Contos da Campânula
6 Mitologia - Ela
Notas iniciais
Ela levantou, olhou para o céu e gritou. Ouviu-se um estrondo que ecoou sobre os mares. O som se transformou em movimento e a maré subiu por sobre a terra. Esse foi o início do dilúvio. As pernas trêmulas foram de encontro ao chão. Da queda, um novo tremor que rachou a costa. A erupção de seus sentimentos, seus soluços, abalou o que estava contido nAs Profundezas, as chamas e a lava então irromperam. Da angústia, a distribuição dos elementos.
Suas lágrimas, pesadas e torrenciais, arrefeceram a massa viscosa que se espalhava. Ela, caída, em prantos. Sob Ela, o fragmento de terra. Ao redor dEla, a matéria incandescente. Ergueu a cabeça e olhou para sua antiga terra, sentia seu ser borbulhar de desgosto. Desejou afastar-se de todos que a feriram. Ouvindo a força de seu desejo, o Oceano mudou a direção da maré. Da mágoa, um novo continente. Da união da lava com as chuvas, as rochas. Sólidas, mas vivas. Um broto surgiu, e lentamente suas raízes e ramos se espalharam, nutrindo-se das emoções de sua Criadora.
Por fim, ela levantou. Com olhos marejados ela olhou sua Criação, que a contornava com cores divinas. "Há esperança". Mas ela não se sentia digna. Deu as costas e voltou-se para o mar, agitado e furioso. Jogou-se nas águas. As Profundezas a acolheram.
O broto então cresceu, virou árvore. Suas raízes voltaram-se à missão de alcançar sua Criadora. Tão profundas que chegam às Profundezas. Na superfície, surgiram flores, que atraíram animais, que trouxeram sementes. Após as flores, os frutos. Gotas suculentas, focos de Energia. Em meio ao sumo pequenas sementes de uma nova vida. Quando essas caíram em terra, o dilúvio teve fim.
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