Contos Potterianos
2 1º de Setembro
Notas iniciais
Draco segurou na mão da esposa. Astoria entendia que seria difícil para o marido reencontrar depois de tantos anos, seus antigos colegas.
– Vamos, Draco. Ou seu filho vai perder o trem! – apressou a elegante mulher.
Andaram apressados rumo às plataformas nove e dez.
– Agora, filho, você tem que correr bem rápido até aquela parede e logo aparecerá na plataforma.
Scorpius assentiu, corajoso, para impressionar o pai. Mas por dentro tinha sérias dúvidas se realmente não iria se chocar com os tijolos. Ele já vira muitas coisas mágicas, mas ficava com o tronquilho atrás da orelha, sempre.
A mãe acabou por segurar a mão do filho e passaram juntos. Draco logo atrás.
– Daphne! – Astoria cumprimentou a irmã e o cunhado. Daphne tinha um filho que já estudava em Hogwarts, na Sonserina. O sobrinho já havia ido encontrar os amigos, então Scorpius acabou ficando sozinho. Ele não conhecia ninguém e, ao seu ver, todos na plataforma eram amigos e seus filhos já conheciam as outras crianças.
Ele não gostava de se sentir sozinho, por isso ficou o tempo todo em que os adultos conversavam, perto do pai.
Ao longe, viu uma família de ruivos e alguns morenos. Estavam animados e falavam alegremente. Ele ficou curioso para saber quem eram, mas logo se lembrou.
Weasleys e Potters.
Sabia que seu pai não tinha boa fama entre eles. As duas famílias eram bastante respeitadas no universo bruxo, eram as famílias dos heróis da guerra. Mesmo de longe, Scorpius reconheceu, graças à coleção de figurinhas de sapo de chocolate que tinha, as figuras de Ronald Weasley ao lado de Hermione Granger, agora Hermione Weasley. Ao lado deles estava Harry Potter.
O famoso Harry Potter.
Olhou ao redor e percebeu que muitas famílias olhavam e apontavam para eles, que pareciam alheios aos comentários maravilhosos que falavam aos seus respeitos. Mais para o perto de Scorpius, o que percebeu no semblante das pessoas era medo e expressões ranzinzas. Seu pai havia falado em casa que o garoto carregava um sobrenome pesado demais para uma criança. O menino sabia o que sua família fez no passado e não tinha orgulho disso.
Mas, como Astoria ensinou, ele devia ter orgulho pelo fato de seus parentes continuarem andando de cabeça erguida e procurando sempre melhorarem como pessoas. De fato, seu pai era um medibruxo importante, havia descoberto poções para doenças até então difíceis de tratar.
E Scorpius sentia orgulho de seu pai.
Ele só não sabia que a realidade seria pior do que ele imaginava. Estava pronto para receber os olhares nada contentes que lhe lançavam. Só que eram tantos.
Draco estava cansado da conversa sobre Paris, pediu licença e deixou Astoria conversar animada com sua irmã, que não via há um ano. Ele notou Scorpius observando com um misto de susto e tristeza as demais pessoas na plataforma. Puxou a mão do filho e se afastou da multidão, para que conversassem sem problemas.
– Me desculpe por isso, filho. Olha, se quiser ir para Durmstrang, sua mãe com certeza vai entender. Não é sua culpa que eu seja uma vergonha e o sobrenome que você carrega também seja. Eu não quero que você se sinta obrigado a fazer algo que não queira, tudo bem?
– Não, papai, eu estou bem. Só é um pouco difícil para mim, mas eu me acostumo. E eu sempre vou ter orgulho de ser um Malfoy e de ser seu filho. Grande parte dessas pessoas teve um parente salvo por você, são só estúpidos demais para admitir.
Draco sorriu. Scorpius era sem dúvida a melhor coisa que aconteceu com ele, além de Astoria.
– Você tem certeza disso?
– Uhum. E quando eu estiver em Hogwarts eu vou ser o melhor aluno do meu ano! E quem sabe eu não sou aceito no time de Quadribol? Parece que já estão aceitando primeiranistas que saibam voar na vassoura, não é? Então eu posso acabar me tornando capitão do time e monitor chefe quando eu estiver mais velho, né? – Scorpius estava começando a se animar e a falar sem pausas o que esperava fazer em Hogwarts. Era até engraçado como o ritmo da conversa com ele mudava rápido.
– Mas você sabe que precisa se esforçar muito para conseguir tudo isso, meu filho. E persista, você é um Malfoy! Se não conseguir de primeira...
– ... tente outra vez! Faça tudo por mérito, Hyperion! – concluiu o garoto, arrancando um sorriso do pai.
Astoria estava certa quando falou mais cedo que Draco era um bom pai e que havia ensinado o filho os pilares de um bom homem. Draco via agora, olhando dentro dos orbes acinzentados do filho, que fez um trabalho muito melhor do que Lucius. E estava orgulhoso disso.
O apito do trem soou, alertando os pais que era chegada a hora da partida de seus filhos para mais um ano de estudo. A plataforma estava mais barulhenta ainda, com as famílias se despedindo chorosas e volta e meia, mães repetiam para que as crianças mandassem cartas todos os dias.
– Vamos, filho. E lembre-se, no que precisar mande uma carta para mim ou para sua mãe. Se sentir pressionado, intimidado, avise. Pode confiar em mim e não tenha vergonha de desabafar, ok?
– Sim, senhor.
Pai e filho voltaram para o meio da multidão e reencontraram Astoria, agora sozinha, preocupada com eles. E logo desatou a falar sério com o filho.
– Scorpius Hyperion! Não quero receber nenhuma carta de reclamação sua, ouviu mocinho? Trate de se comportar e estudar bastante, ou não pensarei duas vezes antes de lhe enviar um berrador! – o menino engoliu em seco e assentiu com um menear de cabeça – Agora venha dar um abraço na sua mãe e prometa que me enviará cartas sempre que puder!
Eles se abraçaram e Astoria deu um beijo no rosto do garoto, que ficou um pouco constrangido com a demonstração de afeto da mãe no meio de tanta gente.
O apito da locomotiva vermelha soou de novo e Scorpius se despediu dos pais. O loiro já estava na escadinha de um dos vagões quando viu a cabeleira loira platinada do pai pedir passagem no meio do povo.
– Filho, eu ainda tenho mais um conselho para te dar. É o mais importante!
O garoto não sabia o que poderia ser dessa vez, já havia passado a semana anterior ouvindo os pais falarem milhares de coisas para ele, mas pela expressão de Draco, era realmente essencial que Scorpius prestasse máxima atenção ao que o pai tinha a falar.
– Sim, pai?
– Se quiser passar os melhores anos em Hogwarts, procure pelos Weasleys e Potters. Não irá se arrepender de se juntar a eles.
Com uma última piscadela, pai e filho se separaram e Draco acenou para ele, enquanto a locomotiva começava a funcionar. Scorpius sorriu enquanto acenava e pelo olhar que haviam trocado, Draco soube que seu filho estava no caminho certo.
Fale com o autor