Contos Malditos
3 Minha Eterna Fuga da Morte
Não sou muito fã de começar pelo começo, mas começar pelo meio seria complicado e até agora, com 60 anos, essa história não tem fim. Irei contar a história da minha vida, pelo menos, do que me difere do resto do mundo.
Com 18 anos, assim como 80% da população nessa idade, desde que os tempos começaram, estavam na sua idade de rebeldia, a justa época de fazer as maiores merdas da vida e depois se lembrar delas acompanhadas com o rosto vermelho até o leito de morte. Vamos dizer que eu fiz uma enorme burrada ao tentar prometer o que não podia cumprir, drogar-me e ter medo de ir para o inferno.
Hoje o mundo decidiu virar de ponta cabeça, hoje em dia todo mundo resolveu seguir o estereótipo renovado de juventude transviada. Pareço até um velho reclamando, pois minha mente aprendeu a ver como a vida é...é, mas meu corpo e meus hormônios continuam com 18 anos, sempre me pedindo para eu fazer alguma merda na vida.
Sem mais delongas vamos ao meu caso:
Estava saindo para “curtir” com uma pequena gangue de amigos: Lee, Roger, eu e Luke. Éramos inseparáveis, quando estávamos alegres e quando estávamos fodidos. É algo raro de se ver hoje em dia, e com aquele propósito que tínhamos, naquela época, também.
Nunca fomos um grupo de amigos que iam para igreja juntos rezar e depois íamos um para a casa do outro fazer uma roda de estudo, pelo menos era comum mentir sobre isso. Nós estávamos juntos por um motivo: nós éramos os únicos que agüentavam a merda um do outro – se bem que aqueles filhos da puta não aceitaram entrar na merda do pacto.
Era uma noite quente e...bem é isso que eu me lembro, estava drogado e bêbado demais para lembrar de algo além do calor.
Estávamos no nosso ponto. Era uma velha casa abandonada, propriedade do falecido Bill Heaven, um imbecil que gostava de andar com a gente. Ele tinha uns 40 anos e era extremamente rico. A gente sempre o pegava de laranja para nossas merdas e o retardado aceitava. Uma vez a polícia o achou roubando uma casa sobre efeito de alguma erva. Ele fugiu e no fim se jogou de uma grande cachoeira na área rural. Perdemos nosso ´”laranja”, mas ganhamos uma casa nova – pelo menos ninguém veio reclamar essa casa.
Há uns dias tinha chegado um cara novo na cidade, o que nós chamaríamos de emo hoje em dia. Claramente ele foi o nosso alvo de brincadeira, mas mal sabia eu a gigante merda que isso ia me meter
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