Contos de Altamir
21 Capítulo 21
Ano dez — Vila dos Selos , Floresta Amaldiçoada
Já estava vestida com o manto de lã quando apareceu naquele lugar, com a espada embainhada e presa no seu cinto. Correu em direção a Enric sem prestar atenção em mais nada, ajoelhou-se ao lado dele e perdeu o fôlego ao olha-lo. Havia uma poça vermelha ao seu redor e ela pensou que estivesse morto. Lara tremia assustada. Olhou para os lados e percebeu onde estava.A vila dos selos estava quase completamente incendiada, exceto pela casa central, que se manteve intacta. Cinzas caiam sobre eles, ela verificou se ainda estava vivo, aproximou seu rosto e sentiu a respiração fraca.-Me desculpe – sussurrou. Ela fez um movimento brusco pra traz – não chegaremos primeiro.Ele está tão perto da morte, como pode ainda pensar nessa disputa? Pensou ela.-O que aconteceu aqui? O que é toda essa destruição?-Fogo – suspirou pesadamente – o fogo que queima almas – falava lentamente, e com grandes pausas para respirar – fogo de dragão... De dois dragões – tossiu e respingou sangue na roupa dela.-Não fale! Só vai aumentar os sangramentos!-Sei que não vou morrer aqui, as feridas já estão se fechando, posso sentir – sua voz soava aparvalhada.-Não fale besteiras, você está tossindo sangue! Provavelmente teve algum órgão perfurado.-Muitos! – tossiu novamente, mas dessa vez não houve sangue. Fechou os olhos e riu debochado – pelo menos eu o matei – tinha dificuldade de manter-se acordado.-Quem você matou?-Apollyon... Eu matei meu pai.-Do que você está falando? Seu pai morreu há muito tempo – ele desmaiou – Enric! Acorde! – pegou pelos ombros e o sacudiu com vigor, até que da mão dele caiu uma pedra. Era vermelha, escarlate como os olhos dele. Quando pegou a pedra, notou que pouco ao lado havia um objeto branco de vinte e cinco centímetros, na forma de um canino. Era um dente.Apanhou do chão com cuidado e examinou por alguns instantes. Tinha realmente a forma de um dente, no entanto, parecia muito mais resistente. Afiado como uma espada, e brilhante como vidro. Além disso, podia sentir uma emanação de energia dentro do objeto. Guardou em um bolso por baixo do manto, tanto o amuleto quanto o dente e se virou para Enric.Lara tinha habilidades básicas de cura, magia de iniciante, que lhe seria muito útil agora.Tirou o manto de lã e notou que as feridas já estavam estancadas, ainda tinham cor viva, de carne cortada recentemente, no entanto, já não sangravam. O que mais lhe chamou atenção foi uma ferida que tinha nas costas, muito profunda e do mesmo diâmetro do dente, provavelmente foi assim que ele foi arrancado, pensou ela. Rasgou um pedaço de seu manto e fez uma limpeza superficial usando o cantil de água que trazia consigo.Enric tinha um porte razoável, pele acobreada e cabelo negro curto. Era um corpo muito marcado por cicatrizes de fogo. A orelha deformada era o que mais incomodava Lara, um ferimento causado pelo próprio pai dele. Ela só conseguia pensar em o que ele queria dizer com “matei meu pai”.A pele dele é dura, parece couro de um animal de grande porte. Não... É muito mais Grossa, e escamada! É pele de dragão!Após limpar suas feridas, ficou observando a maior nas suas costas, era como se diminuísse enquanto olhava.-Olha o tamanho dessa ferida, você deveria estar morto – dizia para o homem desacordado – tenho que tirar você daqui antes que...-Antes que chegue alguém pra matar vocês dois? – um calafrio atravessou Lara. A voz desconhecida vinha de traz de si. Não se virou. Primeiro ajeitou o corpo desmaiado de Enric.-Se for embora agora, pouparei sua vida – levantou-se ainda de costas, deixando o manto cair. Pôs a mão direita no punho da espada. Estava à esquerda de seu corpo, e só agora ela notou que tanto a guarda quanto o pomo havia mudado. No pomo agora havia uma pedra azul escuro com formato parecido com o amuleto de onde a espada surgiu, no entanto, menor. A guarda, simples e achatada, não chegava a ter quinze centímetros de diâmetro. Uma forma mais apropriada para uma espada de duas mãos (uma Catana longa, levemente curvada), com um punho estável e um formato simples, que transparecia sobriedade.-Nos dê o amuleto, não queremos machucar uma moça perdida na floresta – um outro homem sorriu e ela teve certeza de que eram participantes da competição.Lara se virou lentamente sacando a espada. Posicionou sua arma ao lado do corpo e olhou diretamente para os adversários: Sunny Shine e Julian Marin.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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