Contos De Uma Adolescente
1 capítulo único
Notas iniciais
Boa leitura
A VIDA É UMA DROGA. FIM.
Ah, esqueci de me apresentar, eu sou a Nichole, e você deve estar se perguntando por que eu estou no meu sofá chorando, enquanto vejo um romance pra adolescentes e me entupo de sorvete.
Bem, isso é fácil de explicar, estou fazendo o que toda mulher faz quando leva um pé na bunda... Ou pelo menos eu faço, enfim, vou lhe contar como aconteceu.
Em um belo (sinta a ironia) dia chuvoso, eu estava tentando não morrer afogada enquanto voltava do trabalho, mas a chuva só aumentava, eu abaixei a cabeça para me proteger dos pingos e apressei os passos. Por obra do destino (ou de alguém que me odeia muito) acabei esbarrando nele, o causador de toda minha confusão emocional neste momento. Ele era lindo e me ajudou a levantar do chão molhado, por que SIM, eu caí com nosso choque. NÃO, não era mico suficiente eu estar molhada, esbarrar em um cara que nem conheço e cair, ele ainda tinha que ser lindo e me ajudar a levantar! PIOR, ele me chamou pra tomar um café pra se desculpar pro ELE ter esbarrado em mim.
Eu não devia ter aceitado, pois eu nem conhecia o cara, mas não, eu resolvi dar um crédito ao coitado, afinal quem faria isso se trombasse com alguém na rua? Ele deve ser boa pessoa, eu pensei. Pois é, eu estava enganada.
E não pense que ele foi rude, arrogante ou atrevido, por que ele não foi. Ele foi gentil, fofo e até riu das minhas idiotices, só por isso ele já poderia ser considerado maravilhoso. Então foi ai que conclui que ele era perfeito pra mim.
Ah, o nome dele? JEREMY.
Então você pensa que o Jeremy seria o homem da minha vida, que nos casaríamos, teríamos quatro filhos, uma bela casa e um labrador chamado Marley. Lamento te desapontar, pois você está completamente errado.
Passamos a sair constantemente, sabíamos quase tudo da vida do outro, ele sabia que eu amo sorvete de creme e morro de medo de filmes de terror, eu sabia que ele largou a faculdade pra tocar em uma banda de rock, que durou dois meses, e teve que voltar a fazer sua tão odiada faculdade de administração pra poder assumir os negócios da família.
Foi aí que o grande dia chegou, estávamos em uma sorveteria num dia frio do outono londrino, o que pode não parecer muito normal, mas deixe-me lhe contar um segredo, nos realmente não somos normais, pra ser sincera, às vezes eu chego a me assustar comigo mesma (lembre-se, esse é o nosso segredinho, ok? ok). Falávamos de algo que não lembro agora, o que é completamente normal considerando o momento que veio a seguir, e então Jeremy segurou minha mão, ficou com uma carinha de coelho assustado e a mão suada, se ajoelhou e... SIM, isso mesmo que você esta pensando... Ele me pediu em namoro e ME BEIJOU (com gosto de sorvete de creme e tudo) na frente de todo mundo, e quando digo todo mundo me refiro aos três adolescentes e a mulher com cara de cavalo, que tomavam sorvete enquanto ignoravam meu momento de diva do cinema clássico.
E depois disso meu mundo ficou colorido, borboletas, esquilos e o canto dos pássaros se espalhavam por todos os lados. OK, nem tanto, mas pelo menos eu tinha desencalhado, o que já era considerado um grande feito pra mim. Ele foi falar com meus pais e eu fui conhecer sua família, acho que gostaram de mim, pois não tentaram me matar enquanto nos dormíamos, nem me seqüestraram e venderam pro mercado negro, ou qualquer coisa do tipo. Apenas foram simpáticos e me ofereciam chá e bolo a cada cinco minutos.
Íamos ao parque nos domingos, cinema nas sextas à noite, estávamos praticamente casados. O que me surpreendia muito. Não sei como ele agüentava minha TPM, e Invés de querer me chutar por ser uma vaca histérica e gorda, não que eu fosse gorda, ah, não me leve à mal, eu não tenho preconceito com pessoas gordas, o caso é que eu realmente não era gorda, porém eu estava na TPM, e isso automaticamente me tornava feia e gorda, ele apenas me abraçava e dizia que eu era a mulher mais linda do mundo.
Minha vida foi perfeita por três meses, neste caso, até ontem quando peguei o Jeremy, o MEU JEREMY, se agarrando no meu sofá com outra. Eu disse agarrando? Desculpe, eu quis dizer que ele estava praticamente engolindo a maldita cara daquela filha da mãe.
A vadia em questão é a Jennifer, a suposta melhor amiga do Jeremy. E Deus, o que eu faria depois de ter meu coração partido? Não se preocupe, eu te digo. Pois até que encontrei uma solução bem rápido, oras, não tem nada melhor que quebrar a cabeça de alguém que quebrou seu coração. Porém isso não foi uma grande idéia, eu quebrei meu celular, alguns vasos e ate o abajur da vovó antes de concluir que ele tinha uma cabeça bem difícil de rachar. Então eu fui pra segunda opção, que foi: surtar, gritar e expulsar ele da minha casa.
E agora estamos aqui novamente, eu, meu sorvete, o trailer do filme e você, que merece parabéns por conseguir ler todo meu drama até o fim.
Notas finais
bjss *--*
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