi de ir

Sem beijar suas mãos

Estranhamente sempre quentes

Em choque com minhas finas

Normalmente frias

Um choque de lábios talvez

Os meus afobados e desejosos

Os seus tímidos e jocosos

Mas, você nunca vai voltar.

E eu para sempre hei de lhe esperar.