Contos Diversos Volume 1.
22 Terceiro Conto - Arthur e sua epifania
Terceiro Conto – Arthur e sua Epifania.
Capítulo Dois – Diamante Bruto.
As pessoas em minha volta tinha uma história muito melhor que a minha e até mais interessante, eles já viveram romances, aventuras, suspenses, mistérios quanto a mim? Quando terei a melhor experiência em toda minha vida? De certa forma Helena se voluntariou a me ajudar, ou melhor, ela sempre me vigiou. Eu logo relembrei de alguns fatos importantes.
Uma figura misteriosa sempre esteve nos mesmos lugares que eu, eu sempre achei coincidência ela estar-nos mesmos lugares do que eu, é o que diriam sobre o mundo é pequeno.
– Diamante bruto? Do que está dizendo?
– Você está cansado da rotina, mesmo não admitindo por si só, está cansado de ouvir histórias muito mais interessantes que sua própria história e está cansado de gastar seu tempo de vida nas mesmas coisas banais e eu estou aqui para mudar isso.
Ela se aproximou de mim uns dois passos, eu temi o pior e dei dois passos para trás involuntariamente, quando percebi o espaço terminou e eu fui de encontro com a parede, ela se aproximou mais rápido e apoiou sua mão na parede no lado esquerdo de minha cabeça e logo ela aproximou seu rosto diante de mim.
– Farei você ter histórias interessantes a partir de agora.
Assim ela se afastou de mim e pegou sua lista.
– Eu já terminei minha lista.
Eu peguei a lista de maneira desconfiada e comecei a ler, era realmente muita coisa, a lista dela ocupava cinco folhas com a fonte de Times New Roman tamanho doze.
– Caramba, você fez um “mochilão” na Europa?
Ela começou a falar outra língua, acredito ser alemão.
– Foi lá também que aprendi economia básica, administração e contabilidade, não é a toa que termino o meu serviço com tanta facilidade em pouco tempo mesmo tendo feito apenas um estágio na área, além de que não fui para a Europa a negócios, sempre viajei pelo mundo, conheci novos gostos, novas histórias, novas aventuras, eu carrego em minha mochila inúmeras histórias que acredito que você tenha interesse.
Fiquei extasiado com tanta informação, ela conheceu inúmeros países, fez trilha, conheceu gente nova, foi voluntária em uma causa social promovida pela UNICEF em ajuda a pessoas com AIDS na África, era tanta história que me diminuía muito mais.
– Mas não se preocupa. Você terá a mesma base que eu, isso se você quiser que eu o ajude.
– Isso é incrível, eu não sei o que dizer.
– Apenas deixe-me lhe ajudar.
Entreguei a lista a ela e relutei em concordar.
– Após o término de meu experimento, você terá uma lista tão grande do que essa você terá histórias que irão entreter até seus bisnetos, claro que isso irá custar tempo, uma lista dessa não é completada da noite para o dia.
– Sempre achei as histórias de outras pessoas mais interessantes do que a minha, e eu realmente gostaria de mudar essa realidade, mas minha insegurança fala mais forte.
– Deixa essa segurança de lado e faça uma história, uma na qual se orgulhe, eu a ajudarei a alcançar esse objetivo.
– Mas porque quer tanto me ajudar?
– Enquanto você aprecia ouvir uma boa história, eu aprecio a observá-la ela acontecendo.
Assim terminou minha noite, com mais duvidas do que respostas, mas e pensar que minha historia poderia ser mais interessante do que eu sempre ouço, é reconfortante.
Cinco horas da manhã e eu desperto com um barulho de colher de pau se chocando contra uma frigideira, eu abro os olhos e após algum tempo para que meus olhos focalizassem eu vejo Helena em pé na minha cama fazendo um barulho ensurdecedor.
– Vamos acorde, queres criar sua própria história ou não?
– Mas logo cinco da manhã?
– Quando eu morei no Canadá durante dois anos eu despertava às duas da manhã no tempo mais gélido.
Foi difícil levantar a cinco da manhã e quebrar minha rotina, mas após andar no parque aquele horário eu vi um mundo diferente, um mundo com pessoas diferentes.
– Eu não entendo, onde estamos indo?
– Eu conheço uma pessoa, talvez você queira tentar algo radical.
Bungee Jumping, estávamos em uma altura considerável e uma corda estava amarrado em minhas canelas.
– É o seguinte. – Disse o sujeito que Helena conhecida. – Tente manter seu corpo esticado durante a queda.
O resto das instruções eu não ouvi, ao ver a altura daquele lugar eu desmaiei, logo Helena me acordou.
– Não esperava que você tivesse medo de altura.
– Nem eu sabia que tinha esse medo. – Comentei ofegante.
– Mas ainda não terminou, podemos fazer outras coisas que não inclua altura.
– Tipo o que?
– Viajar no cruzeiro.
– Enjoo.
– Esportes.
– Problemas no joelho.
– Tirando esses problemas, o que mais você pode fazer?
Pensei profundamente, mas nada veio em minha mente.
– O fato de eu começar meu MBA semana que vem ajuda para alguma coisa?
– Mas é claro! Conhecimento. Está decidido. Eu serei sua professora, aprenderá novas línguas poderá viajar pelo mundo, isso você pode fazer não é mesmo?
Sexta feira mais uma vez saía com os colegas da empresa e para mim seria a ultima vez, já que nesse horário eu iria me dirigir a faculdade para iniciar meu curso de MBA, era um passo importante em minha vida e precisaria me focar somente naquilo.
– Eu vi vocês chegando juntos na empresa, não me diga que decidiu conhecer ela melhor? – Indagou Agatha.
– Aí sim, e aí, pegou?
– Primeiro lugar, somos vizinhos, então é normal chegarmos à empresa ao mesmo tempo e em segundo lugar, apenas somos amigos, nada, além disso.
– Mas ela é realmente linda, aposto que já namora. – Comentou Rafaela.
– Namorando ou não isso não é de minha conta. – Eu comentei.
Assim eu me despedir daquela rotina de sexta feira, semana que vem começaria meus dias acadêmicos além de minhas aulas de línguas com Helena, até estranhei que ela estava se esforçando demais para alguém como eu.
As aulas iniciaram com uma apresentação e palestras para poder entender o benefício de ter um título MBA em seu currículo, tudo comum, quando eu estava saindo da faculdade (lembrei nos grandes tempos em que estudava administração) acabei me encontrando com alguém familiar.
– Olha só quem eu encontro aqui, se não é Arthur.
– José, está fazendo MBA também?
– Que nada, eu havia desistido naquela época, agora percebi como isso faz falta e decidi voltar, sorte que os dois anos que eu fiz anteriormente não foi perdido e eu pude cortar algumas matérias, porque não vamos para um bar para podermos nos atualizar.
João estudou comigo por um tempo em uma faculdade, no entanto ele logo trancou o curso pelo fato de sua mãe começar a ter problemas de saúde, eu pensei que ele iria voltar, mas parece que ele desistiu de vez, nem toquei no assunto de sua mãe.
– Então, conte-me algo interessante.
Eu nunca ouvi alguém dizer aquilo para mim, quer dizer, minha vida não era tão interessante a ponto de se compartilhar, sempre vivi em uma rotina que consistia em trabalhar e retornar em casa, além de ouvir inúmeras histórias de passageiros de ônibus onde eu puxava assunto, logo eu bebi um gole de cerveja e pensei em uma resposta cabível.
– Não tem o que dizer, minha vida está à mesma coisa que cinco anos atrás.
– Nossa cara, que chato, pois bem, pelo menos você está feliz.
– Não sei dizer se estou feliz ou triste, apenas normal, quer dizer, eu tenho estabilidade econômica, tenho saúde, um emprego bom, se esse é a última fase da felicidade eu realmente estou desapontado com a vida.
– Não diga isso, já sei o que falta da sua vida, uma mulher que deixe de ponta cabeça, se quiser, eu ti arranjo umas paqueras.
– Não precisa João, serio mesmo. – Bebi mais um gole de cerveja. – Acredito que não há necessidade para isso.
– Já sei. Você já tem uma “paquera” e mesmo baixinho você também é invocado.
– Na verdade eu decidi mudar de vida, viajar, conhecer outros lugares, criar histórias fantásticas onde eu possa compartilhar com outras pessoas e ter orgulho de minha vida, mas isso irá custar tempo.
– Você mudou bastante, você não era o tipo de cara que se arriscava.
– A vida me ensinou que precisamos experimentar coisas novas antes que seja tarde demais.
Levantei-me e deixei na mesa do bar o valor da cerveja.
– Eu preciso ir cara, amanhã eu preciso acordar cedo.
Despedir-me de João e fui direto para casa, fiquei feliz em rever um antigo amigo e saber que ele estava melhor que nunca, mas agora meu desafio realmente começava, entretanto o telefone tocou, olhei para o visor e não reconhecia o número, atendi por curiosidade.
– Alô?
– Oi Arthur, está ocupado?
– Na verdade estava voltando para casa, o que quer Helena?
– Me encontre no endereço que eu irei lhe passar.
Ela logo me passou o endereço, percebi que era perto onde eu estava e então eu decidir ir por lá, logo encontrei Helena junto com mais dois rapazes e duas garotas, não entendi muito bem aquela reunião familiar.
– Pois bem, agora sim estou acompanhada. – Ela entrelaçou seu braço ao meu.
– Como é?
– Você salvou o dia, Arthur é seu nome não é mesmo?
– Sim, mas quem é você?
– Meu nome é Raul, esse é Souza, Laila e Iasmin, estávamos indo jogar boliche, mas como Helena não queria segurar a vela eu pedi para que ela chamasse alguém próximo.
– Competição de boliche? Mas não tenho um físico para isso.
– Não diga isso Arthur, vai ser divertido, pense em quantas experiências irá proporcionar esse momento.
Nunca havia jogado boliche na vida, e logo Helena tinha razão e como eu disse ao João, eu precisava experimentar coisas novas.
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