Notas iniciais
Olá, leitores! Mais uma vez volto aqui, lhes trazendo outra narrativa! (Mas acho que vocês já sabem disso) Estava muito ansioso para postar esta aqui, dado o fato (adoro essa expressão) de que ela fora escrita há praticamente um ano e meio atrás. Nunca postei ela, e nunca nem pensei em postar, mas, eu a reescrevi, palavra por palavra, e acho que o resultado foi significativo para ser lido por leitores amados como vocês :D A história é narrada do ponto de vista de uma menina. Espero que gostem dela. Boa leitura, obrigado por virem, e até mais ver! Bom dia/tarde/noite!

Certamente, nunca, jamais, em hipótese alguma, poderia me ocorrer que tal coisa fosse acontecer. Como alguém poderia se esquecer, assim, do nada, da existência de outra pessoa? Bom, irei lhes contar, como me recordo, na minha cabeça, fato por fato de um acontecimento um tanto peculiar que me aconteçeu na idade de treze.

Eu jogava um jogo no computador, um jogo deveras interessante. O mais peculiar do tal jogo é que era apenas para brasileiros, portugueses, e espanhois, etc. Resumidamente: apenas para latinos e suas antescedências.

O jogo era muito bom. Os gráficos eram satisfatórios, haviam centenas de milhares de mapas diferentes (alguns que eu nem descobri antes de o jogo fechar), poderíamos mudar várias e de maneiras diferentes os nossos personagens, tinham diversos eventos, a trilha sonora tinha faixas emprestadas de outros jogos, dentre eles até TESV: Skyrim. Mas isso é outra história.

Eu jamais o vi, propriamente, no jogo. Apenas no chat do fórum, entre outras coisas. Mas principalmente no grupo que tínhamos em um programa de mensagens instantâneas qualquer. Dava para contar nos dedos o número de jogadores que tinha no jogo. Eu conhecia todos eles. Alguns com mais intimidade, alguns com menos. Mas eu conhecia todos eles.

Os que me tinham como amiga mesmo, eram de outros jogos anteriores. Mas isso é irrelevante para o curso da história, então, deixemos esta informação de lado.

Dentre estes poucos jogadores que haviam no jogo, teve um que me chamou a atenção. Ele era de chamar atenção, mesmo. Sabem aquelas pessoas que simplesmente nasceram para fazer os outros sorrirem? Fazer os outros rirem? Fazer os outros felizes? Ele foi essa pessoa pra mim. Por um tempo.

Nossa amizade não durou mais do que uns dois anos, acho. Na verdade não sei bem. Não lembro, risos. Não lembro nem como terminou. Eu não me recordo de termos terminado a amizade, propriamente. Só sei que chegou num ponto que simplesmente passamos de amigos para amigos que nunca mais se falam, e daí...

Acabou.

Os anos foram passando, e eu fui me esquecendo. Opa, falei esquecendo? Não. Eu nunca me esqueci deles. De nenhum deles. Mas aquele garoto, que me chamou a atenção... aquele foi o que mais me intrigava.

Eu consegui recuperar o contato com alguns deles, com os que eu tinha amizades de jogos anteriores, principalmente. Mas dele... Eu, não sei como, comecei a pensar muito nele numa época. Eu me questionava por quê diabos havíamos parado de nos falar. Até hoje não encontro uma resposta.

Acontece que, então, aconteçeu uma fatalidade que me marcou. Muito. Eu lembrava dele, e me sentia triste. Triste por termos parado de nos falar, por termos parado de ter as conversas divertidas que tínhamos, por ele não se preocupar mais comigo se eu ficava muito tempo sem conversarmos, por ele não me chamar mais no Skype, por eu não conversar mais com a pessoa que me fazia tão feliz.

E então eu o encontrei. Finalmente encontrei tal pessoa que me fazia tão feliz, no Facebook. Eu ficava horas e horas só encarando a tela do computador, pensando em como chamá-lo. Em como eu poderia iniciar uma conversa sem me sentir completamente obcecada.

Eu o chamei, casualmente, comentando que nunca mais nos haviamos falado, que eu senti a falta dele e que estava um tanto quanto brava por ele não ter me procurado. Mas brincando, obviamente.

Acontece que ele não me procurou, e lá no fundo, eu sabia o porquê. Ele se esqueceu de mim. Ele deu um oi, meio que sem jeito, e se desculpou mas... (aí a prova de que quando eu sei de uma coisa, eu sei de uma coisa) Ele se esqueceu de mim.

Eu fiquei meio perplexa por um momento. Não dei a mensagem como vizualisada, ou nada parecido, apenas comecei a tremer, tremer, chorar, tremer. Meu coração batia tão forte, parecia que ia abrir um buraco no meu peito e sair por aí pulando porta a fora.

Eu simplesmente não soube o que fazer. Acho que, como lá no fundo, eu já sabia que isso fosse acontecer, me deu até uma desesperança maior, porque eu tentava me convencer de que estava errada.

As noites que passei sem dormir por causa dele. Tudo. O brilho no olhar que eu perdi. Os dias esperando por uma resposta. Tudo foi em vão. Ele se esqueceu de mim. Acho que não existe nada pior do que isso.

Na minha cabeça, nós poderíamos ser tão felizes. Passaríamos noites de novo conversando. Passaríamos as férias chuvosas conversando banalidades, trivialidades. Seria tão divertido! Seria como se aquela lacuna de tempo perdido que havia passado nem houvesse existido. Mas não iria acontecer. Ele se esqueceu de mim.

Depois de, creio eu, praticamente uns três meses, eu simplesmente consegui, não sei como, me recuperar do acontecido. Depois de nunca mais falar com ele. Eu havia até escrito um diário. Era um diário sobre todos os meus sentimentos sobre ele. Creio que foram umas 17 páginas de pura melancolia. Lembro-me até de um dia que chorei em sala de aula devido aos sentimentos depressivos que eu tinha por causa dele. Foi a primeira vez que me cortei.

Agora, quando olho para o passado... (para este passado), vejo o quanto era tola. Acontece que não foram inúmeras as vezes que conversamos. Acho que dava para contá-las nos dedos. Não foram dias que ele se preocupava comigo, foi uma vez que ele perguntou por que eu não entrei. Não foram vezes que ele me fez sorrir, foi um dia que ele foi engraçado. Ele não era meu melhor amigo. Era apenas um amigo da minha melhor amiga. Eu não, jamais, o amei.

Eu amei as memórias que ele me deu.

Memórias que nem existiram.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.