Contos Mirabolescos

10 O Aniversário de Namoro


Notas iniciais
Esse conto é um dos meus que eu acho sempre meio exagerado... Se não gostarem, é só dizer hehe.
Estou aberto a opiniões construtivas!

Dona Fátima, a arrumadeira de quarto de motel, acordou feliz naquela manhã. Primeiro, pelo simples fato de estar viva. Depois, por sua vida estar indo tão bem que só agradecendo ao seu bondoso Deus: comprara finalmente uma geladeira nova, o filho mais velho passara na faculdade de Direito e hoje era sexta-feira – o dia sagrado do seu forrozinho. Assim que acabasse seu turno hoje à noite no motel em que trabalhava, iria correndo para o Quintal do Forró, dançar com Seu João Barbosa, o dono da mercearia com quem estava paquerando.

Só uma coisa a incomodava: não gostava de mentir sobre o seu emprego, mas era obrigada a tanto.

Afinal, que aluno de Direito gostaria de saber que sua mãe trabalhava em um motel barato?

Fátima dizia então, em casa, que era empregada de uma madame rica qualquer que só exigia seus serviços à noite.

Quem sabe agora que estava namorando alguém legal pudesse ter uma vida melhor...

É, a vida andava maravilhosa, dizia a si mesma, cantarolando.


Juliana, a filha do dono da mercearia do bairro, acordou feliz naquela manhã. Primeiro, porque sabia que tinha uma família linda. Despertara cedo com uma mordida carinhosa e forte de sua irmã mais nova, ficando com uma bela marca roxa no pescoço. Sabia que as duas andavam felizes porque o pai encontrara uma pessoa para namorar, embora escondesse isso das duas.

Além disso, hoje era o seu aniversário de namoro e ela estava imensamente feliz. Seu namorado passara na concorrida faculdade de Direito e prometera pedi-la em casamento aos pais, depois de anos de namoro escondido, pois seu pai era rígido e seguia um padrão demasiado tradicional de cuidar das filhas.

É, pensou, contente, a vida andava maravilhosa.


Marcos, o filho da empregada de motel, acordou feliz naquela manhã. Primeiro, soubera que passara na disputada faculdade de Direito e se mudaria para a capital para trabalhar e estudar.

Depois, hoje era o seu aniversário de namoro e ele contemplava, feliz, as alianças em sua mão, compradas após muito sacrifício. Seus planos eram pedir a garota em casamento e tira-la daquela cidade pacata. Juntos, teriam uma vida perfeita, sem o pai chato que os forçara a namorar escondido e longe das fofocas que faziam suas entranhas se contorcerem de raiva.

Enquanto sonhava, o telefone tocou e ele correu para atender, pensando no quanto a vida andava maravilhosa.


Gil, a filha safadinha e travessa de Seu João Barbosa, acordou feliz naquela manhã. Primeiro, tivera uma ideia genial para acabar com o namoro da irmã. Segundo, já o colocara em prática! E, depois, ela tinha certeza de que o gostoso do namorado de sua irmã, ciumento como ele só, iria acreditar em sua mentira e vir correndo para os braços dela quando acabasse o namoro após descobrir que era corno.

Ela achava inconcebível o fato de não ter o homem que amava e ter perdido ele para a retardada de sua irmã. Mesmo apesar de ter inventado e espalhado todos aqueles boatos maldosos sobre ela, ele insistira em namorar Juliana, embora escondido para não despertar a fofoca dos vizinhos e a raiva do pai linha-dura.

Mas tudo acaba, pensava Gil.

Juliana era tão burra que nem se dera conta de que o chupão que Gil deixara nela nada tinha de carinhoso...

Decidida, a garota pegou o telefone e contou ao cunhado que suspeitava que a irmã tivesse outro, devido ao belo chupão que ela apresentava no pescoço hoje de manhã.


Seu João Barbosa, dono da mercearia do bairro, até que acordou feliz naquela manhã. Mas, ao chegar à casa dos amigos para mais um forrozinho, recebeu um telefonema de D. Fátima, uma empregadinha que pretendia namorar. Ela, com a voz nervosa e histérica, dizia que faltaria ao forró de hoje porque se encontrava em uma delegacia resolvendo uns problemas e...

Seu João desligara na mesma hora, com raiva.

Como se já não bastasse os boatos maldosos da vizinhança sobre sua filha mais velha não ser mais virgem e gostar de homens mais velhos, ele não precisava de mais confusão para o seu lado. Era um homem honrado e digno demais para se meter em baixarias.

Já escondia de todos o fato de namorar uma empregadinha, não queria agora se meter nas tribulações de alguém que nem conhecia direito. Desfaria qualquer possível envolvimento com a mulher no dia seguinte...

Realmente, não há mais pessoas decentes nesse mundo, pensou.


Enquanto isso, D. Fátima tentava explicar-se na delegacia. Tentava dizer que não fazia ideia do que ocorrera. Ela simplesmente entrara no quarto do motel para realizar seu trabalho e encontrara a jovem já morta, toda esfaqueada, em cima da cama empapada de sangue, além de duas alianças caídas no chão. Não vira nem fazia a mais remota ideia de quem fora. Mas desejava ardentemente que o culpado fosse para o inferno, sofrer por tê-la metido nessa confusão e tê-la feito perder o seu forrozinho de sexta-feira.

Notas finais
Espero que tenham gostado!

Gente, leiam também minha outra série de contos: http://fanfiction.com.br/historia/300082/Filhas_de_Venus
Lá tem tão pouco reviews.
Sei que é pedir muito hehe.
Mas agradeceria se dessem uma olhadinha rs
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.