Notas iniciais
Um caloroso olá para os leitores! Mais uma vez, trago comigo outra humilde narrativa, quee, como a anterior, é curta e surgiu de uma proposta de redação de português. Novamente, a proposta era inspirada em um miniconto, sendo o desta vez chamado "No Messenger", de Leonardo Brasiliense. Deviam os alunos criar uma narrativa que descrevesse momentos constrangedores nas redes sociais ou a solidão de seus usuários. Com meu gosto um tanto peculiar, decidi explorar a segunda opção. Mais uma vez, aviso que é um conto curto, já que meu professor pediu para assim fazê-lo. A narrativa é totalmente de minha autoria, assim como a personagem citada. O miniconto de onde me inspirei foi "No Messenger", do autor Leonardo Brasiliense. A capa foi encontrada no tumblr, mas infelizmente não me lembro da fonte certa. Não é minha, isto vale frisar. Obrigado por lerem.

Ela tinha cabelos verde-claro, bagunçados e curtos. O topo da cabeça enfeitado por um laço branco de cetim. Os olhos amarelos de cilhos longos, que quase nunca viam a luz solar, vinham acompanhados de profundas olheiras escuras. A pele pálida e os lábios esbranquiçados devido à falta de nutrientes.

A garota se chamava Hina. Havia vivido apenas dezesseis anos e já era programadora de computadores e softwares profissionais e patenteados. Morava só, e vivia apenas de frutas e vegetais — com algumas aberturas à legumes. Poderia se dizer feliz, todavia não era uma pessoa, de fato, sociável.
Certo dia, uma proposta de viajem ao sul do país onde morava, sendo o local de destino a casa dos pais. A garota, apreensiva, negou o pedido. Entretanto, teve de ceder aos pais que há quatro anos não viam a filha e imploravam pela tão esperada visita.

Relutante, ela vai ao aeroporto, entupido de pessoas de todas as idades e personalidades. O sentimento que havia guardado à sete chaves surge, e o desespero toma conta. Solidão. Solidão preenche seu peito. O que fazer? Onde estão os monitores? Os computadores, cursores e teclados? Onde digitar códigos binários, senhas ou pelo menos palavras?

Não há conforto, só pessoas e a luz penetrante do sol. Seus olhos doem. Suas pernas tremem. Sua cabeça, ouvidos, braços latejam. O corpo inteiro é lotado pela dor. E a solidão ali.

Lentamente, o corpo perde os sentidos. Não consegue controlar nada exceto os olhos de cor amarela e as pálpebras contornadas por um delineado azul-marinho. As pisca, lentamente, em sincronia com o coração que diminuiu sua batida. O teto pareçe se afastar cada vez mais, e, pouco a pouco, o chão com mosaicos xadrez fica mais próximo. Ela cai no mármore preto e branco, e tudo fica escuro.

E a maior ironia é que, só, em meio à computadores, na escuridão de seu quarto, sentia-se feliz. Todavia, rodeada por seres humanos e pela desgastante luz solar, sentia-se em desespero total, em solidão.

Hina colapsou no aeroporto, em meio ao cáos e às pessoas. Em meio à dor e ao desespero. Em meio à solidão que não sentia há tanto tempo. Seus pais não ganharam a visita que tanto esperavam.

Notas finais
Obrigado por lerem.