Contos Urbanos - a Primeira Presa de Um Vampiro
1 Capítulo Único
Contos Urbanos — A Primeira Presa de um Vampiro.
Como todos os Neófitos, eu fui solto ao meu mundo antigo para a minha adaptação, a minha primeira cassada. Estava desconfortável, tinha tremores e minha visão embaçava facilmente com o sereno noturno da madrugada sombria. Estava com frio apesar de não mais sentir tal sensação. Sentia-me inseguro.
Estava numa das esquinas da rua mais movimentada da onde havia nascido, a cerca de vinte e poucos anos atrás, coisa que agora não mais importa, esperando a hora me chamar. O semáforo acende a luz vermelha e ponho-me a atravessar a rua vazia. Sinto-me sujeito ao desvio dos ventos que traziam a sujeira e papeis velhos para chegar ao outro lado, e assim o fiz. Lá se encontrava uma garota de roupas folgadas com estampas coloridas e boné pendurado no alto da cabeça deixando o cabelo cacheado cair pelos lados. Estava a espera do ônibus da madrugada. Ela voltava de uma festa na casa de uma das amigas. Ao sair, ela havia pedido para que sua amiga acompanhante voltasse junto a ela, mas recusara dizendo que queria aproveitar o resto da festa deixando a outra ir sozinha, mal sabia ela que nunca mais a veriam depois daquela noite.
Sentada à soleira da calçada, me aproximo como se não quisesse nada. Sento-me a seu lado e pergunto as horas. Gentilmente ela me mostra o pulso delicado acomodado de um relógio desengonçado e me diz: Uma e quinze. Começo a puxar conversa com ela, pergunto seu nome, o ônibus que iria pegar, essas coisas. Mas minha concentração começara a ficar fraca. Os sons do sangue que pulsava em suas veias e de seu batimento cardíaco eram muito perceptivos no silêncio da noite. Estava me descontrolando, ficar impedindo que a Besta se libertasse era quase impossível. Es que o ônibus chega. Ela sobe e eu fico de pé na soleira vendo-a se adentrar na condução. Ela se vira e diz: Você não vem? E eu logo a sigo. Lá dentro nos conversamos e rimos. Não ria há semanas. Senti-me confortável e alegre em sua companhia. Falamos bobagens até o final do percurso. Ela desce e eu também o faço. Nos despedimos e trocamos telefones. Ela havia descido em frente a sua casa, um apartamento grande, e eu, bem... Não sabia onde estava. Passei o resto da noite com fome, não havia uma viva alma naquela parte da cidade àquela hora. Rejeitei-me ao terreno baldio a quatro quadras de seu endereço e por lá fiquei até a noite seguinte.
Quando bateram as oito da noite, estava fora para novamente continuar a noite anterior. Cheguei a um telefone público, puxei do bolso a minha ultima ficha e disquei seu telefone. Ela atende e eu puxo conversa, relembro a noite anterior e marco um encontro e, naquela mesma noite, saímos.
Passeamos pelas ruas desertas e contamos piadas e rimos um do outro, novamente me divertia, mas a concentração novamente caía. Começava a me descontrolar novamente e sentia fome e angustia. A Besta era mais forte. Quando me deparei, havíamos voltado para seu prédio e estávamos parados a porta de seu apartamento. Ela me convida para entrar e passar a noite com ela. Morava sozinha. Eu entro e me instalo na cadeira da cozinha. Ela me oferece um copo d’água, mas eu recuso. Ela se aproxima e logo lança seus lábios ao encontro dos meus, nos beijamos. Fomos para o quarto onde ela retirou minha camisa e beijou meu torso nu, sem nem perceber a temperatura fria de meu corpo. Eu retirei as sua camiseta branca exponde-lhe os seios macios e tenros e os acariciava enquanto beijava-os. Aos poucos fui descendo por seu abdome e retirei-lhe apenas as calças, deixando-a seminua. Beijei o resto de seu corpo quente e deleitei-me com seu perfume. Foi quando me descontrolei. O pulsar de seu sangue, o calor de seu corpo e o bater de seu coração eram tal que me embriagavam. Ela deitada na cama, indefesa, esperando uma caricia, um agrado, se depara comigo ao retorcer de meu corpo. Havia libertando a minha Besta em sua presença. Ao perceber meus caninos, ela logo percebe o que eu era. Antes de sus gritos, havia me lançado ao encontro de seu torso e mordia violentamente seu ombro esquerdo enquanto abafava-lhe os gritos com minha mão livre. Deleitei-me com seu sangue, sangue doce e puro. Havia a matado, estava morta. Não senti pena, por contrario, senti alivio. Sabia que não tinha sido nada mais do que eu mesmo.
FIM
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