Contos De Uma Noite De Verão

1 Parte I: Uma Manhã de Verão


O verão me lembra de muitas coisas.

Me lembra de sol, banhos em lagoas, acampamentos (Os de verão, claro, com tendas apertadas e sem ar), colônias de férias no meio do nada, enxames de mosquitos e mais principalmente, dela.

Hoje em dia ela não me é mais que uma idéia ou vaga lembrança, mas naquele longo verão a muitos anos atrás (Naquela época, o verão parecia curto, e os anos, infindavelmente longos), ela me era bem real, tão real quanto você é.

Era um verão típico da região, abafado e quente e irritante e ainda assim refrescante e tranqüilizante, embora eu ache que todos os verões são assim. É uma impressão que vem com a palavra.

Mas bem, lá estava eu, sentada longe das outras meninas e mais longe ainda dos garotos, quieta e com os braços cruzados, e nada me parecia mais chato que ficar ali, enquanto eu queria estar na cidade.

Era meio do verão, e ainda assim eu não tinha me enturmado com ninguém, afinal, eu estava vivendo aquela época em que todas as garotas são fúteis, e que todos os garotos eram babacas, e que ninguém poderia jamais me compreender.

Eu nunca consegui definir com exatidão como aquilo aconteceu, só sei que eu estava sentada quando uma voz chamou minha atenção, e embora eu não lembre o que ela falou, lembro que a voz dela era pura e era clara e parecia ser a voz mais bonita do mundo.

Minha resposta, dessa eu lembro, e foi clara, mas com aquela clareza rude que me rendeu o apelido de “Casmurra” quando eu era mais nova.

Minha resposta foi “Me deixa em paz”.

Com um dar de ombros e um “huff” encantador, a garota voltou a seu grupo de amigas.

E eu nunca me senti tão culpada.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.