Contos Macabros
1 Contos Macabros: Tormento
Notas iniciais
”3:56 PM, em alguma parte do oceano de Bilgewater”
Era uma tarde maravilhosa de verão, minha esposa ouve o canto dos pelicanos no convés do navio, enquanto eu admiro sua beleza.
–Amor, venha! Contemple esta bela imensidão que será desbravada pelo corajoso capitão Vincent McKinley.
–E em breve, pelo seu destemido herdeiro!
Ela me lança um sorriso tão caloroso que derreteria toda Freljord. Aurora Fintz McKinley, o nome da minha musa inspiradora. Nossos olhares se cruzaram pela primeira vez em um baile formal organizado pela sua família, em especial seu pai Sebastian Fintz Hacklemore, todos os anos fazia questão de exibir todo o luxo e riqueza de sua aristocrática família, uma das mais ricas de toda Valoran. Aurora muito tempo depois me disse que nunca se arrependeu de ter deixado seu pai, que por sua vez esqueceu para sempre que sua filha um dia existiu, pois não aprovava nosso relacionamento.
–Para aonde seguiremos – diz Aurora – Estou faminta.
–Aguente mais um pouco, querida. Precisamos atracar em Piltover.
–Capitão – interrompe um marujo – As correntes estão fortes e o mar está ficando agitado.
–Querida, afaste-se das bordas.
–Capitão...
O trêmulo marujo, apontava para o norte, onde uma densa névoa cobria todo o oceano, enquanto uma escuridão inundava os mares azuis de Bilgewater, transformando aquela linda tarde em uma penumbra pavorosa, enchendo nossos corações de medo e pânico.
–Aurora, fique atrás de mim – grito enquanto saco minha espada.
–Vincent! O que está acontecendo? Estou com medo.
–Não se preocupe, não deixarei que nada te aconteça.
Mas que droga, minha família estava em perigo, minha tripulação estava em perigo e não havia nada que eu pudesse fazer.
–Shhh. – eu sussurro – Vocês ouviram isso?
De repente, em meio ao silêncio, escuto passos pesados, acompanhados de gritos de desespero se aproximando cada vez mais. Não consigo esconder o medo que estou sentindo para Aurora, que tenta, em vão, me acalmar.
–AH! – grita um marujo sendo lançado pelos ares.
–Vincent! – grita Aurora.
Quando recupero a consciência, pelo menos parte dela, um cavalo espectral surge em meio a escuridão, enquanto seus espectros aniquilam minha tripulação.
–Quem é você? – eu pergunto apontando minha espada para ele – O que você quer?
–Sou Hecarim, ceifeiro de almas, da Ilha das Sombras e bla, bla, bla... Podemos cortar esse papinho? Preciso levar sua alma.
Ele então me ataca e só tenho tempo de afastar Aurora e me defender de sua foice pesada, meus braços quase se partem, acho que não suportarei outro ataque. Facilmente Hecarim me lança para o outro lado do navio, me afastando de Aurora.
–NÃO!!!!
–VINCENT!
Ela foi levada pelos espectros de Hecarim, minha vida foi tirada de mim.
–Não, por favor, me leve no lugar dela.
–Mas, qual seria a graça? – diz Hecarim em tom irônico – Afinal, seu sofrimento me diverte.
–EU VOU TE ENCRONTRAR! EU PROMETO, AURORA!
Então de repente o barco colide com alguma rocha e eu perco a consciência.
Aonde estou? O que aconteceu? Eu estou morto? Não, definitivamente, não estou.
–EI! Tem alguém ai!?
Meus gritos ecoam no além. Mas espera, este lugar, parece com a Ilha dos contos de terror. E esta névoa, a mesma que trouxe aquele caos.
–Aurora!
–“Bem-vindo a Ilha das Sombras, capitão. Hahahahaha”
–Quem está ai?
–“Com medo da própria sombra?”
Vozes ecoam na minha cabeça. “Morte, dor, sofrimento, tortura” vozes gritam coisas horríveis na minha mente. Eis que uma voz doce sussurra em meu ouvido, reconheceria esta voz em qualquer lugar, é Aurora.
–“O que você fez comigo?”
–Aurora? Aonde você está?
–“Você disse que nada de ruim me aconteceria. Veja o que aconteceu agora.”
–Meu amor, aonde você está?
–“Por favor, me ajude. Siga minha voz, meu rastro de agonia te guiará.”
Corro o mais rápido possível, seguindo sua voz, mas aquela não parecia ser minha doce Aurora.
Lá estava ela, deitada, debaixo de uma árvore retorcida e velha.
–Meu amor!
Toquei seu corpo, frio, pálido e sombrio. Ela estava morta, era como se a vida tivesse perdido o sentido. Pego minha espada, aponto para a minha garganta, mas ao desferir o golpe mortal, uma mão gélida toca meus punhos.
–O que? Não acredito. Aurora?
Seus olhos brilhavam verde acinzentado, sua silhueta coberta com uma fria e densa névoa, a mesma que cobria a ilha. Ela não era mais a minha amada, era apenas mais um monstro.
–“Você pagará por tudo que fez comigo.”
–NÃO!!!
“A névoa negra tirou tudo de bom e feliz que existia em mim, ela demora a chegar, mas um dia ela irá te encontrar... E uma vez amaldiçoado, não há como voltar atrás.” – Vincent McKinley
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