Contos Macabros

5 Radical e Macabro.


Notas iniciais
Mais um conto! Sei que demorei a postar, mas aqui vai um que promete aterroriza-los...

O barulho da moto correndo pela rua vazia de madrugada poderia ser escutado até pelo mais sonolento vizinho. Alguns gritos de “Saí daí!” ou “Vão para casa moleques” Poderiam ser escutados se você estivesse perto de algumas janelas entre abertas, mas os jovens Sara e Michel nem ligavam para as ponderações da população aborrecida.

– Acelere mais. – Repetia Sara da parte de trás da Bros, que seguia até o máximo que podia pela rua.

Eles aproveitavam que os pais tinham viajado e saiam em disparada pela rua com a moto, aproveitando a rua vazia e a ausência de vigias noturnos.

– Não posso. – Respondeu Michel, com um sorriso enorme por trás do capacete.

Não eram algo que se diz rebeldes, mas gostavam de coisas demasiadamente radicais.

A moto continuava seguindo pela rua, até que entraram em um lugar pouco iluminado e sem sinal de vida. Haviam entrado na Rua 06, a rua onde ninguém vivia, apenas existia ali algumas casas abandonadas.

Falavam que todos os moradores dali se mudaram a cerca de 50 anos atrás, todos completamente assustados com as visões que relatavam.

E Sara se lembrava de muito bem do que sua mãe a havia lhe contado alguns dias atrás.

– Vamos pegar este atalho mãe! – Falava Sara. Elas estavam indo ao mercado e essa rua abandonada dava exatamente na rua dele.

– Não filha – Falou Maria, aflita – Você não sabe que aí vive mendigos, drogados, até bêbados.

– Eu nunca vi ninguém, nenhuma pessoa, nem mesmo animais eu vi aqui, mãe.

Dona Maria deu um longo suspiro e em seguida ajeitou os cabelos, olhando para os lados e tendo certeza de que estava sozinha com Sara.

– Eu tenho medo dessa rua.

Sara, a princípio, teve vontade de rir, mas ao ver a seriedade da mãe decidiu se calar e escutá-la.

– Sua vó me disse algo que aconteceu com ela da última vez em que entrou nessa rua.

– Como foi?

– Eu era uma criancinha, estávamos nas mesmas circunstâncias em que agora nos encontramos- Dona Maria se se encostou à parede ainda sólida de uma velha casa. – Nós passávamos por essa mesma rua e eu pedi para pegarmos este atalho, aí ela me contou... – Maria deu mais uma rápida olhada para os dois lados e respirou fundo.

– Conta mãe, o que foi que a vovó lhe contou quando vocês passavam por esta rua?

Dona Maria mais uma vez se certificou de que não havia vivalma na rua, talvez por que fosse domingo.

– Ela me contou que um dia, quando era criança, dez anos mais ou menos, ela resolveu passar por essa rua também, e já havia algum tempo que ela havia sido abandonada. Os pais daquela época proibiram os filhos de passar pelo menos perto dessa rua, tinham muito medo. – Maria mais uma vez respirou fundo, parecia preocupada – Mas minha mãe era curiosa. Num dia cinzento de domingo ela aproveitou que todos tinham ido à feira popular e veio matar sua curiosidade. – Pelo olhar de Sara dava para perceber que ela estava muito interessada em tal história, Dona Maria continuou — Ela passeava pela rua tranquilamente, observando casa por casa, matando sua curiosidade...

Dona Maria olhou o relógio, Sara percebeu tudo.

– Oh, não, continue, ainda é cedo, faltam duas horas para o mercado fechar.

Maria respirou fundo e se acomodou mais.

– Continuando, a sua vó me contou que enquanto passava por uma das casas escutou uma voz.

– Uma voz? – Indagou Sara, impressionada.

– Sim, uma voz. Sua avó escurou uma voz a chamando de dentro de uma das casas.

Um vento forte atingiu o local, e Sara teve um arrepio na espinha.

– Continua rapidinho. – Sara implorava, se interessara mesmo pelo estranho caso que aconteceu com sua avó no passado.

– E então, assim que ela escutou a tal voz, teve medo muito mesmo, mas logo a curiosidade atiçou.

Sara escutava com atenção as palavras de sua mãe, desde criancinha gostava de histórias de terror, principalmente as que seu avô contava. Desde que a avó de Sara morreu, ele sempre a visitava no seu quarto antes de dormir para contar lendas ou histórias assustadoras. E as noites chuvosas e cinzentas eram as que ele mais gostava. Sara se assustava facilmente, mas só agora se lembrara de que o avô já havia lhe contado uma história que tinha haver com essa rua, mas não conseguia se lembrar. Dona Maria continuou.

– Daí sua avó entrou na casa, sem mais nem menos apenas para saber de quem era a tal voz, quem a estava chamando.

Dona Maria se preparou para sair.

– Vamos logo, eu te conto no caminho, não podemos perder mais tempo.

Mãe e filha seguiram pela calçada vazia e ela continuou a história, agora estava mais calma.

– Depois que sua avó entrou, não achou absolutamente nada na casa, até resolver ir embora.

– E... – Falou Sara, aflita – Não vai acontecer nada?

Maria olhou bem nos olhos da filha e apertou bem sua mão.

– Ela ficou presa lá.

– Como? – Sara não havia compreendido o que a mãe acabara de falar.

– Ela ficou presa na velha casa.

– Como assim? Presa?

– Vou lhe explicar. – Maria olhou rapidamente para os dois lados e atravessou a rua com Sara ao seu lado, escutando tudo atenta.

– Sua avó, assim que ia saindo da casa, teve um susto. – Ela respirou fundo. – A porta que dava na rua se fechou sozinha bruscamente e ela ficou presa, sem poder sair.

– E não tinha porta dos fundos?

– Não.

Elas estavam quase chegando ao mercado.

– E como ela saiu... Da casa? – Sara perguntou, estava começando a perceber que a conversa estava tomando um rumo estranho.

–Depois de duas horas... Sua avó já estava gritando, desesperada, as janelas estavam fechadas e não havia ninguém por perto. Daí a porta se abriu de novo, do nada, e minha mãe correu para a casa como uma louca.

Maria agora se calou, não pretendia falar mais nada, e Sara sentia um estranho arrepio na espinha, e jurou para si mesma que nunca entraria naquela rua.

A moto passou em alta velocidade pela rua mal iluminada, enquanto Sara apertava bem seu amigo Michel.

– Ei, está com medo dessa rua mal-assombrada garota? – Ele perguntou em tom de brincadeira.

– Vá se danar... – Ela falou, um respingo de lágrima saindo de seus olhos azuis.

Estavam já no meio da rua quando algo passou correndo e parou bem no meio da rua, era pequeno, como um coelho ou cachorrinho ainda filhote.

– Desvia! – Foi a única coisa que deu tempo de Sara falar antes de a moto atropelar o pobre animal e em seguida derrapar, jogando os dois para trás, e seguindo sozinha até uma árvore

– Minha... Moto... – Resmungou Michel, caído no chão enquanto via sua Bros se espatifar em uma árvore.

Ele se virou para a amiga, que chorava também caída no chão. Ele certificou-se de que não estava com nenhum ferimento e em seguida se levantou, indo ajudar Sara.

– Você está bem?

– Sim, estou... — Ela respondeu aos soluços.

Sara se levantou e observou o local em que se encontravam, estava tudo quase no breu, iluminado apenas por um fraco poste perto de uma mangueira.

– Se sente ali, Sara.

O garoto apontou para a escadaria de uma velha casa, estava sólida. Mesmo com medo, Sara fez o que o amigo mandara, se sentou e começou de novo a soluçar, depois foi ver se tinha se ferido com a queda.

– Eu não acredito que aconteceu isso... — Falava Michel a cada dez segundos.

Depois de um minuto que mais parecia uma hora ele falou.

– Vou ver como está minha moto.

– Espere... Michel... – Sara falou, mas ele nem escutou.

Michel sumiu na escuridão e Sara deu uma tapa no próprio rosto.

– Com medo disso, Sara? Você nem sabe se aquela história é verdade mesmo. — Ela falou consigo mesma.

Os minutos se passavam e Michel não voltava. “Oh, ele está examinando a moto” era o que pensava Sara, mas ela sabia que não era bem isso.

Tum. Tum. Tum.

Sara escutou este barulho e estranhou, tendo um tremendo arrepio na espinha, mas logo decidiu que tudo era apenas fruto de sua imaginação.

Tum. Tum. Tum.

– Quem está aí? – Foi à primeira pergunta que veio a cabeça de Sara. – Michel?

– Sara...

Não foi Michel quem falou, a voz era fina e aguda e Sara pode sentir o ar quente em seu ombro.

– Sara...

Um grito de horror pode ser escutado por todo o quarteirão, mas dessa vez nenhum vizinho rabugento acordou.

– Sara... Entre aqui!

A voz com certeza vinha da velha casa onde Sara estava sentada. A garota deu um pulo e gritou de medo, mas logo pensou em uma das possibilidades. Michel poderia ter dado a volta pelo breu e entrado por um buraco que com certeza existe nos fundos da casa.

– Nossa Sara, e você aqui com medo... – Ela disse para si mesma.

Resolveu entrar na tal casa apenas para esfregar na cara de Michel que não era medrosa. Abriu o velho portão com um safanão e adentrou a casa, furiosa.

– Michel! Eu...

Foi interrompida por um grito que vinha do lado de fora.

– Socorro! – Era Michel.

Sara se dirigiu rapidamente até uma das janelas e olhou o que acontecia na rua. Michel estava deitado de bruços no meio da rua, uma poça de sangue em sua volta, além de uma adaga cravada em suas costas. Sara soltou um grito de horror e correu para a porta, mas ela se fechou bruscamente.

Notas finais
Comentem e digam o que acharam! O próximo sai em breve.