Contos da Gracidea
1 Prólogo 1
Notas iniciais
Sat nasceu em Floaroma, em um dia como outro qualquer na família Belzenia. Seus pais eram a família mais bem sucedida dali, já que eram os produtores e vendedores do mel famoso de Sinnoh, mas isso não significava muito, afinal era uma cidade pequena e basicamente turística. Ele era uma criança e um adolescente alegre, sempre cercado de gente, um tanto quanto despreocupado.
No meio do ano, na época de maior atividade na cidade, quando as Gracideas floriam e os moradores as colhiam, uma tragédia aconteceu. O velho senhor que era o dono do PokéMart teve um infarto e veio a falecer, e portanto, o lugar ficou vazio, os moradores continuaram a cuidar da higiene da lojinha e da saúde do Bellsprout que pertencia ao senhor que ali morava durante mais um mês, até que uma família chegou para morar ali e tomar conta da lojinha, a pequena família de três pessoas da filha do senhor.
Acabaram por se instalar ali de maneira sucinta, sendo muito bem-vindos por todos, afinal, em uma cidade pequena não é bom ser fechado. O nome daquela família era Marlon, vieram de Hoenn, mais especificamente Slateport, após receberem a notícia demoraram aproximadamente um mês para se transferirem para o novo continente. Adam, o único filho do casal, tinha um ano a mais de idade que Sat, dessa forma, acabaram se tornando amigos facilmente.
– Olá! – Sat disse para Adam. Nessa única palavra Adam já percebeu que Sat era o tipo de pessoa que todo mundo gosta, o cara simpático e alegre. – Bem-vindo. Eu sou Sateriajis.
– Uuh... Oi, obrigado... Eu sou Adam, é um prazer... – Adam, apesar de não ser tímido, estava atordoado com a personalidade de Sat.
– Ah, meus pêsames pelo seu avô – Neste instante a face dele mudou, mas mesmo assim não parecia ser fingido. – Eu nunca soube o nome dele, desde que eu nasci todos só o chamavam de velho Bellsprout, mas ele era completamente querido aqui. Engraçado como as coisas mudam de repente.
– Você sabia que ele era meu avô?
– Olha o tamanho dessa cidade, todo mundo sabe a vida inteira de todo mundo, menos a de vocês, no caso.
– Ele era meu avô por parte de mãe, eu só o vi algumas vezes, quando ele ia nos visitar em Slateport, mas minha mãe era apaixonada por ele, ele parecia ser um ótimo pai para ela, com certeza quem mais sofreu com isso foi ela... É bem capaz que ela continue a cuidar do Bellsprout. Hm... Posso te pedir pra mostrar a cidade, já faz dois dias que eu estou aqui e só agora consegui sair de casa com paz.
– Ah, claro! – Sat se entusiasmava fácil com coisas pequenas, ainda mais quando envolviam ajudar alguém. – Bem, é uma cidade pequena, portanto, vamos devagar.
De frente da sua casa, lá na frente, tem a entrada da cidade, é simples mas é muito bonita, na minha opinião – a entrada realmente era simples, havia um arco cobrindo a rota escrito “Cidade de Floaroma”, sempre havia flores nele, que mudavam de acordo com a estação do ano, na base do arco havia uma placa oficial da cidade com um pequeno mapa do local e o lema da cidade “Cidade de Floaroma – Vivida e perfumada” – Depois disso, aqui desse lado tem os campos – uma infinidade de flores de diferentes cores e tamanhos se mostrava em um campo vasto onde havia algumas casinhas em espaços vazios. – Atrás dos campos, passando por uma espécie de trilha pequena fica a minha casa, lá a gente fabrica mel e vende também, depois você tem que ir lá, ok? Desse outro lado tem a parte mais importante da cidade, o centro Pokémon, aliás, a Joy é um amor de pessoa e adora visitas, porque o centro aqui é meio parado. Além do centro tem o PokéMart, o que você já deve saber, a grande loja de berries e, por fim, o nosso centro de exibições, que na verdade é um palco de torneios – todos aqueles prédios não tinham simetria e o local para andar na área principal era como uma grande praça, mas ainda assim, era muito bonito, e tudo combinava com seu devido lugar, como flores que nascem do nada. Havia também mais uma parte residencial após o “centro”, era aproximadamente do tamanho de dois bairros, a maioria das casas era térrea e tinha um jardim. Ali se via muito Combee voando, dos jardins para o campo, do campo para a entrada, da entrada para o prado, onde ficava também a casa de Sat.
Sat adorava falar sobre sua cidade, aquilo lhe enchia os olhos de brilho, era um orgulho um tanto quanto patriota, mas acima de tudo era um amor por toda aquela beleza.
Enquanto iam para a ala residencial próxima ao centro, Sat contou algumas histórias e falou mais coisas sobre a cidade.
– Aqui é um lugar engraçado, há muitos, muitos anos, era apenas uma área seca, onde nada crescia. As pessoas começaram a povoar mesmo assim, depois de ficarem muito tempo sem conseguir fazer nada crescer, uma mulher foi até uma área no fundo do prado para agradecer àquilo, de repente, no dia seguinte, o lugar foi tomado de flores por todos os lados, eu particularmente adoro essa história, e posso até dizer que acredito nela.
– Não sei se eu consigo acreditar que uma cidade inteira como essa se tornou fértil da noite pro dia.
– Tudo bem, o normal é pensar isso mesmo – Sat riu e então apontou para um prédio grande – Aqui é a prefeitura, não tem tanta utilidade saber disso agora, mas eu quis te mostrar mesmo – a prefeitura é um prédio grande é arqueado, era um dos únicos prédios sem muita cor na cidade toda. Após isso, Adam o interrompeu.
– Ah, Sat, posso te chamar assim, né? Seu nome é muito comprido. Bem, eu posso te pedir uma coisa?
– Sat riu e depois respondeu – Pode sim, todo mundo me chama, praticamente, menos minha mãe, ela adora dizer meu nome completo. Ah, sim, peça, peça.
– Eu quero ver o salão de torneios... – Adam ainda estava meio envergonhado, um pouco atônito, até, afinal, ele conhecera Sat hoje e já havia passado o dia junto dele, o que mais o surpreendia era a alegria e a simpatia do garoto, que o tratava como se já o conhecesse, ele gostou disso.
– Ah, vamos, vamos sim. E depois eu vou te levar no prado e na minha casa também. – No auge de seus 14 anos e 1.83 de altura, Sat parecia uma criança hiperativa.
Subiram então de volta ao centro, o salão de torneios estava aberto, porém não havia nenhuma exposição ali, muito menos um torneio acontecendo, a única coisa que havia era o segurança sentado em uma mesa, ele fazia também o papel de guia, já que não havia ninguém para tal. Sat pediu para levar Adam para dar uma volta no lugar e não houve problema algum.
Sat mostrou primeiramente a sala dos premiados, uma espécie de hall da fama dos vencedores de torneios, alguns com fotos maiores e outros com fotos menores, e havia também alguns artistas com os rostos ali, todos respectivamente datados e legendados. Após saírem dessa sala, foram para a sala de teatro, que Sat conhecia muito bem.
Era uma salinha simples, com bastante espaço e alguns materiais encostados, ali havia ensaios do grupo de teatro da cidade, após saírem dali Sat fez o percurso do torneio com Adam, primeiro foram para o palco teatral.
– Quando tem um torneio, os participantes se apresentam nesta parte, e há a iniciação do torneio do dia, depois que saem daqui, os participantes vão para os camarins do fundo para a primeira prova, a de modelo, depois há a apresentação artística naquele palco ali – Os dois passaram por uma grande porta dupla que dava em um enorme palco parecido com um coliseu. – Nas três cabines de baixo ficam os juízes e após a apresentação artística há a prova de luta, que, na verdade, é a que menos vale pontos, algumas cidades nem adotam este sistema, na verdade. – Adam já sabia daquilo com todos os detalhes, conhecia a história da origem dos torneios, o porquê de cada prova e as modificações ao longo do tempo, mas deixou Sat falar, no entanto.
– Vamos logo, não temos muito tempo para perder aqui, o dia já vai acabar e eu ainda quero te mostrar o prado. – e assim os dois foram, andando sem correr, Sat animado, Adam prestando atenção. – Ok, nós vamos passar por aqui, você primeiro. – Para poder acessar o prado era necessário passar por cinquenta metros de um pequena trilha, porém as condições da trilha eram maravilhosas, era possível passar sem se arranhar uma única vez. – Pronto. Ali é a minha casa.
A casa de Sat era enorme e bonita, a maior da cidade, provavelmente. Era toda feita de madeira, tinha dois andares e uma enorme varanda no térreo, além de um jardim impecável, com árvores diferentes, sendo que algumas tinham folhas douradas. Mesmo Adam meio impressionado com aquela casa ali logo depois de uma trilha ele seguiu Sat rapidamente, e os dois subiram um pequeno barranco e chegaram a um prado enorme cheio de flores, no horizonte havia um pouco de fumaça e algumas casas um pouco antes.
– Este é o prado, meu lugar preferido em Floaroma toda. Esse cheiro me faz sentir como se eu fosse parte destas flores, como se eu fosse um ser infinito... Adam, você tem medo de Pokémon?
– Claro que não, que pergunta besta.
– Então vem aqui. – Sat saiu literalmente correndo até um ponto cheio de mato, Adam ficou ainda mais confuso, mas o acompanhou. Sat então entrou no meio do matagal, como se já conhecesse o caminho muito bem. – Essa é a clareira da gratidão, como eu a chamo, reza a lenda que foi aqui que a mulher agradeceu pela terra. E aqui é cheio de Pokémon selvagem, olha. – Um Burmy tomava água em uma pocinha d’água, um Bidoof fuçava o chão tentando achar berries e um Pachirisu olhava os dois de uma árvore. Sat pegou umas flores do chão e se virou para Adam – O que vou te ensinar agora é a coisa mais tradicional de Floaroma que eiste no mundo todo, você pega um buquê de Gracideas, que são essas flores aqui, e dá para uma pessoa pela qual você está grato, isso é um grande sinal de gratidão. É bom que você aprenda isso logo.
Depois disso já estava escuro e os dois tiveram que correr para suas respectivas casas antes de sofrerem um ataque de chilique de suas respectivas mães. Sat dormiu feliz e esperançoso, realmente, ele se animava muito fácil. Adam ainda estava com medo, mas ao mesmo tempo queria tornar Sat seu amigo só por ele ter sido tão gentil com ele durante o dia todo...

(Seção de alimentícios do PokéMart, quando ainda era administrado pelo velho)
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