Notas iniciais
Devo adicionar que quando teve toda aquela coisa do terceiro livro, minha decepção sobre ele poderia ser menor se tivesse alguma festividade natalina, mas nãooo... O livro acabou daquele jeito que eu tive que descontar em algo e deu nessa one-shot. "Mas se tivesse a comemoração de natal, não teria tudo o que aconteceu? Eles estavam quase em guerra" Vou repetir, me decepcionei com o terceiro livro, eu sei que tinha várias tretas, but... Eu queria fazer algo para não deixar de lado a memória da Seleção. Espero que gostem! Enjoy!

Os corredores do palácio estavam repletos de servos e concentrados em suas devidas tarefas, como eu era o príncipe de Iléa, tinha que ser o exemplo e fazer meus deveres que futuramente um rei deveria seguir, mas a pressão que se seguia em minhas costas por conta de meu pai, dos súditos e das selecionadas, deixavam-me suando frio... E a questão que conseguia com que todos os meus nervos volta-sem ao lugar era um nome: America.

Dos poucos encontros que tivemos durante esse mês, só de refletir o nome dela em minha cabeça, vinha a questão de que se tudo ainda estava durando e minha mente não tinha explodido, era por causa dela... Com os olhos verdes que lembravam algo tão bom e que eu mesmo não conseguiria alcançar, America ainda mantinha um bom senso e uma filosofia de que eu seria um bom rei, talvez seja precipitação por parte da mesma.

Os enfeites começavam a cobrir os corredores e as pressas, voltava ao terceiro andar — andar da família real — em um chamado de meu pai, o rei Clarkson.

— Entre... Já mencionei e não voltarei repetir uma segunda vez general Turner, se o povo começar a preocupar-se mais que o devido, começaram a questionar o quão importante somos. Não levantem suspeitas e que fique claro, as patrulhas a noite devem ser mais rigorosas — Com uma voz imponente, o general concordou e saiu da sala — Terei uma viagem para o império Italiano, querem firmar uma aliança e preciso de ordem enquanto as coisas ainda tentam se constituir pelo palácio.

— Entendo pai, mas...

— Mas? — Indagou, com o cenho franzido e desconfiado.

— Não seria arriscado partir em meados de um feriado importante do antigo império? — Perguntei preocupado, mas mantendo a postura que foi-me ensinada.

— Não importa, a engraçadinha da selecionada de casta cinco fez algo que preste e que se tenha desconfiança, mas seria um desperdício jogar essa chance fora — Respondeu indiferente, mas ríspido — Enquanto estiver fora, não quero nenhuma palhaçada envolvendo aquela garota, ou será o fim dela como uma quase "princesa".

Concordei sem pestanejar e dando caminho, olhei ele sumir pelo corredor e ouvia os passos ecoarem até não restar nada.

Suspirei cansado e relaxei os ombros, sempre era assim, diálogos tensos e olhares severos. Perguntava a mim mesmo se minha mãe tinha passado pelo mesmo. Mas aquela era uma boa oportunidade e com o pouco tempo que conseguiria investir, voltei ao segundo andar para o quarto de minha "querida".

— Maxon? — uma voz gentil chamou minha atenção, fazendo-me virar e ver uma jovem que podia ter minha idade. Kriss.

— Olá minha querida, que bom vê-la — esbocei o meu melhor sorriso, indo de encontro a ela e ver que a mesma tinha o rosto corado — Eu gostaria de conversar com a senhorita America, por acaso a viu por aqui?

— América? Está no salão das mulheres com a garotas, conversando com a rainha Amberly — falou num tom sútil, sorrindo e pegando meu braço e envolvendo com o dela — Mas fizemos uma pergunta entre nós e queríamos que aprovasse.

— O que vocês quatro andam aprontando? — perguntei com humor, vendo dar um leve risada.

— Gostaríamos muito que tivesse uma pequena comemoração de Natal, Maxon — Falou — Mesmo com todos os ataques dos rebeldes, gostaríamos de algo para dar esperança, pois é o que essa data comemorativa faz, dá esperança aqueles que não tem ao que se agarrar.

— Entendo... — Respondi pensativo, não era uma ideia ruim, mas pelo que o próprio rei Maxon tinha dito, nada de confusões enquanto estiver fora — Verei o que posso fazer, com os enfeites de Natal, e todos querendo algo da família real, vejo que depois das entrevistas que ocorreram, suponho que não queiram aparecer como centro atrativo.

— Não nos julgue, mas quem sofre mais nessa questão é a própria America, se não permitir, teremos que sequestra-lo e leva-lo para uma festa surpresa — com um sorriso maroto, atraindo uma risada minha — Mas Maxon, gostaríamos de algo apenas nosso, sem câmeras e milhares de olhares — pediu, quase como uma suplica.

Começara a entender seu ponto, pedi para ela que espera-se uma resposta e que logo informaria a ela as outras três selecionadas.

Como não poderia atrair suspeitas, tive que ter uma conversa com minha amada America e com suas empregadas, pois elas seriam de grande ajuda.

— Deixe-me ver se entendi, você quer que minhas amigas ajudem a trazer comida escondida para comemorarmos o Natal? — América perguntou um pouco perplexa.

Tive que ir ao quarto dela apenas no anoitecer, logo depois do jantar. Não atrairia tantas suspeitas se eu tivesse dado a bela desculpa de que estaria no escritório do rei para pegar apenas alguns documentos. Quando cheguei a bater na porta do quarto dela, a mesma recebeu-me com surpresa e logo fui acolhido.

As empregadas dela não chegaram a sair, pois pedi para que as mesmas ficassem e ouvissem tudo.

— Foi a Kriss que lhe informou não é? — Suspirou longamente, levantando-se e andando até uma de suas criadas estava — Sabe que seria perigoso se seu pai, o rei descobrisse, não seria apenas eu a sofrer as consequências.

— Eu sei, mas queremos manter a discrição não é? — Perguntei, dando uma piscadela para a mesma e vendo a sorrir cúmplice.

— Então terá uma festa particular com vocês e nossa senhorita América? — Uma das criadas perguntou, chamando nossa atenção.

— E uma coisa melhor Anne, vocês irão participar — Adicionou, América — Elas podem, não é Maxon?

— Claro que podem! — Respondi com um sorriso, atraindo o sorriso das três e uma risada de America.

Como planejado, todas se empenhavam em ajudar de alguma forma, mesmo com as constantes brigas entre as mesmas, essas por agora esquecidas de lado já que todas pareciam bem próximas. Estranho, mas melhor do que nada.

Exigir do auxiliares do cozinheiro que ajudassem ou até mesma as criadas das selecionadas, tiveram complicações quando a rainha e minha mãe perguntava com humor o que estávamos aprontando, e eu ouvia de longe a resposta de todas que não era nada demais. Não era uma mentira, era como se fosse uma.

Chegado o dia, apenas a noite elas se permitiram burlar o toque de recolher e se reunirem no quarto da America e como um bom príncipe, chegava lá e acompanhava as criadas de levarem pequenos pratos de comida, variadas

— Vamos aproveitar e que se sirvam da torta de morango, é a melhor e Anne sabe fazer a melhor — Apontava para uma das criadas e eu sorri para a mesma, agradecendo e comendo a torta.

O que não faltava era assunto, contos de como as garotas passavam sua rotina antes de vir para o palácio, quando Celeste comentava algo sobre modelos e outras coisas, Kriss e America trocavam olhares cúmplices, eu tinha apenas que rir com isso e tentar não ser tão mal educado.

— O que esta acontecendo aqui? — Uma nova voz adentrou o cômodo e receosa, eu já tinha um palpite de quem seria. Minha mãe, a rainha.

— Majestade! — Uma das selecionadas falou exasperada e todas levantaram-se para reverenciaram-na.

— Olá mãe, quer participar? — Não seria uma das melhores ideias convidar a rainha para um festa natalina escondida de todos e de tudo, mas ela era acima de tudo minha mãe e não faltaria com o respeito de não perguntar — Tem pouco, mas saberemos dividir igualmente. Anne — Apontei para a amiga/criada de America — Preparou uma ótima torta de morango.

— Pelo visto estas sabendo aproveitar bem o seu tempo Maxon — Seu olhar pousou sobre mim, severamente, mas um sorriso gracioso cresceu e com seu enorme vestido, sentou-se na beirada da cama do cômodo de America — Por que ainda estão de pé e quietas? Continuem, estou apenas de passagem.

Todas suspiraram e voltaram para suas posições, trocando conversas e eu apenas as observava, quando tudo aquilo acabasse, o palácio com toda certeza ficaria vazio.

A meia noite, quando a data de Natal era certa, todas desejaram felicidade e a melhor daquela noite foi a frase da America.

"Queria que essa noite não acabasse"

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!